25 dezembro 2017

Conquistas pioneiras de Crato – por Armando Lopes Rafael


   Em 1874, o primeiro bispo do Ceará, Dom Luiz Antônio dos Santos, atendendo à sugestão de um filho do Crato, Padre Cícero Romão Batista, fixa residência temporária nesta cidade, com o objetivo de construir um Seminário, a funcionar como um suplementar do Seminário Episcopal, existente na sede da diocese, Fortaleza, distante cerca de 600 Km do Cariri. Em 1º de março de 1875, ainda de forma precária, o Seminário São José do Crato é colocado em funcionamento.
   Em 8 de dezembro de 1908, o vigário Pe. Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, convoca as autoridades e lideranças da cidade, com o objetivo de solicitar ao Bispo do Ceará encaminhar a Santa Sé o pedido de criação da diocese do Crato. É formada uma comissão com as lideranças e os notáveis da terra para os trabalhos preparatórios da nova diocese.
   Em 20 de outubro de 1914, o Papa Bento XV, através da Bula “Catholicae Ecclesiae”, cria a diocese do Crato, a primeira do interior do Ceará. Em 10 de março de 1915, o vigário Quintino é preconizado primeiro bispo da nova igreja particular. A partir de então, diversas iniciativas da Diocese do Crato são responsáveis pelo surto de progresso sentido na cidade. Uma delas a criação, em 1921, da primeira instituição de crédito do Sul do Ceará, o Banco do Cariri, que presta grandes benefícios ao comércio e à lavoura da região.
   Em 1922, Dom Quintino torna-se o pioneiro do ensino superior, no interior do Ceará, porquanto dota o Seminário São José de Curso Teológico. Este, subdividido em Curso de Filosofia, feito em dois anos, e Curso de Teologia, em quatro anos, proporciona ao novo presbítero receber no Crato a licenciatura plena. Dom Quintino planta, assim, a semente germinativa da Faculdade de Filosofia do Crato (criada em 1959) que foi, por sua vez, o embrião da atual Universidade Regional do Cariri (URCA), criada em 1986. Esta universidade leva a instrução superior in loco à vasta área do Estado do Ceará. E recebe no Crato alunos residentes nos Estados do Piauí, Paraíba e Pernambuco. Hoje, o Crato é um dos mais importantes polos do ensino universitário, no Nordeste brasileiro.
   Em 1946, quando não se fala em ecologia ou biodiversidade, o Crato é palco de nova ação pioneira. Através do Decreto n° 9.226 de 02 de maio de 1946, o Governo Federal cria a primeira reserva florestal do Brasil. Trata-se da Floresta Nacional do Araripe, que tem boa parte da sua reserva encravada no Município do Crato. Constituída por mata primária, clima ameno, além de possuir boa variedade de fauna e flora nativas, fontes naturais, pequenas grutas e fósseis, a Floresta Nacional do Araripe vem permitindo a pesquisa científica, recreação e lazer, educação ambiental, manejo florestal sustentável e turismo.
    Em 2004, o Governador do Ceará, Lúcio Alcântara, confiou ao então Reitor da Universidade Regional do Cariri–URCA, Prof. André Herzog, a implantação do Geopark Araripe. Geoparque (ou geopark, em inglês) é uma marca atribuída pela Rede Global de Geoparques (GGN), sob os auspícios da UNESCO.  A iniciativa visa preservar territórios importantes para o nosso planeta. O GeoPark Araripe foi o primeiro geoparque das Américas e do Hemisfério Sul reconhecido pela GGN (Global Geoparks Network). Ele é composto por 9 geossítios que estão distribuídos em 6 municípios da Região do Cariri: Batateiras (Crato), Pedra Cariri e Ponte de Pedra (Nova Olinda), Parque dos Pterossauros e Pontal de Santa Cruz (Santana do Cariri), Cachoeira de Missão Velha e Floresta Petrificada (Missão Velha), Riacho do Meio (Barbalha), Colina do Horto (Juazeiro do Norte). O território desse geoparque brasileiro, patrimônio da humanidade, totaliza uma área de 3.441km². Quatorze anos depois de implantado o Geopark Araripe é a vitrine da Universidade Regional do Cariri e um empreendimento que eleva o nome do Ceará em todo o Brasil.
É o Crato pioneiro. Sempre à frente dos acontecimentos futuros...

