03 novembro 2017

Até hoje a Câmara Municipal de Crato não retornou o nome da Rua Imperatriz Leopoldina, denominação usurpada em 2011 – por Armando Lopes Rafael



Oficialmente, existe em Crato a Rua Imperatriz Leopoldina. Trata-se de uma  artéria urbana, que tem inicio paralelo ao lado direito da Avenida Padre Cícero – sentido Crato-Juazeiro – e dá acesso ao Parque Getúlio Vargas/Morro da Coruja (ex-bairro Barro Branco, atual Nossa Senhora de Fátima)  em toda a sua extensão. O nome de Imperatriz Leopoldina  foi dado através da Lei nº. 1.774 de 10 de junho de 1998, aprovada pela Câmara de Vereadores e sancionada pelo então prefeito Raimundo Bezerra.
   Deve-se ao então vereador Ailton Esmeraldo a justa denominação desta Rua de Crato. No entanto, em 2010, há sete anos, outro vereador conseguiu iludir os colegas e apresentou projeto de lei dando o nome de Rua Orestes Costa aquela que foi oficialmente denominada de Rua Imperatriz Leopoldina.       
   E o pior: sem que a lei anterior tivesse sido revogada. Mais triste ainda (e atentando para os foros de seriedade da Mui Nobre e Heráldica Cidade de Crato): o Sr. Orestes Costa já é nome de 3 (TRÊS) ruas em Crato. As outras duas ficam: uma, ao lado da Grendene, e outra, no triângulo do bairro Grangeiro. Um recorde mundial! Nada contra o Sr. Orestes Costas.Mas, imaginar que o maior benfeitor de Crato, Dom Vicente Matos, não tem rua com o nome dele nesta ingrata cidade...
     Essas mudanças dos nomes das nossas ruas sempre atenderam a interesses menores dos vereadores e sempre foram feitas sem ouvir a população cratense que não concorda com esse "troca-troca". Afinal isso é coisa de cidadezinhas atrasadas, não para a que foi "Capital da Cultura do Cariri"...

Um cratense se insurgiu contra esse triste costume e reverteu o nome de uma rua
Lição de cidadania: Paulo Leonardo repôs a antiga denominação da rua de Crato.
Que sua atitude sirva de exemplo! (foto de Heládio Teles Duarte)

     Eis aí uma prova no que resulta o triste costume de mudança dos nomes das ruas de Crato. Desde 1989 uma rua de Crato era denominada oficialmente de Francisco Osório Ribeiro da Silva. Localizada no Grangeiro, numa rua onde mora o bispo diocesano, lá existia uma única placa – assinalando a denominação – a qual, ao longo de vinte anos, foi se desgastando até que ficou ilegível. Foi o necessário para um vereador cratense – que passou pela rua e não viu nenhuma placa – apresentar projeto denominando a artéria urbana (já com nome oficial, repita-se) em homenagem a outra pessoa. Projeto aprovado, (não existem aqui critérios como em outras cidades que levam a sério o assunto) apressou-se o nobre vereador em mandar confeccionar, ele mesmo, uma placa e colocou-a lá, com a "nova denominação". Deu com os burros n'água!
      Um irmão do primeiro homenageado – o ex-bancário Paulo Leonardo (ver foto acima) –   viu a anomalia. Foi aos arquivos da Câmara Municipal e localizou a lei de 1989. Mandou confeccionar nova placa desta feita citando a lei e a data da promulgação do projeto que denominou a rua como  Francisco Osório Ribeiro da Silva. Mandou fazer nova placa e chamou amigos e conhecidos  para presenciarem  a colocação da placa como o nome original da rua.
     Eis aí uma lição de cidadania!
     Decisão acertadíssima.
    Idêntica providência deveria ser adotada por amigos, parentes e admiradores dos patronos das ruas de Crato que foram prejudicados  pelos vereadores desta cidade. A injustiça feita contra a Primeira Imperatriz brasileira e heroína (esta sim, é a heroína da nossa Independência) Imperatriz Leopoldina, está a reclamar idêntica providência.  Deixem o Sr.  Orestes Costa com apenas uma rua em sua homenagem.. As outras duas homônimas voltem às suas denominações iniciais.
Texto: Armando Lopes Rafael
Foto: Heládio Teles Duarte