20 dezembro 2017

Transcendência - Por: Emerson Monteiro

Nas batalhas entre exércitos, no campo de manobras resta margem de respiração, no meio dos dois territórios. Aquela faixa recebe o nome de Terra de Ninguém. Zona intermediária por demais importante, exige de ambos os lados condições mínimas de respeito, a título da segurança das tropas.

Assim, nos humanos. De um aspecto, o mundo ilusório. Do outro, a transcendência do Ser. Qual fruto em fase de amadurecimento, a existência permanece o tempo inevitável de, um dia, cruzar fronteiras e unir a divisão dos dois eus na fase de elaborar o sonho da Salvação.

Presos ao chão daqui, estamos nessa época de vencer a terras de ninguém e desvendar os bosques da libertação na individualidade. Disso, a busca da Luz da espiritualidade. Largar os apegos da matéria e conduzir o barco aos oceanos do Infinito, razões principais da Consciência. Permitir ao barco do Ser navegar as águas da Perfeição.

Nessa epopeia da realização, o trilho há de iluminar a alma da gente. Primeiro, saber disso. Desvendar o primor da possibilidade. Admitir o senso da procura e caminhar rumo de sua concretização. Trabalhar em si os meios de querer e dar os primeiros passos. Exercitar o conhecimento através dos meandros por vezes escuros daquela zona de luta de nós conosco próprios.

Transcender, eis o nome que resume as ações de vencer montanhas e precipícios da zona desmilitarizada dentro do campo de batalha que somos nós. Converter a permanência em impermanência e deixar margem a transpor o espaço das contradições, até revelar ao ser interior o mistério da superação. Isto bem significa o transcorrer da busca imortal.


Ausentes disso, dessa condição determinada nas leis eternas, fora daquele território neutro, antes só impera a inexistência, as cavernas da ilusão. Requer, por isso, a coragem de vencer fronteiras nos céus e chegar aos braços eternos do Amor, fonte da Vida. 

Natal 2017: carta ao Menino Jesus -- por José Luís Lira (*)


   Amado Jesus, o Cristo personificado numa criança humilde e indefesa, é vosso aniversário!
Há 2017 nascias. Os homens negaram-te hospedagem. Nascestes num estábulo e nenhum rei nascido em berço de ouro teve mais luz, mais amor, mais ternura que vós, naquele recanto de Belém, ao som da celeste sinfonia dos anjos que clamavam, felizes: “Glória a Deus no mais alto dos céus e sobre a terra paz para os seus bem-amados”.
   A Estrela que se formou no Céu de Belém conduzia pastores e sábios ao vosso berço, para contemplar-vos e adorar-vos. Sim, adorar-vos, és Deus, parte da Trindade Santa que um amigo e irmão nosso Santo Agostinho de Hipona pensava descobrir e um dia, durante reflexão à beira-mar, viu um menininho com um búzio tirando água do mar e colocando num pequeno buraco que fez na areia. O Santo indagou ao menino: “Que fazes, filho?”.  
    Ele respondeu: “Estou trazendo o mar para cá”. O Santo diz-lhe: “É impossível”, ao que ouviu em resposta: “É mais fácil eu trazer o mar para cá do que o Senhor descobrir o mistério da Santíssima Trindade”. Deus-Menino-Trino És!
    Meu Menino Jesus. Naqueles dias um sanguinário rei, muito revoltado com vosso nascimento mandou matar todos os meninos que havia em Belém e em todo o seu termo, de dois anos para baixo, e vimos confirmada a profecia de Jeremias: “Ouviu-se um clamor em Ramá, choro e grande lamento; era Rachel chorando a seus filhos, e não querendo ser consolada, porque eles já não existem”.
    Meu caríssimo Menino, sua terra – a Terra Santa –, mais uma vez passa por conflitos. Desta vez um rei provisório (presidente) maluco, seguido de outro resolveram tirar de Jerusalém o caráter internacional que ela tem – cidade de todos os povos e nações – e reconhecem-na capital, um do povo judeu; outro, do povo palestino. Senhor Menino Jesus, vós que tudo vês e sabes, enxergas o que lá se sucede. O problema da paz é de todo o mundo. Aqui no Brasil também padecemos disso. Nas grandes e pequenas cidades se mata horrorosamente e a justiça humana nem sempre funciona como deveria.  
    Um outro tipo de ameaça à paz é a corrupção. Nunca se viu tanta corrupção nesta Terra da Santa Cruz e só vós podeis nos encorajar a seguir.
    Sabe Menino Jesus, é vosso aniversário e eu falando e lamuriando aqui. Perdoe-me! O Senhor sabe. Eu não sei o que faço, como muitos dos homens e mulheres, todos filhos vossos que caminham neste mundo buscando a Luz que emana de vós!
     Quero agradecer-vos pelas coisas boas com as quais nos premiastes. Como este texto público, não enumerarei aquelas graças pessoais que em meu coração ficam guardadas. Hoje mesmo recebi um presente vosso e agradeço, de coração!
     Querido Menino Jesus, agradecemos por todos os dons recebidos da Trindade, mas, ainda assim, ousamos pedir-vos que faça reinar a paz na terra (pacem in terris); sensibilize a todos a vos enxergar no sorriso lindo das crianças (lembro-me de minha linda sobrinha Isadora, presente vosso à nossa família), na sabedoria dos idosos, no amor dos pais e dos filhos também. Ensinai-nos a respeitar as crianças e os idosos. Isso é a essência do bom-viver e vós sabes muito melhor disso do que nós, criaturas vossas. Peço-vos perdão por vos falar tão humanamente. És Deus-Menino, mas, também é nosso irmão amado. Derrameis sobre nós todos vossas bênçãos.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com vários livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.É colaborador do Blog do Crato.
Na foto, o morrinho do presépio no Santuário Nacional de Aparecida (SP) que este ano comemorou 300 anos do aparecimento da imagem da Padroeira do Brasil

