17 outubro 2017

Heróis do meu tempo - Por: Emerson Monteiro

Eles vêm de vez em quando à aldeia da memória e falam, e contam o que fizeram, que marcaram suas presenças naquele mundo de então, idos recentes. Eles são vários. Mostraram diferentes motivações de cumprir o papel histórico que lhes pediam. Chegaram na vida do cotidiano através da mídia, os famosos meios de comunicação de massa, indústrias da informação. Desde diferentes povos, espalharam neste chão exemplos expressivos que só não sabe quem não quer saber.

Por exemplo, Dom Oscar Romero, Óscar Arnulfo Romero Galdámez, conhecido como Dom Romero (Ciudad Barrios, San Miguel, 15 de agosto de 1917 — San Salvador, 24 de março de 1980). Diante das contradições políticas de El Salvador, cumpriu papel corajoso face ao totalitarismo e viu-se executado em pleno altar, quando celebrava missa na Capital do país. Uma lenda de coragem e fé cristã.

Outro, Benigno Aquino. Lembro bem as imagens de televisão quando ele voltava do exílio. Seria entrevistado no voo que o levaria à morte em face de cruel ditadura filipina. Ainda vimos nas imagens quando descia as escadas do avião e seria preso pelas forças militares que defrontava. Nunca mais se saberia notícias suas. Benigno Aquino Junior. Nascimento: 27 de novembro de 1932, Concepcion, Tarlac, Filipinas. Assassinato: 21 de agosto de 1983, Aeroporto Internacional Ninoy Aquino, Filipinas. Cônjuge: Corazón Aquino (de 1954 a 1983). Sua esposa chegaria à Presidência do país e governaria com a aprovação popular.

Outro mais, Salvador Allende. Eleito pelos chilenos em pleito democrático, iniciando no Chile grandes transformações sociais e políticas que provocariam a intolerância das forças totalitárias, vindo a ser executado em pleno Palácio de La Moneda, em Santiago, inclusive por meio de bombardeio aéreo. Daí se seguiria repressão avassaladora de trágicas consequências. Salvador Allende Gossens foi um médico e político marxista chileno. Fundador do Partido Socialista; governou seu país de 1970 a 1973, quando foi deposto por um golpe de estado liderado por seu chefe das Forças Armadas, Augusto Pinochet. Wikipédia

Mais um, Olof Palme, primeiro ministro da Suécia de extrema popularidade e exímio administrador da coisa pública. Vivia espontaneamente junto do povo sueco. Fazia caminhadas noturnas sem escolta ou guarda- costas. Lá um dia seria assassinado à saída de um cinema em Estocolmo. Sven Olof Joachim Palme, político sueco. Membro do Partido Social-Democrata foi primeiro-ministro da Suécia entre 1969 e 1976 e de novo entre 1982 e 1986, ano em que foi assassinado. Wikepédia

Há vários e vários nomes que enchem os dias do passado de grandes valores que demonstraram um tanto da boa qualidade dos humanos ainda em fase de transformação e aprimoramento.

Lembrando o casal Adamir e Geraldo Macedo Lobo (por Armando Lopes Rafael)

Geraldo Macedo Lobo e sua esposa Adamir (ambos falecidos)  com os nove filhos do casal

