18 outubro 2017

Para você Refletir ! - Por Maria Otilia

Estamos vivendo momentos de incertezas na esfera da política e da democracia do nosso país. A todo instante vimos  e ouvimos notícias estarrecedoras de desmandos  feitos por aqueles que foram eleitos para nos representar nos diversos poderes do nosso país. Infelizmente, uma grande maioria dos nossos políticos não se candidatam  para atender aos interesses da coletividade, mas em benefício próprio.E o mais agravante é que  nestes últimos anos, vimos uma mídia a serviço de uma  pequena burguesia que se vestia de verde e amarelo para protestar. E agora que os desmandos aparecem cada vez mais explícito,  indecentes, onde um judiciário  perde sua autoridade a favor de uma grande parte de deputados e senadores corruptos; a mídia e os que vestiam-se de "verde e amarelo" desaparecem das ruas, ficam emudecidos. Por que será ? que estamos tão ordeiros e obedientes a um grupo de "usurpadores do poder" que só enriquecem ilicitamente os grandes empresários, com  recursos que deveriam se destinar ao uso coletivo da população ? Por que  será que deputados e senadores tratam seus "votos" de apoio a esta ou outra bancada como se fosse moeda de troca ?
O momento é de muita indignação, de falta de esperança, de não crédito a uma democracia de representatividade, mas que na verdade não nos representa. Posto abaixo uma bela fábula, para que façamos uma grande reflexão deste momento em que estamos vivendo.Boa leitura.

Obediência de camelo(Sabedoria nas decisões)

Era uma vez, num reino muito longe como todos os reinos de histórias ilustrativas, um abastado comerciante árabe, que viajava por cidades e desertos acompanhado dos seus escravos, numa caravana que, além de cavalos e outros animais, era também composta de vinte camelos.
Certa noite, quando chegou a hora de amarrar todos os camelos à uma estaca, para que não fugissem durante a noite, os escravos perceberam que faltava um dos animais: só haviam 19. Após o encontrá-lo, após tentarem sem sucesso levá-lo para onde se encontravam os outros camelos, foram perguntar ao patrão como deveriam proceder.
“Ao chegarem ao vigésimo camelo, após amarrar os outros, simulai” – instruiu ele aos escravos – “que estais cravando uma estaca no solo, e depois simule amarrá-lo à esta estaca imaginária”.
E explicou-lhes: “Como o camelo é um animal estúpido, acreditará que está sendo amarrado”.
Efetivamente, assim o fizeram e foram todos dormir. Na manhã seguinte, todos os camelos estavam em seus postos, inclusive o vigésimo, parado junto à estaca imaginária. Quietinho, bem comportado.
Desatados para prosseguirem a viagem, todos os camelos se moveram, menos o último, que continuava parado, como se estivesse ainda amarrado. Ordenou, então, o comerciante: “Simulai que estais tirando a corda da estaca imaginária, pois o imbecil ainda se julga amarrado”.
Assim fizeram os escravos e o camelo, obedientemente, se levantou e prosseguiu a viagem com os companheiros.
Refletindo acerca da história acima, poderíamos propor vários questionamentos; sobre nossa passividade diante de certos acontecimentos, que nos aborrecem mas que, ao mesmo tempo, nos provocam uma alienação total, nos transformando – apesar de nossa indignação – em meros espectadores aborrecidos e contrariados. Ou mesmo meditar sobre as estacas imaginárias que nos amarram. Quais são elas? Vale a pena continuarmos amarrados, ou melhor seria fugirmos durante a noite, enquanto os outros dormem?
Que Deus nos dê a sabedoria desta decisão e, se for o caso, a conseqüente coragem para a aventura.
Autor desconhecido
Figura ilustrativa

Senso de posse - Por: Emerson Monteiro

O apego aos bens do Chão. O desespero dos desejos que flutuam nas asas da ilusão mais à toa. Fome dos obesos insaciáveis, lá de quando jamais alimentará a imaginação avassaladora dos famintos sem pátria. Quanta vontade fora de domínio em momentos inesgotáveis. A ânsia da liberdade endoidecida nas hostes das batalhas perdidas. Fuga do presente, abandono de matas ressequidas e distantes, nas vastidões do coração. Isso de querer o que nem caberia nos olhos, muitos menos na caverna dos buchos abarrotados. Fome, fome de tudo; ganância gananciosa das cólicas desesperadas.

Falar nisso, na ânsia tal dos desesperados do que nem sabem, falar no senso de posse inconsequente. Bicho bruto esse de angariar o pasto das estações, fera que devora a própria carne dentro da carne dos outros irmãos famintos. Angústia na pele de cordeiro. São muitos esses animais sem conta. Vagam soltos nas noites, lobisomens de latas enferrujadas, amantes das instituições públicas. Andam vagando nas encruzilhadas, bocas deixando escorrer a baba e o fel dos infelizes. Eles, que ensinaram a renúncia, a vitória sobre o medo, aos que precisavam crescer, aprender a ser diferentes. Mas esqueceram aonde seguiam e mudaram o rumo da história.

Há permissão da Natureza, porque os demais careciam dos desafios do perdão, que nas carências vem a bonança. Assim, sem querer, dilatam o coração dos humanos. Que não existissem, teriam de inventar e pôr nos olhos das ruas, nos becos e calabouços.

Jesus conta a história de um fazendeiro bem sucedido que construiu grandes armazéns para guardar forte safra dos grãos. E da varada do palácio observava soberbo que teria pela frente largos anos de abundância, que com isto poderia repousar em paz face aos bens acumulados. Bem no alto, entretanto, alguém observa o que ocorreria daí a pouco, e diz: - Pobre mancebo, nunca imaginaria que nessa mesma noite a morte virá buscar a sua alma.

Na inexatidão das matemáticas dos sórdidos, dormirão avisos mil de tantas certezas largadas nos desvarios. Crer nas luzes que clareiam nossas aldeias interiores, eis o pacto das horas da felicidade, pois.