16 dezembro 2017

A casa onde nasceu o Padre Cícero - por Armando Lopes Rafael

    Duas versões são defendidas, entre os historiadores regionais, no que diz respeito ao local onde teria nascido, na cidade do Crato, o Padre Cícero Romão Batista.
    A primeira versão - defendida por Irineu Pinheiro - diz que o famoso sacerdote veio ao mundo numa casa existente à Rua Miguel Limaverde. A casa pertencia ao coronel Pedro Pinheiro Bezerra de Menezes, e posteriormente fora desmembrada em duas residências. Ambas demolidas, quando do alargamento daquela rua, na fúria insana de destruir o que resta do patrimônio arquitetônico do Crato, para dar lugar à passagem de veículos automotores.
      A outra versão, a que nos parece mais certa, defende que o Padre Cícero nasceu numa casinha, no terreno onde hoje se ergue o Palácio Episcopal, na atual Rua Dom Quintino, à época Rua das Flores (foto ao lado).
Irineu Pinheiro defendia o imóvel da rua Miguel Limaverde, como o local do nascimento do Padre Cícero, baseado em depoimento de uma escrava da família do famoso sacerdote, conhecida como “Teresa do Padre”, mulher humilde e bastante estimada na cidade de Juazeiro do Norte, onde gozava a fama de uma pessoa virtuosa e de credibilidade.
       Entretanto outro ilustre historiador, o Padre Antônio Gomes de Araújo, escreveu este depoimento, “Teresa do Padre, já começava a mergulhar no crepúsculo da própria memória, cuja desintegração começara”. Ou seja, a boa velhinha caminhando para os cem anos de idade, já não dominava mais a própria memória, deficiência física a que estamos sujeitos todos nós, os seres humanos, quando a velhice nos domina.
     Já a versão de que o Padre Cícero nasceu numa casinha simples, onde hoje é o Palácio do Bispo, tem diversos defensores. Segundo depoimento prestado pelo cônego Climério Correia de Macedo ao Padre Antônio Gomes de Araújo, e incluído no livro “A Cidade de Frei Carlos”, o cônego declarou: “Minha tia paterna, Missias Correia de Macedo, cortou o cordão umbilical do Padre Cícero numa casa que foi substituída pelo palácio de Dom Francisco" (referia-se ao atual Palácio Episcopal construído por Dom Francisco de Assis Pires, segundo bispo da Diocese do Crato).
     E continua Padre Gomes no seu livro citado: “É corrente que, no chão em que se ergue aquele palácio, havia de fato uma casa, que foi cenário, por exemplo, da recepção do Padre Cícero quando este chegou do Seminário de Fortaleza, ordenado sacerdote, bem como das festas que envolveram a celebração de sua primeira missa. É certo que dita casa pertenceu ao major João Bispo Xavier Sobreira (...) Com sua morte a dita casa passou à viúva, dona Jovita Maria da Conceição. Seus herdeiros venderam a casa a esta diocese”.
      Assim, tudo está a indicar que o Padre Cícero veio ao mundo na casinha simples, entre fruteiras, localizada no terreno onde hoje se ergue o Palácio Episcopal. Deixamos nossa sugestão para que o Governo do Ceará e a Prefeitura do Crato providenciem a colocação de uma placa, assinalando o local onde nasceu um dos mais conhecidos sacerdotes católicos do Brasil, o ilustre filho do Crato, Padre Cícero Romão Batista. 
     É uma forma de preservar a memória histórica de Crato, tão ultrajada e descaracterizada por administradores insensíveis e de poucos conhecimentos culturais...

Em Rondônia agora é obrigado hastear a Bandeira do Império do Brasil


(Fonte: Face book Pró Monarquia)