   Eu tinha dez anos de idade quando minha família fez nova mudança de residência. Fomos morar, naquela oportunidade, na Rua Teodorico Teles – mais conhecida como Rua da Cruz – numa casa alugada a Geraldo Macedo Lobo, popularmente conhecido por Doutor Geraldo.
   Nos primeiros dias, após a mudança, eu e meus irmãos menores fomos descobrindo e explorando a redondeza da nova morada. O quintal da nossa casa fazia fundo com um grande pomar – cheio de laranjeiras, tangerineiras, goiabeiras, coqueiros, dentre outras fruteiras – integrante da residência do Doutor Geraldo. Como o muro era baixo, nele subíamos e ficávamos contemplando as fruteiras enxertadas, uma novidade para a época. “Enxertar” mudas de plantas – vim a saber naquela ocasião – consistia em unir partes de vegetais oriundas de plantas distintas, resultando em uma só planta. E essa enxertia ainda eliminava os espinhos nas laranjeiras e limoeiros, além de proporcionar a produção de frutos em menos tempo do que o cultivo tradicional. O responsável por esses enxertos era Geraldo Macedo Lobo, formado na Escola Agrícola de Barbacena, em Minas Gerais.
   Pelos seus conhecimentos em agronomia, Doutor Geraldo era visto com uma aura de respeitabilidade para nós. Mas, para mim, a descoberta da personalidade de Doutor Geraldo, foi acontecendo aos poucos. Lembro-me bem dele. Míope, usava óculos de lentes grossas, que escondiam seus olhos esverdeados. Todos os dias ele se dirigia, ao Cartório de Registros de Imóveis – onde era tabelião – cujo prédio ficava localizado na Rua Senador Pompeu, a poucos metros da Praça Juarez Távora.
   Geraldo Lobo era um homem metódico, discreto e tratava com lhaneza a todos. Vivia de casa para o trabalho, embora participasse de todos os acontecimentos relacionados ao progresso de Crato. Muito raramente parava – por alguns instantes – na calçada da mercearia de Antonio Teles, lugar das costumeiras conversas dos homens que residiam nos arredores das ruas Raimundo Lobo, Teodorico Teles e André Cartaxo. E quando participava dessa roda, Doutor Geraldo só intervinha com assuntos sérios, destoando dos papos fúteis e fofocas que se constituíam em rotina naqueles encontros.
   Geraldo e sua esposa Adamir tiveram nove filhos, todos saudáveis e bonitos: Lílian, Eliane, Samuel, Paulo de Tarso, Kátia, Sandra, Soraya, Sorelle e Pierre. Formavam uma família feliz. Lembro-me de que as refeições da família eram feitas ao ar livre, embaixo de uma mangueira, numa enorme mesa de marmorite. Recordo-me também de uma empregada da família, uma negra, chamada Lindalva, que fazia parte da família, tamanha era a confiança depositada nela pelos seus patrões.
   O relacionamento de Geraldo Lobo com seus filhos mais parecia uma convivência entre amigos. Bem diferente da mentalidade da época, onde o comum era uma ligação hierarquizada, formal e de pouco afeto entre os membros dos núcleos familiares. A convivência comum era permeada pelos castigos físicos que, vez por outra, os pais infligiam aos filhos, sempre que estes incorressem em travessuras, tão comuns na infância.
   Anos depois, constatei ser verídico o pensamento de Leon Tolstoi: “As famílias felizes parecem-se todas; já as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira”. Sem se dar conta, a família de Geraldo Lobo era uma referência de paz e harmonia para nós.

A que ponto chegou a decadência desta República: Dilma usará delação de Funaro para pedir anulação de impeachment dela – por Armando Lopes Rafael

   Usando uma palavra educada: os petistas são “engraçados”.
   O ex-presidente Lula, disse que as pesadas acusações feitas,  por vários delatores,  contra ele, de que o ex-presidente teria recebido da construtora OAS – dentre outras propinas – um tríplex em Guarujá, no valor de 3,7 milhões de reais, que Lula teria recebido da construtora Odebrecht 12 milhões de reais para comprar um terreno em São Paulo onde se localiza o Instituto Lula, como parte de um acordo para distribuir subornos recebidos pelo PT;  Ou mais ainda: que o ex-presidente teria feito lavagem de dinheiro e tráfico de influência na compra, por parte do Estado brasileiro, de caças suecos Gripen por 5 bilhões de dólares, tudo isso ( e muitas outras acusações, como a da propina do sítio em Atibaia)  não servem como argumento para condená-lo, pois não existem  provas materiais (leia-se: recibos firmados com firma reconhecida). Como se o "laranja" fosse coisa legal.
   Para Lula não vale. Mas para Dilma Rousseff é diferente.  Dois pesos e duas medidas!
   A defesa da ex-presidente Dilma afirmou -- nesta segunda-feira 16 -- que vai apresentar informações referentes à delação do empresário Lúcio Funaro para reforçar um pedido de anulação do impeachment por ela sofrido em 2016.  Funaro afirmou que repassou ao então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), 1 milhão de reais para comprar apoio de deputados favoráveis ao afastamento de Dilma.
    Para a defesa da ex-presidente, o depoimento do empresário revela que seu afastamento foi baseado em "decisões ilegais e imorais" e que o impeachment deve ser anulado. Nem precisa ter prova material (pedida no caso de Lula). Basta a palavra de Funaro. E ponto afina.
   Como a República brasileira encontra-se em fase terminal – devido às crises intestinas que se avoluma a cada dia – o final do Brasil republicano caminha para um final inglorioso. Ninguém se admire se o os advogados de Dilma Rousseff consigam avançar nesse processo.
   Até quando o Brasil aguentará esses políticos que estão a determinar o destino de uma grande nação? Bastaria lembrar que o Brasil é essencial para abastecer (com gêneros alimentícios)  mais de 1 bilhão e 200 milhões de pessoas mundo afora...