22 outubro 2017

O padre baloeiro - Por: Emerson Monteiro

Esses tempos eletrônicos são mesmo esquisitos. Sem mais, nem menos, a gente se torna próximo de pessoas distantes, e distante das pessoas próximas, qual dizem os cartões espalhados nas redes sociais. Conhece desconhecidos ilustres, e ignora o verdureiro dali da esquina. Bom, a propósito desses fenômenos do tempo das máquinas no poder, também comigo se dá assim aos menores descuidos. Exemplo disso foi de alguns anos transatos, quando apareceu na mídia televisiva um sacerdote católico de lá das bandas do Paraná, que viajava pelas paróquias diocesanas a celebrar missa e distribuir os sacramentos planando pelos céus em balões coloridos.

Padre Adelir de Carli, 41 anos, que era pároco na Igreja São Cristóvão, em Paranaguá, no litoral paranaense, receberia prestígio das grandes emissoras nas diversas ocasiões noticiosas. Era ovacionado ao chegar e sumia festivamente largado pelos ares cheio de entusiasmo, nos braços do vento, em suas andanças aéreas. Lembro que o vi na reportagem derradeira, quando saía no derradeiro voo religioso.

De rosto sorridente, corado, estatura mediana, pouco acima do peso, tipo característico dos teutos brasileiros, distanciara-se nas planuras siderais já com o pouso previsto noutra freguesia daí a 20 horas de voo.

Mas nunca assentaria no destino... Era época de monções nas terras do Sul do Brasil e o missionário sumiria para sempre. Apenas um irmão seu, Moacir, depois, emocionado, viria aos meios de massa prestar derradeiras homenagens àquele que tanto fizera na missão de propagar a crença através dos instrumentos voadores.

Em nós, os comuns mortais, restaram essas lembranças tardias que ainda vagam soltas nos firmamentos da memória, desses personagens que circulam as ondas magnéticas, nos tocam, e desaparecem quais nunca existissem, tais o tal abnegado sacerdote das alturas. Sumiria já a uma menor distância dos campos celestiais, aonde, decerto, aquietou suavemente os balões da fé que tanto dedicou nas viagens aventureiras. Possível até que hajam sobrado restos nenhum dos esdrúxulos instrumentos que utilizava, mil balões de aniversário. No entanto o amor que dedicou aos fiéis permitiria que largasse, com menores esforços, o ímpeto abençoado da coragem mística nos braços magnânimos do Criador.  

Artes do merecimento - Por: Emerson Monteiro

Coração qual fonte de equilíbrio, pois ele é quem manifesta em nós o fator do sentimento. A dor ensina a gemer, diz o povo. O sentimento decide, quando dói, aonde correr e sarar, e não fazer de novo. Nisso, também, a sede da liberdade, ou livre arbítrio. Quando a cabeça não pensa, o coração que padece. Querer sempre o conforto do nosso interior. A gente escolhe melhor diante dos vendavais. Dá de cara com a realidade, e esta impõe condições às vezes contrárias ao travo forte da vontade. Então, vem o discernimento de evitar escolher aspectos contrários a resultados que desejamos. São as sementes de que fala Jesus; de querer flores e ter de plantar flores. Árvores boas dão bons frutos. Eis a Lei, matriz do equilíbrio universal.

Tudo acontece ali bem no íntimo coração, terra em que ninguém anda além de nós; porta que só abre de dentro. O Poder oferece individualidade, vida e liberdade, no sentido de sermos artífices do crescimento individual intransferível.

Viver significa semear praticados, sendo, no entanto, necessária luz na consciência que habita no centro do sentimento. Nunca fazer aos demais o que não queira a si próprio. Merecer, portanto, qual sinônimo de colher o que germina através do sentimento consciente. Os objetos e as conquistas do Chão servem ao corpo de carne. De que vale ao homem ganhar esta vida e perder a Eternidade (Jesus). As virtudes são esses caminhos que abrem possibilidades de vencer o desaparecimento físico. Desvendar tais mistérios representa superar estágios mortais e usufruir da evolução necessária a sonhos de plena felicidade.

Quanto ao fiel da balança de viver em paz, este nasce do sentimento maior, do Amor, nas palavras e ações, que vem nas iniciativas pessoais cuja sede está na liberdade do Coração das pessoas.