Retrospectiva 2017: o Rio de Janeiro no fundo do poço

Servidores sem salário, desmonte na educação, saúde em colapso e violência crescente
Fonte:Jornal do Brasil On line
Enquanto a população do Rio de Janeiro sofreu em 2017 a maior crise da história do estado, o ex-governador Sérgio Cabral – 17 vezes réu e quatro vezes condenado pela Lava Jato - pareceu ainda gozar de privilégios mesmo na cadeia. Os servidores não tiveram dinheiro sequer para comer, os hospitais entraram em colapso, o comércio fechou as portas, o desemprego alcançou níveis alarmantes, a educação sofreu um desmonte e a escalada da violência matou até bebês antes de eles nascerem, e tornou alvos jovens pobres e negros e policiais militares que ultrapassaram a dramática marca de 100 mortos somente neste ano. Na prisão, Cabral respondeu por seus crimes contra o estado e a população fluminense com um simples pedido de desculpas.
Além disso, outros dois ex-governadores do Rio, Anthony e Rosinha Garotinho, foram presos na mesma Cadeia Pública, em Benfica. Na véspera de Sérgio Cabral completar um ano atrás das grades, também foram presos o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Jorge Picciani, e dois deputados estaduais, Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB.
Servidores Públicos
A venda da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio (Cedae) foi aprovada pela Alerj como forma de socorrer as finanças do estado. O governo do Rio prometeu utilizar todo o valor de R$ 2,9 bilhões para pagar o que deve aos servidores estaduais. A medida, entretanto, é polêmica, pois, segundo os funcionários da Companhia, com a privatização o consumidor passará a pagar mais pela água, a exemplo do que teria acontecido em empresas de saneamento vendidas à iniciativa privada em anos anteriores.
Segurança Pública
 A crise política chegou e a falência do Estado também. O clima foi de depressão e de mais violência. E essa violência atingiu em cheio a Rocinha. Tiroteios, toque de recolher, jovens perdendo o vestibular na Uerj, suspensão do direito de ir e vir e medo. O terror se instalou na Rocinha, enquanto na outra ponta da cidade era possível ouvir o som do famoso festival de música Rock in Rio, que atraiu mais de 700 mil pessoas de todo o Brasil.
A crise do Rio, entretanto, não atingiu somente a segurança pública. Quem assistiu a Tom Jobim ser homenageado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro em 1990 não imaginava que seu palco sofreria com um desmantelamento gradual, com risco de fechar as portas. A universidade que já formou três ministros do STF – Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Luis Roberto Barroso –, recebeu o líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, e foi pioneira em diversos programas públicos, como a idealização do Sistema Único de Saúde (SUS) e o sistema de cotas, sofreu com um grave processo de sucateamento, o pior em toda sua história, agravado pela crise financeira do estado.
Educação
Professores, ativistas, e defensores da rede pública e gratuita de ensino acreditam que a crise da Uerj é, na verdade, um projeto para acabar com a educação pública e gratuita. Um parecer da Subsecretaria vinculada ao Ministério da Fazenda, chegou a sugerir "a revisão da tarefa do ensino superior", caso o Estado falhe em colocar em prática alguma das medidas de ajuste já acordadas no Regime de Recuperação do Rio. Apesar disso, a Uerj foi eleita a 11ª melhor universidade do Brasil, segundo ranking da Times Higher Education, uma das principais avaliações educacionais do mundo todo.
Saúde
Na saúde, profissionais da área decretaram, no último dia 12, “calamidade pública técnica” no estado. A decisão foi dos conselhos regionais profissionais de medicina, nutrição, fonoaudiologia e fisioterapia, que justificaram a medida como forma de alerta para a crise que afeta hospitais e outras unidades de saúde.
Legado Olímpico
 Em meio ao caos, surge a pergunta: um ano após Olimpíada, e três após a Copa do Mundo, onde está o legado dos grandes eventos esportivos prometido pelos ex-governantes? Cabral virou mais uma vez réu, junto do ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) Carlos Arthur Nuzman, e o empresário Arthur César de Menezes Soares Filho, o "Rei Arthur", pelo crime de corrupção devido à suspeita de votos para a escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.
Fonte: Excertos da matéria publicada pelo Jornal do Brasil on line, disponível na Internet