28 setembro 2017

Cientistas ‘confirmam’ lenda de 700 anos sobre São Francisco de Assis

Fonte: "O GLOBO", 27/09/2017 
 Convento_di_San_Francesco_a_Folloni_portale_Montella, onde o antigo tecido é mantido como relíquia - WIKIPEDIA

ROMA — Uma antiga lenda conta que um saco de pães foi colocado na porta do mosteiro de Folloni, perto da comuna italiana de Montella, no rigoroso inverno de 1224. O alimento providencial, dizem os religiosos, teria sido enviado por São Francisco de Assis, que fundara o convento dois anos antes, mas por meio de um anjo, já que o religioso estava na França na ocasião. Desde então, o saco foi guardado e seus fragmentos restantes são mantidos como relíquia. Agora, uma equipe internacional de cientistas confirma que o mito pode, em parte, ser verdadeiro.
Pesquisadores dinamarqueses, italianos e holandeses, liderados por Kaare Lund Rasmussen, da Universidade do Sul da Dinamarca, tiveram acesso a um fragmento do tecido sagrado e realizaram alguns testes. A datação por radiocarbono indica que o material têxtil foi produzido entre 1220 e 1295, o que bate com o relato dos religiosos.
No estudo publicado semana passada no periódico “Radiocarbon”, os cientistas também descobriram que provavelmente o saco esteve em contato com pão. Foram encontrados traços de ergosterol, um esterol comum aos fungos, usado como biomarcador para cerveja, panificação ou agricultura.
— No começo estava cética, porque compostos orgânicos como este se degradam com a passagem do tempo pela ação bacteriana — disse Ilaria Degano, da Universidade de Pisa, em entrevista à agência ANSA.
Não foi possível determinar quando, mas certamente antes de 1732, quando o tecido foi guardado para preservação. É possível que o pão tenha entrado em contato com o tecido ao longo dos primeiros três séculos após o milagre, quando era usado como um manto no altar, ou, especulou Rasmussen, numa noite fria do inverno de 1224, como diz a tradição franciscana.
De acordo com a lenda, após aparecer milagrosamente na porta do mosteiro, o saco foi usado como pano para o altar durante séculos, e neste período pedaços foram cortados e dados para outras instituições religiosas na Itália. Após um terremoto em 1732, um novo mosteiro foi construído e os fragmentos restantes do saco foram guardados. Em 1807, eles foram movidos para a igreja de Santa Maria Del Piano, e só retornaram completamente ao mosteiro em 1999.
É claro que os cientistas não analisaram o modo como o saco de pão foi parar na porta de entrada do mosteiro.
-- Isso talvez seja mais uma questão de crença que de religião — disse Rasmussen.

Academia Groairense de Letras - por José Luís Lira (*)

Goaíras, cidade do norte do Ceará

É voz comum que a ideia de Academia vem muito ligada ao conhecimento, à sabedoria. Varia a terminologia em relação à instituição literária ou instituição de ensino superior. Inicialmente se liga à lembrança da escola grega de ensino fundada por Platão, na cidade de Atenas em 387 a.C., chamada Academia, em homenagem ao herói grego Academus, que lutou na guerra de Tróia. Atualmente, se filia à Academia Francesa, fundada pelo Cardeal Richelieu, ministro do Rei Luís XIII, em 1635, reunindo 40 intelectuais que ocuparam uma cadeira, escolhendo cada qual, seu patrono, com a função de zelar pelo respeito da língua francesa.
No Brasil, o Ceará partiu à frente, uma vez que a Academia Cearense de Letras foi criada em 15/8/1894, enquanto que a Academia Brasileira de Letras só seria instalada a 10/7/1897. Consta que o cearense Antonio Sales, jornalista, deputado, secretário de estado e que, por muitos anos, trabalhou no Tesouro Nacional, no Rio de Janeiro, teria sugerido a intelectuais cariocas a criação da Academia Brasileira. A partir de então, Lúcio Mendonça, Machado de Assis, entre outros decidiram pela fundação da Instituição. Sales teria rejeitado uma Cadeira na ABL. De retorno ao Ceará, ingressou na Academia Cearense de Letras, em 1922, da qual foi presidente de 1930 a 1937 e presidente de honra de 1937 a 1940.
Essas ideias me vêm à mente quando meu nobre confrade Dr. Gilberto Feijão me telefonou para convidar-me para a instalação da Academia Groairense de Letras (AGL), fruto de reunião entre os groairenses Domingos Pascoal de Melo, Raimundo Nonato Ximenes (Dr. Ximenes, um dos fundadores e guardião da memória do bairro Montese, em Fortaleza, com 94 anos) e Dr. Gilberto Alves Feijão, baluarte da advocacia sobralense. A presidência da nova Academia coube à professora Edna Maria Mendes Rodrigues e a presidência de honra ao Dr. Gilberto Feijão, escolhas muito merecidas. Além dos mencionados perfilam entre os ocupantes-fundadores de cadeira Domitila Feijão, Ana Célia Oliveira, Augusto M. Melo e outros nomes ligados ao jornalismo, à literatura, à advocacia, à cultura, enfim, a tudo o que traduz a história de Groaíras que dá um belo exemplo às outras cidades interioranas do Ceará. Parabéns aos acadêmicos e à cidade.
A Academia será instalada no dia de São Francisco, 4 de outubro, quando estarei em Buenos Aires, por conta de assuntos relacionados ao meu doutorado. Não comparecerei e, sem méritos meus, fui convidado para ocupar uma cadeira de Acadêmico Honorário, do que agradeço, muito honrado. Falo cadeira porque na AGL, os honorários têm patronos. Estarei ladeado pelos amigos José Inácio Linhares e Rafael Ponte; e para patrono, escolhi o Mons. Luís Ximenes de Aragão Freire, o Padre Ximenes. Nascido em Camocim, Mons. Ximenes foi pároco de Santa Quitéria por largos anos. Seu pai foi maquinista. Ximenes, além de grande sacerdote, era poeta sensível, autor de valiosa obra. Foi correspondente da Academia Sobralense de Estudos e Letras. Amante de trens, tinha alma “ferroviária” que nem os mineiros e dizia que se “fosse mesmo um trem (ah, quem me dera!)/ eu seria esse trem que não passou”. No dia 4/10, o “... maquinista do trem que vai de Santa Quitéria a eterna Jerusalém”, celebra 23 anos de eternidade e se torna meu patrono!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acarau–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade Federal de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com váários livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.