    No último dia 12, a Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia foi palco de uma reviravolta surpreendente até para nós, monarquistas, acostumados ao desprezo da classe política.
    Há menos de um mês, noticiamos aqui a aprovação, por parte da Assembleia Legislativa de Rondônia, de um projeto de lei obrigando o hasteamento da Bandeira do Império do Brasil nas escolas públicas e privadas de ensino fundamental e médio daquele Estado. De autoria do Deputado Estadual José Eurípedes Clemente (‘‘Lebrão’’), o Projeto de Lei foi apresentado no início do mês de setembro desse ano, constando, no seu texto, além da obrigatoriedade do hasteamento da Bandeira do Império (juntamente com as bandeiras do Brasil e do Estado), a exigência da execução simultânea do Hino da Independência, além dos Hinos Nacional e do Estado de Rondônia. O projeto, afirma o texto, visava dar início às comemorações alusivas ao Bicentenário da Independência do Brasil (a ocorrer em 07 de setembro de 2022), promovendo o resgate de símbolos históricos e culturais, além de o despertar do ‘‘espírito cívico e patriótico’’ nos estudantes rondonienses.
     Tendo sido aprovado pelos parlamentares, após passar por todas as comissões da Casa e ser referendado em sessão plenária, no último dia 28 o PL n° 758/2017 – como foi nomeado – foi alvo de um duro baque, embora esperado: o veto total por parte do chefe do Executivo rondoniense, o Governador Confúcio Moura.
     De ‘‘molho’’ desde o dia 28, no último 12 ocorreu, enfim, na Assembleia Legislativa a sessão para análise do veto do governador. A bem dizer, não se esperava nem mesmo a realização dessa sessão. A bem da verdade, a aprovação da matéria – pela Assembleia Legislativa de Rondônia – já havia significado muito para os milhares de monarquistas brasileiros. E todo o empenho dirigido nesse sentido já representara mobilização digna de louvor. A transformação efetiva do projeto em lei, isso é, a sanção por parte do Executivo, seria extremamente simbólica, mas a anterior aprovação, pelos deputados estaduais de Rondônia, já representara uma verdadeira vitória.
     Mas a História – onde não há impossíveis! – nos reservava outra surpresa. Assim, admirados ficamos ao saber, no último dia 13 de dezembro, os Deputados Estaduais rejeitaram o veto do Governador. E que contra-ataque: por 19 votos a favor e 1 voto contra, o Projeto de Lei, obrigando o hasteamento da Bandeira do Império do Brasil nas escolas públicas e privadas de ensino fundamental e médio de Rondônia venceu com ampla maioria.
     Mas não só isso: antes da votação, um apelo – feito por parte de um número significativo de Deputados – foi dirigido aos demais parlamentares pedindo para rejeitarem o veto do Governador, e reconhecendo a importância e a pertinência do projeto. Um quadro verdadeiramente inesperado! Será Rondônia a ponta de lança da Restauração da Monarquia no Brasil?


Felicidade das palavras boas - Por: Emerson Monteiro

Nelas desvendar o presente com a beleza incrível que ele tem, sua constância, sua infinita paz. A força de continuar diante dos dias, das luzes, das cores, das pessoas, em tudo, por tudo, mistério afetuoso no interior de si, no andar dos seguimentos e das revelações da esperança em tantas ocasiões de renovação e possibilidades. Abraçar as oportunidades em forma de vida, amor e luminosidade. Trabalhar a força dos elementos que existem na alma da gente e transformar a forma de olhar os acontecimentos longe das marcas do tempo, no cinemascope das estradas. Sobreviver aos fatores, ensinos mil das circunstâncias.

Precisa coragem até ser feliz, mas nós a temos. Quantas vezes resolvemos e escolhemos os caminhos a tocar em frente, nos pensamentos e sentimentos. A riqueza da música do instante sempre ao nosso inteiro alvedrio. Os simples gestos de estender as mãos e abraçar o bem, livre dos preconceitos e das mágoas. Tantas chances de acertar aos nossos pés, andar de peito lavado pelas boas vitórias através dos nossos esforços. Alimentar a vontade férrea de conquistar as decisões positivas. Encher de criatividade as horas e os dias, satisfazer desejos de verdades eternas e amizades verdadeiras. Isto ao poder constante das forças vivas que festejam dentro da nossa natureza sadia.

Saber limpar a tela das ocasiões constantes cobertas de claridade desde que aceitemos ser alegres. Isto bem no seio do mistério da liberdade humana. Resta a todos tão só selecionar a atitude e determinar a nós mesmos que queremos o melhor de tudo quanto há. Pender a balança da individualidade no sentido da realização do ser que somos. Aceitar a liberdade do que nos deixam ter e exercê-la com a mais imensa força de gostar de existir, todo momento. Amar a si mesmo e ao que perdurar no instante do presente, portal da amabilidade e dos sonhos, flores da persistência e da tranquilidade.

