14 outubro 2017

Praga de bispo pega? – por Armando Lopes Rafael

Esta semana resolveram fechar a Agência da Receita Federal em Crato. Parece que não temos mais nenhuma liderança, pois não se ouviu um único protesto contra esse desatino.
Consta no imaginário popular da cidade de Sobral, que o maior benfeitor daquela importante urbe cearense – o bispo Dom José Tupinambá da Frota – um dia, amargurado com as ingratidões que sofria dos seus conterrâneos, desabafou: “Em breve morrerei, e Sobral vai passar 40 anos estagnada para dar valor a quem somente trouxe benefícios para esta cidade”. Dom José morreu em 1959, e Sobral ficou estagnada até 1999, quando o sobralense Ciro Gomes foi eleito governador do Ceará e aquela cidade voltou a crescer. Foram 40 anos de quase estagnação.
Olhando para a Nobre e Heráldica Cidade de Crato. Será que fato análogo não aconteceu aqui? O maior benfeitor de Crato, seu 3º bispo, Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, foi um gigante em reivindicar e trazer melhoramentos para a Princesa do Cariri. Também ele recebeu muita ingratidão por parte de uma minoria de “linguarudos”. Era chamado de “Dom Ratão”, uma injustiça que bradava aos céus!
Com fama de ladrão, Dom Vicente morreu paupérrimo, em 1998, quando há seis anos, vivendo de um mísero salário do INSS. Quem sabe não estejamos nós pagando (todos os que aqui moramos) da injustiça cometida por essa minoria desalmada contra Dom Vicente, um Sucessor dos Apóstolos, um homem bom, mas profundamente caluniado...
Na dúvida, já passou do tempo para os homens e as mulheres de bem desta cidade exigir uma reparação pública à memória do 3º bispo de Crato! Sabia que não existe sequer uma ruela, ou até mesmo até um beco como o nome de Dom Vicente Matos, na cidade onde ele continua sendo o maior benfeitor? Ah! cidadezinha ingrata.
Esta semana veio ordem de Brasília para fechar a Agência da Receita Federal em Crato. O Diário Oficial já publicou o fechamento. Mas, parece que já não temos mais nenhuma liderança, pois não se ouviu um único protesto contra esse desatino.
No próximo ano completará 20 anos da morte desse bom servo de Deus, que foi Dom Vicente Matos. Tomara que seja o último ano de castigo pelas calúnias e maldades assacadas contra um Sucessor dos Apóstolos nesta Cidade de Frei Carlos...
Praza aos céus! Crato já não aguenta mais tantos fechamentos e tantas transferência de nossas instituições para outros lugares. 

Rede Século 21 transmitirá a Missa de canonização dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu,neste domingo a partir das 4h. da manhã (5h. no horário de verão)


Celebração dos 30 novos santos brasileiros será presidida pelo Papa Francisco
Mártires de Cunhaú e Uruaçu

No domingo, dia 15 de outubro, às 5h., horário de verão (4h.no Nordeste), a Rede Século 21 irá transmitir a Santa Missa de canonização dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu (localidades do município de São Gonçalo do Amarante), que acontecerá na Praça de São Pedro, no Vaticano.
Nessa cerimônia, o Papa Francisco canonizará (declarar santo) os padres, André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e 27 companheiros leigos. Eles serão os primeiros santos mártires do Brasil. A canonização deverá reunir milhares de fiéis no local.
Os padres, André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e os 27 companheiros leigos foram mortos em São Gonçalo do Amarante, Rio Grande do Norte, em 16 de julho (no Engenho Cunhaú) em 3 de outubro de 1645 (em Uruaçu) em perseguições anticatólicas por tropas holandesas e índios potiguares, quando estavam participando de uma missa dominical.

Como foi o massacre dos primeiros santos brasileiros
Os mártires foram vítimas de dois assassinatos em massa cometidos em 1645, durante as invasões holandesas. O primeiro massacre aconteceu no dia 16 de julho daquele ano, durante uma missa dominical numa capela no Engenho de Cunhaú, no atual município de Canguaretama. Segundo relatos históricos, após o padre André de Soveral dar início à cerimônia, Jacob Rabbi, um alemão a serviço da Companhia das Índias Ocidentais Holandesas, trancou as portas da igreja e, com uma tropa de índios Tapuias e soldados, ordenou a matança de todos os fiéis.