Monarquia: um regime de governo familiar

   A sociedade não é constituída basicamente por indivíduos, como ensinaram, erradamente, os filósofos que prepararam a Revolução Francesa. Mas é constituída por famílias. A sociedade é uma família de famílias.
   Assim como no ambiente doméstico, onde o pai, pela sua autoridade e pela direção que imprime ao conjunto, faz as vezes de rei, também a mãe exerce uma forma peculiar de autoridade, complementar e subordinada à do pai; é a rainha do lar.
   Sendo a sociedade composta por famílias, é muito razoável que, no seu ápice, esteja não um indivíduo, mas uma família.
   Por outro lado, num regime monárquico bem constituído, o Soberano faz as vezes de pai do seu povo, sentindo-se todos integrados numa imensa família. Se quisermos exprimir essa verdade em linguagem filosófica, diremos que a autoridade paterna é o analogado primário de toda e qualquer forma de autoridade legítima existente entre os homens: a do mestre, a do patrão, a do juiz, a do Monarca. E a família, a primeira de todas as sociedades humanas, é igualmente o analogado primário de toda e qualquer forma de associação entre homens. O colégio, a empresa, o sindicato, o município, a província, a nação, se bem constituídos, é na família que encontram seu modelo.
   O regime monárquico concebe a nação como uma imensa família. Contrariamente, o regime republicano a concebe como uma imensa empresa comercial, ou como uma imensa repartição pública...
    Esse caráter familiar era muito generalizado nas Monarquias da Europa, influenciadas a fundo por séculos de civilização cristã, e até mesmo em Monarquias só indiretamente beneficiadas pela influência da Igreja. No Império Russo, por exemplo, os Imperadores Autocratas eram familiarmente chamados, pelos camponeses, de “patruchka”, e as Imperatrizes, de “matruchka”; ou seja, “paizinho” e “mãezinha”.

- Baseado em trecho do livro “Parlamentarismo, sim! Mas à brasileira: com Monarca e Poder Moderador eficaz e paternal”, do Prof. Armando Alexandre dos Santos.
Gravura abaixo: a árvore genealógica da Família Imperial Brasileira entre o final do século XIX e o início do XX; o Imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Dona Teresa Cristina, sua filha, a Princesa Imperial Dona Isabel, e o marido e os filhos desta, o Conde d'Eu, e os Príncipes Dom Pedro de Alcântara, Dom Luiz e Dom Antonio.

Presidente do PT, Gleisi Hoffmann, diz no Twitter ter sido agredida em avião em Brasília

A presidente do PT e a suposta agressora foram encaminhadas ao posto da Polícia Federal (PF)
(foto: / AFP / EVARISTO SA )
Sensível, a petista se disse agredida "verbalmente"

    A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), relatou nesta terça-feira, 19, ter sido agredida verbalmente enquanto desembarcava de um avião no Aeroporto Internacional de Brasília Presidente Juscelino Kubitschek.
    "Fui agredida aos berros dentro de um avião por uma mulher descontrolada antes de desembarcar em BSB. Como não acho esse tipo de comportamento liberdade de expressão, solicitei a presença da polícia e o desembarque foi suspenso até sua chegada", escreveu, na conta oficial no Twitter.
   Acompanhadas pela polícia, Gleisi e a suposta agressora foram encaminhadas ao posto da Polícia Federal (PF) no aeroporto para registro da ocorrência, disse a senadora.