Aniversariar -- por José Luís Lira (*)


   Neste domingo, 17/12, é a festa de São Lázaro de Betânia, amigo de Jesus, irmão de Marta e de Maria Madalena. Nesta data, evidentemente, nasceram muitas pessoas mundo afora. Destacamos a figura de D. Walfrido Teixeira Vieira que nasceu no dia 17/12/1921, em Jaguaquara (BA), bispo de Sobral por 33 anos. Se vivo estivesse, Dom Walfrido faria 96 anos.
   O Mons. Francisco Sadoc de Araújo, cônego honorário da Basílica de São Pedro, no Vaticano, nasceu em Sobral, a 17/12/1931 e neste dia, embora com uma saúde fragilizada, celebra 87 anos. Rezo para que ele receba sempre o que de melhor há. Figura das mais importantes para Sobral e da região noroeste cearense, bastava que tivesse criado a “sua” menina dos olhos, a Universidade Estadual Vale do Acaraú, homenageando o sobralense mais antigo, cujo nome também significa rio das garças e não só seu leito, mas, todo o seu percurso. 
    O rio Acaraú nasce na Serra das Matas, divisa dos municípios de Monsenhor Tabosa, Tamboril, Santa Quitéria e Boa Viagem. O rio percorre 320 quilômetros; corta Sobral, nossa amada metrópole; banha 18 municípios e chega ao mar, em Acaraú. No percurso, estão construídos alguns dos mais importantes açudes cearenses: o Carão, em Tamboril; o Edson Queiroz, em Santa Quitéria; o Paulo Sarasate (ou "Araras"), em Varjota; o Aires de Sousa (ou “Jaibaras”), em distrito de Sobral; além do Forquilha, em Forquilha. Penso que o Pe. Sadoc, com sua visão global, sem abandonar as raízes regionais, ao denominar Vale do Acaraú a Universidade que criou, quis dizer que ela seria de Sobral, mas, também de sua região, um vale do importante rio.
   Nem imagino se ele sonhou com a grandeza que sua criação teria nestes quase 50 anos de existência. Mas, o Monsenhor não parou por aí. É, seguramente, o maior historiador vivo do Ceará, tanto pela quantidade quanto pela qualidade de sua bibliografia. Edificou igrejas, fundou uma Paróquia...  Fez muito. Agora, num silêncio que nos incomoda por não mais desfrutarmos de sua sabedoria, resigna-se à vontade de quem foi pregador e se constitui amigo fiel: Deus, Aquele em quem acredita; poderíamos parafrasear São Paulo.
    O terceiro aniversariante que citamos é o Papa Francisco, nascido Jorge Mario Bergoglio, atual Papa da Igreja Católica e Chefe de Estado do Vaticano, sucessor do Papa Bento XVI, que abdicou ao trono petrino em 28/02/2013. É o primeiro papa nascido no Novo Mundo, o primeiro latino-americano, o primeiro a utilizar o nome de Francisco e, ainda, o primeiro jesuíta da história a suceder a S. Pedro. Nasceu no bairro de Flores, em Buenos Aires, a 17/12/1936, celebrando 81 anos. No bairro em que nasceu, está sediado o importante time de futebol argentino San Lorenzo. Por ele passamos quando nos dirigimos a Lomas de Zamora, onde cursei mestrado e doutorado, oportunidade em que conheci e conversei algumas vezes com o Cardeal Bergoglio (foto ao lado, na época que era Cardeal). Sua eleição se deu a 13/03/2013 e seis dias depois, na festa de São José, iniciou seu pontificado.
        Também neste dia, nasci, no sítio Correios, em Guaraciaba do Norte. Diante de tão importantes personalidades, creio que por puro desígnio de Deus. Rogo a São Lázaro, o santo do dia, que interceda pelos que nascemos neste dia, para que permaneçamos Amigos da Salvador, mesmo diante das adversidades da vida!
Vegetação do Sítio Correios, em Guaraciaba do Norte 
(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com vários livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.