O segundo massacre aconteceu três meses depois, no dia 3 de outubro, em Uruaçu, hoje parte do município de São Gonçalo do Amarante. Com as notícias sobre o ocorrido em Cunhaú, alguns católicos buscaram refúgio numa fortificação construída no pequeno povoado de Potengi, mas foram atacados pelas tropas de Rabbi. Eles resistiram, mas acabaram se rendendo e foram massacrados às margens do rio Uruaçu. Entre os mortos estavam o padre Ambrósio Francisco Ferro e o camponês Mateus Moreira.

De acordo com os relatos históricos, os invasores holandeses ofereceram aos fiéis católicos a opção de conversão ao calvinismo, mas eles escolheram o martírio. Foram dezenas de mortos nos dois episódios, mas apenas 30 tiveram o processo de beatificação aberto em maio de 1988. No dia 5 de março de 2000, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o então Papa João Paulo II beatificou os 28 leigos e dois sacerdotes.

— Naquele imenso país, não foram poucas as dificuldade de implantação do Evangelho — disse o Pontífice, na ocasião. — André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro e 28 companheiros leigos pertencem a esta geração de mártires que regou o solo pátrio, tornando-o fértil para a geração de novos cristãos. Um deles, Mateus Moreira, estando ainda vivo, teve arrancado o coração pelas costas, mas ele ainda teve forças para proclamar a sua fé na Eucaristia dizendo: Louvado seja o Santíssimo Sacramento.
A canonização foi anunciada no dia 23 de março deste ano, em audiência do Papa Francisco com o Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação da Causas dos Santos. O Santo Padre aprovou os votos favoráveis da Sessão Ordinária dos Cardeais e Bispos Membros da Congregação.

Brasil passa a ter 33 santos canonizados
São eles:Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus (nascida na Itália) Santo Antônio de Sant'Ana Galvão (nascido no Brasil) São José de Anchieta, SJ (nascido na Espanha) e os novos santos canonizados neste domingo: Santos André de Soreval, Ambrósio Francisco Ferro e seus 28 companheiros de martírio, assassinados pelos calvinistas holandes em Cunhaú e Uruaçu, no vizinho Estado do Rio Grande do Norte. 
Monumento aos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, em São Gonçalo do Amarante - REPRODUÇÃO/GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

As definições - Por: Emerson Monteiro

Quantas atitudes no dizer sem voz. Querer explicar o inexplicável diante de tudo, naqueles momentos cruciais de existir, de buscar justiça nas palavras, o que nelas não cabe. Florestas de respostas prontas virou este mundo. O desejo incontido das justificações, nos conceitos de errado ou certo. Tapar o sol com peneira de folhas e cipós, de dominar o indominável. Palavras. Palavras. Palavras.

Esse instinto dos humanos em controlar o tempo de respiração nas falas, acalmar o desespero em discursos ou coisas físicas, eis o ato de plantar raízes mortas no fluir das horas que sumiram há pouco. Ah, qual quisessem evitar o inevitável, de sumir pelos buracos negros dos depois. Gigantes seres os bípedes sem penas. Dormem presos a si mesmos e acordam aflitos da angústia da má companhia que assim representam.

Mas, nas definições, amortecem a própria morte, e nisso adquirem bagagens que as largam à porta do cinema da Eternidade. Só de memórias vivem tais espécimes dos guerreiros esquisitos. Sobrevivem à custa do que juntam no decorrer das vaidades. Transpiram nas competições consigo mesmo, ao impulso das dores que anestesiam na indiferença para com os demais.

Presos a cabaças que deslizam secas nos rios da memória, sustêm os fiapos de inutilidade no prazer que foge. Definem. Escrevem. Postulam nos tribunais. Marcam encontros secretos. Preenchem as agendas do inútil no troco do nada. Enganam e se enganam. Contudo definem, deixam seus registros nas pedras, marcos nos fins dos caminhos e lápides de frases emocionadas, quando partem.

Ingênuos componentes dos átomos que se decompõem ao vento da sorte. Pequeninos animálculos desconfiados e esbeltos. Aves presas aos chãos da dúvida até da existência e do Eterno. Primatas inveterados da única solidão a dois que jamais deixará o palco com respostas definitivas, que pedem algo além das definições vagas com que encheram o Velho Mundo. Somos, pois, a pergunta e a resposta. No entanto. Diga. Mostre. Exista.

(Ilustração: O alquimista, de Pieter Brueghel, o Jovem).