06 dezembro 2017

"Coisas da Ré Pública": Congresso tem reprovação recorde, afirma Datafolha

Fonte: "Folha de S.Paulo", 6 dez 2017

    Números revelam pior avaliação do trabalho de senadores e deputados na história recente, atingindo 60% de rejeição. Índice de aprovação é o menor registrado pelo instituto, com apenas 5% de opiniões favoráveis.Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada nesta quarta-feira (06/12) indica que a rejeição ao Congresso Nacional atingiu o pior índice de sua história recente. Segundo o levantamento, 60% dos brasileiros consideram ruim ou péssimo o trabalho dos deputados e senadores.
    Apenas 5% dos entrevistados aprovam o desempenho das duas casas do Congresso. Os índices se assemelham aos resultados de 1993, ano do escândalo dos anões do orçamento, quando um grupo de congressistas foi acusado de desviar recursos públicos em meio a uma hiperinflação que assolava a economia do país. Na época, 56% da população reprovava o trabalho dos parlamentares.
    O recorde anterior havia sido registrado nas duas últimas pesquisas, realizadas em dezembro de 2016 e abril de 2017 abril, quando a rejeição ao Congresso era de 58% contra 7% de aprovação. De 2015 para cá, a reprovação nunca esteve abaixo de 41% e a aprovação jamais ultrapassou os 12%.
A única avaliação positiva registrada pelo Datafolha nos últimos 25 anos ocorreu em dezembro de 2003, durante o primeiro ano da primeira gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
    O maior índice de reprovação foi registrado entre as pessoas mais ricas (74%) e com ensino superior (75%). Entre os eleitores do candidato à presidência Jair Bolsonaro, 68% reprovam a atuação do Congresso. O Datafolha entrevistou 2.765 pessoas entre os dias 29 e 30 de novembro.

Mudar o mundo em si II - Por: Emerson Monteiro

Ainda que mediante o esforço da multidão, sem que haja real transformação na essência dos humanos em nada persistirá por muito tempo o empenho de transformar as condições da sociedade. Isto porque ninguém faz construções boas com materiais inferiores. Exemplos abundam na história. Ideias fabulosas de reprogramar as nações, fruto do gênio de grandes teóricos e trazidas à prática mediante largos sacrifícios de gerações inteiras, no entanto empalidecidas no decorrer da experiência. Porquanto na prática a teoria sempre receberá outra roupagem. Daí belos projetos resultarem nos fracassos de que restam fiapos no transcorrer dos acontecimentos da raça.

A necessidade representa o princípio que conduz aos valores principais das mudanças. Testes sucessivos indicam modificações de conceitos. Aquilo que resulta em perdas não deve ser repetido, lógica primária.

O exercício de uma nova consciência requer, pois, atitudes pessoais. Haverá quem se alimente de ilusões e por isso não deseja alterar o curso da história, entregues ao comodismo. A visão do mundo das criaturas possui a conotação a razão fundamental dos seres pensantes, a autossuficiência. Tantos entregam o desejo de viver aos fatores da paixão e gostam e nutrem fantasias qual motivo de tocar adiante seus passos. A eles o direito dado pela Natureza a ser avaliados só nos tribunais do depois.

Outros, no entanto, postulam meios novos de contemplar o sonho e trabalhar a Eternidade através das visões do Paraíso. São os místicos, os visionários, profetas, autores das artes de olhar o mundo através da possibilidade mais positiva. Vistos como heróis, líderes, santos, oferecem a si próprios de instrumento da mudança, mesmo face aos limites da condição temporal. Buscam perceber a concepção rudimentar da existência e oferecem alternativas e soluções, longe de aceitar a derrota. Vislumbram luzes, saídas de sábio.

Bem singular essa formulação do comportamento humano. Desde os primeiros registros que esses caminhos aí estão, campos vastos da responsabilidade na ação das existências. No plantar e colher, a norma justa das visões e dos resultados, no exercício da liberdade tão valiosa.

