08 outubro 2017

Padre Azarias Sobreira e a Diocese de Crato -- por Armando Lopes Rafael

       Mais de cem anos já se passaram da ordenação presbiteral do Padre Azarias Sobreira Lobo, numa solenidade que teve como palco a antiga igreja-matriz da cidade de Crato. Fazia pouco mais de um ano que o acanhado templo cratense, daquela época, tinha sido elevado à categoria de catedral de uma diocese recém-criada, e que foi oficialmente implantada no dia 1º de janeiro de 1916.
     É admirável, sobre todos os aspectos, a fidelidade de que era dotada a personalidade do Pe. Azarias. Fidelidade a toda prova. Tanto em relação ao primeiro pastor diocesano de Crato, ou seja, a Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, como também uma fidelidade exemplar à figura do seu padrinho de batismo, Padre Cícero Romão Batista.
          Padre Azarias não se limitou apenas a contornar ou acalmar situações de desentendimentos, diria “desentendimentos involuntários”, entre aquelas duas personalidades – Dom Quintino e Padre Cícero – por sinal as mais importantes personalidades do vale do Cariri no primeiro quartel do século XX. Em algumas desinteligências havidas entre o Bispo e o Padre do Juazeiro, lemos na historiografia que Pe. Azarias usou de franqueza respeitosa para com ambos, pois  a ambos estimava sinceramente. E, se algumas vezes, nesses equívocos, agiu como árbitro, fê-lo externando o máximo respeito repondo a serenidade entre as partes litigantes.
     Padre Azarias prestou bons serviços à Diocese de Crato, como Secretário do Bispado. Hoje, com a utilização das tecnologias da informática e graças à rapidez dos meios de comunicação, as tarefas do Secretário e Chanceler ficaram mais fáceis de serem feitas. No tempo do Pe. Azarias, no exercício desses ofícios, tudo era feito manualmente, com anotações levadas a cabo pelos velhos bicos de pena, mergulhados no tinteiro e enxutos com o “mata-borrão”. Creio que todos têm ideia do que era o “mata-borrão”.
       Ademais, competia ao Secretário do Bispado cuidar da agenda do prelado, escrever (sempre a caneta-tinta) todos os atos da Cúria destinados a ter efeito jurídico, e para isso exigia-se, ainda, a assinatura do bispo e do secretário. Cabia ao secretário organizar os arquivos da Cúria, produzir a maior parte dos documentos oficiais, provisões e nomeações, decretos, portarias, atas das reuniões do conselho consultivo e do colégio de consultores, transcrever em diversos livros todos esses atos, para que ficassem preservados Ad Perpetuam Rei Memória.
       E nas horas em que não estava no birô da Secretaria, Pe. Azarias subia a pé a Ladeira do Tamanqueiro, em direção ao Seminário São José, para ministrar aulas aos seminaristas, em diversas disciplinas que lhe eram atribuídas.