13 outubro 2017

Magister – Professor: Parabéns! – por José Luís Lira (*)

   Outubro chegou devagarinho. Este mês de datas tão especiais, Santa Teresinha, São Francisco, Nossa Senhora Aparecida, Santa Teresa e o Professor são comemoradas. Como exerço o ofício de professor num curso de Direito, no silêncio ou na inquietude de uma sala de aula, nós, professores, contemplamos esses “meninos e meninas”. A idade pouco importa (parecemos um pouco com os pais que não enxergam idade biológica) e pensamos: o que eles serão no futuro? Futuro muito breve. Com quantos alunos me deparei e me deparo, nos mais dignificantes postos que a advocacia proporciona? São magistrados, promotores, delegados, procuradores, presidentes de entidades e, demonstrando que vale a pena o magistério, professores brilhantes.

   Pelo comportamento deles muitas vezes se pensa num grande criminalista ou num advogado voltado para os assuntos sociais, filosóficos ou culturais. E, vez por outra, volto à cena inicial do filme magnífico “Sociedade dos Poetas Mortos”, quando o Prof. John Keating leva seus alunos à galeria dos ex-alunos da Academia Welton (ano 1959), nos Estados Unidos. Lembrava o Mestre de que aqueles jovens com trajes de época tinham tantos anseios iguais aos alunos que os contemplavam naquele momento. Eram cheios de energia e de sonhos e, com o passar do tempo, se tornaram pó – húmus de arvores, incentivando-os a viver cada dia intensamente como se fosse o último: “Carpe diem”.

   Do mesmo fico pensando quando em disciplina introdutória os levamos a conhecer o Campus da Betânia, da Universidade Estadual Vale do Acaraú, em Sobral. Percorremos o bloco do Direito, com tantas placas espalhadas por ali e vez por outra lembramos que um ou outro já não se encontra entre nós. É a realidade do viver. Contemplamos o busto do Patrono do nosso Curso, o jurista Clóvis Bevilaqua, maior civilista brasileiro; passamos pela reitoria, pelo salão dos conselhos superiores, pela praça dos fundadores, capela, biblioteca, enfim... chegamos à galeria do ex-aluno, um corredor silencioso, cheio de placas da Faculdade de Filosofia Dom José, da UVA em sua fundação, com nomes ou fotos de alunos que por ali passaram... Particularmente lembro-me do ex-aluno do velho seminário que ali funcionou e um dia voltou reitor da Universidade e que por ali fez seu último trajeto na UVA, levado à Capela para sua Missa de Exéquias. E, naquele silêncio, lembramos-lhes que um dia seus nomes poderão estar ali e serão ilustração de uma placa; que o futuro se avizinha e o presente é a semente dele, por isso têm-se que viver bem esse período.

    No Brasil, celebramos o Dia do Professor em 15 de outubro, rememorando nosso primeiro Imperador D. Pedro I que, em 15/10/1827, assinou decreto que criou o Ensino Elementar no Brasil, com a criação das escolas de primeiras letras em todos os vilarejos e cidades.

    Nunca me afastei da ideia de que o magistério é uma das mais nobres missões que se têm. Todas as outras profissões dependem do professor e a cada vez que entramos em sala de aula, compreendidos ou não, fazemos nossa parte, rompendo barreiras de mecanicismos que às vezes se apresentam ao ensino. Inovar, discutir, numa relação professor/aluno inspirada na vivência democrática e interativa.    
    Que Deus nos ajude nesta tarefa tão bela e instigante!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acarau–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade Federal de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com vários livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.