O Cariri muito deve à ação do Padre Ibiapina

Cearense de Sobral, o Pe. José Antônio Maria Pereira Ibiapina, teve uma carreira brilhante como advogado, delegado de Polícia, Deputado Federal. Largou tudo isso com quase  50 anos de idade para ser ordenado sacerdote. E abraçou um imenso trabalho missionário – no século 19 –  percorrendo mais de 600 km pelos Estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.
Sempre de batina, a pé ou a cavalo, pregava, aconselhava e levava o conforto por meio da palavra para o povo sofrido do sertão nordestino. Organizou missões, construiu capelas, igrejas, açudes, cacimbas, poços, cemitérios, hospitais e chegou a fundar mais de vinte Casas de Caridade para moças órfãs carentes, onde elas recebiam educação religiosa e moral, aprendiam a ler, escrever e trabalhos domésticos, além de terem assistência à saúde.
Sobre o Padre Ibiapina assim se expressou o grande  Gilberto Freyre, no prefácio do livro de Celso Mariz, “Ibiapina, um apóstolo do Nordeste”, 1980: “Ibiapina foi realmente uma enorme força moral a serviço da Igreja e do Brasil. (...) exemplos como o do padre Ibiapina – que,  sozinho, fundou e organizou vinte casas de caridade nos sertões do Nordeste – se impõem aos brasileiros como grandes valores morais.”
(Por Armando Lopes Rafael)

Lula enfrenta protestos em caravana pelo Estado do Rio

Só cerca de dois mil militantes do PT estiveram no comício de Campos. Lula também foi hostilizado no hotel onde ficou hospedado

Fonte:Folha de S.Paulo, 06-12-2017 (ATIA SEABRA, ENVIADA ESPECIAL CAMPOS, RJ )

     O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou protestos e percalços nesta terça-feira (5), segundo dia de sua caravana pelos Estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro. Com uma faixa com a inscrição "Lula, ladrão, seu lugar é na prisão", cerca de 200 apoiadores do deputado Jair Bolsonaro (PSC) fizeram uma manifestação nas escadarias da Câmara de Vereadores de Campos, diante da praça onde Lula deu início à visita ao Estado do Rio. Foi a maior manifestação encarada por Lula desde o início de sua caravana, em agosto.
   Os simpatizantes de Bolsonaro queimaram bandeiras e gritaram palavras de ordem. Entre os gritos, o nome de Brilhante Ustra. Os organizadores do protesto, o engenheiro Vander Paulo Silveira Júnior e o administrador Carlos Víctor Carvalho (CVC), ambos de 29 anos, afirmaram que a intenção é levar Bolsonaro à cidade, onde garantem ter 7.000 adeptos em sua página na rede social. Sem filiação partidária, Vander pretende ingressar no partido militar. Os dois contam já terem se reunido com Flávio Bolsonaro, filho do pré-candidato. Do outro lado da rua, cerca de dois mil militantes assistiam ao discurso do ex-presidente. A PM não fez estimativa de participantes. Do palanque, de onde se podia ouvir a vaia de manifestantes, Lula chamou a população do Rio de cordata, mas disse que o fluminense se sente traído pela classe política.
   Ele contou ainda ter sido alertado por seus colaboradores sobre o ânimo do eleitor do Rio. Interlocutores do ex-presidente dizem que, advertido, Lula afirmou que não se entra no jogo apenas quando se está em vantagem. "Se o povo está desacreditado, a gente tem que conversar seriamente com o povo", discursou. Sem citar Bolsonaro, Lula lembrou que um pré-candidato defendeu a posse de fuzis para fazendeiros. "Não vou dar fuzil para fazendeiro. Vou dar terra para trabalhador rural", discursou afirmou Lula. Após o encerramento do ato, que consumiu menos de uma hora, apoiadores e opositores de Lula trocaram insultos na rua, contidos por um cordão da PM.
    Esse não foi o único incidente na agenda do ex-presidente. Na chegada ao hotel em Campos, um hóspede o chamou de ladrão no hall. Aos gritos, sendo conduzido ao elevador por seguranças até o elevador. Mais tarde, na saída do hotel, a caminho da praça, um grupo de jovens, com camisa do Senai, o aguardava na calçada. Para ser levado ao ato, Lula dispensou o ônibus, símbolo da caravana, e optou por um carro de passeio. 
     A chuva também atrapalhou. Na parada programada na cidade de Iconha (ES), apenas cerca de 50 pessoas o aguardavam quando chegou, por volta das 15h. O ex-presidente nem sequer subiu no carro de som para discursar, limitando-se a posar para selfies e abraçar simpatizantes. Na parada seguinte, Cachoeiro de Itapemirim, divisa com Rio, a forte chuva prejudicou a passagem de bandeira das mãos do presidente do PT do Espírito Santo, João Coser, para o representante do Rio. Apesar dos dissabores enfrentados no Rio, Lula avisou no palanque que se prepara para ir ao Paraná, sede da "República de Curitiba".