14 dezembro 2017

Francis Vale - Por: Emerson Monteiro

Era em julho de 1976 quando conheci, em Crato, Francis Vale, dos grandes nomes da intelectualidade cearense da minha geração, dos que sobreviveram aos desafios ingratos dos anos 60. Encontramo-nos defronte ao Parque Municipal, na casa de Abidoral Jamacaru. Daí nasceria amizade que perdurou durante esse tempo, ratificada nos reencontros sucessivos, motivos, inclusive, de que adquirisse novas amizades, entre as quais Fagner, Amelinha, Afonsinho, Wiron Batista, Antônio Marcos, Fausto Nilo, Cirino, Amilton Melo, Stélio Valle e Alano Freitas, dentro de outros nomes de expressão da cultura e das artes, universo em que transitava com facilidade e dedicação. Nalgumas oportunidades, desfrutei da satisfação de hospedá-lo em minha residência e com ele estabelecer demoradas divagações quanto a música popular, literatura, política, direito, artes plásticas, cinema, esta a sua praia de predileção.

Mais à frente, vim de conhecer sua companheira, Leni, junto a quem aprimoraria outra boa amizade, pessoa afeita ao conhecimento das luzes espirituais, também dedicada às lides artísticas, sua perfeita companhia durante a existência. Francis devotava inteiro amor às raízes cratenses da arte, de bons parceiros, e aqui avistara Leni pela primeira vez, onde ela morava junto de Dona Rosa, sua genitora.

Qual disséramos, ainda que advogado, empresário de música, político militante e persistente animador cultural, o forte de Francis seria o cinema, ao que votou sua liderança durante décadas, autor de livro sobre o assunto, diretor de películas, coordenador de festivais, produtor e roteirista. O cinema cearense registra, portanto, a presença inconteste desse valioso capitão, incansável e resistente. Foi diretor da Casa Amarela, do Cine Ceará, e coordenou o Festival de Cinema de Jericoacoara.

Dentre as principais obras de Francis Vale constam o disco Liberado, com Alano Freitas; o livro Cinema cearense – algumas histórias; os filmes Trem da Alegria: Arte, futebol e ofício (longa metragem), Dom Fragoso (curta metragem) e outros, havendo participado como letrista das composições do Pessoal do Ceará, ao lado de quem cerrou fileiras.

Natural de Belém, no Pará, nascido a 07 de janeiro de 1942, agora recente, dia 08 de dezembro de 2017, Francis deixaria este mundo, nisto sensibilizando a muitos de seus admiradores e amigos, colheita justa que obteve através de uma legenda de trabalho e dignidade.