14 setembro 2017

Pavimentação da nova estrada Juazeiro do Norte--Missão Velha avança


As obras de pavimentação da rodovia CE-292 têm animado os moradores da região do Cariri. Parte do Ceará de Ponta a Ponta, os trabalhos no trecho chegam a 30% de execução. De acordo com o diretor de engenharia rodoviária do Departamento Estadual de Rodovias (DER), Quirino Ponte, o trecho executado corresponde a 11,5 quilômetros, ligando os dois municípios.
A melhoria viária vai facilitar o escoamento da produção, reduzindo o tempo e o custo de transporte, além de proporcionar uma aproximação entre os municípios de Missão Velha – Juazeiro do Norte, ampliando a oferta de serviços à população. O investimento de aproximadamente R$ 8 milhões, do Tesouro do Estado e do Banco Interamericano de Desenvolvimento, é referente aos serviços de pavimentação, revestimento asfáltico, drenagem, obras d'arte correntes e especiais, sinalizações horizontal e vertical, além de proteção ambiental.

Postagem original: http://www.ceara.gov.br


Em Niterói, numa igrejinha construída pelo Padre Anchieta – por Armando Lopes Rafael


   Entre as praias de São Francisco e Charitas, na bela cidade de Niterói, ergue-se uma pequena igreja – dedicada a São Francisco Xavier – construída originalmente pelo hoje Santo da Igreja Católica, Padre José de Anchieta– o Apóstolo do Brasil.
Igreja de São Francisco Xavier, localizada em Niterói (RJ)

     Trata-se de uma construção singela, erguida inicialmente em 1572, à beira mar, por São José de Anchieta, contando com a ajuda de outros padres jesuítas e dos índios aliados ao cacique Arariboia. Bom lembrar de que Arariboia, falecido em 1589, era o cacique da tribo dos Temiminós –grupo indígena Tupi – aliado dos portugueses na expulsão dos corsários franceses (estes aliados dos ferozes índios tamoios), que dominavam a baía da Guanabara. Vitoriosos os portugueses, estes deram como recompensa a Arariboia a região na entrada da baía, a qual – por sua vez - deu origem à bela cidade de Niterói, da qual Arariboia é considerado o fundador.
Monumento de bronze à Arariboia, na entrada de Niterói. Ele é considerado o fundador desta cidade.

       Voltemos à igrejinha de São Francisco Xavier. A capelinha original ficou arruinada por volta de 1660. Mas entre os anos de 1662 e 1696, os padres jesuítas construíram a atual igreja que se encontra bem conservada e fica em frente à baía da Guanabara, num local paradisíaco e de rara beleza.
         Estive visitando essa igreja no último dia 7 de setembro. Abaixo reproduzo algumas fotos feitas naquela ocasião.
Vista da baía da Guanabara, em frente à igrejinha de São Francisco Xavier, em Niterói

Quem foi São José de Anchieta
   Padre José de Anchieta nasceu nas ilhas Canárias (Espanha) em 1534. Ali viveu até os 14 anos quando seus pais o enviaram para estudar em Lisboa, capital de Portugal. Aos 17 anos entrou no seminário da Companhia de Jesus (Jesuítas) em Coimbra. Aos 19 anos, ainda estudante, foi enviado para ajudar a catequização dos índios no Brasil.E daqui nunca mais saiu.

     Chegou ao Brasil em 1553 e permaneceu por mais de quarenta anos. Em 1554 vamos encontrá-lo construindo o Colégio de São Paulo de Piratininga, origem da atual cidade de São Paulo, da qual é considerado fundador, juntamente com o Pe. Manoel da Nóbrega.
       José de Anchieta foi grande defensor dos índios. Foi ele quem escreveu a primeira gramática com princípios e regras – na língua dos selvícolas – para ensinar os indígenas a ler e escrever. Também compôs um catecismo no dialeto tupi.
       No Brasil, o Padre José de Anchieta viveu em São Vicente, Rio de Janeiro, Niterói, Pernambuco, Bahia e Espírito Santo. Deve-se a ele a pacificação dos índios Tamoios, de que foi refém por longos meses. Já com fama de santo, atribuía-se ao Padre Anchieta o dom sobrenatural da cura, autoridade para acalmar animais ferozes, e uma série de milagres que os livros hoje registram. Faleceu em 9 de junho de 1597, sendo sepultado na localidade de Reritiba, hoje cidade de Anchieta, no Estado do Espírito Santo.
      Foi beatificado pelo Papa São João Paulo II em 1980 e canonizado pelo Papa Francisco, em 2014.
A fundação da cidade de São Paulo, em 1554, cujos fundadores são os jesuítas  Padres Manoel da Nóbrega e São José de Anchieta.


Historias alheias II - Por: Emerson Monteiro

Isso de gostar de contar histórias vem de longe, desde meu tempo de criança maior. Dentre os primeiros autores que li, incentivado pela minha mãe e por Tia Risalva, irmã do meu pai, aprecio as lendas orientais. Recentemente, em visita a Seu Chico, amigo livreiro que mora aqui próximo, em Juazeiro do Norte, eu adquiri Lendas do Povo de Deus, da autoria de Malba Tahan, daqueles autores lá dos inícios do meu gosto pela literatura. Uma surpresa de qualidade a cada página. São narrativas surpreendentes dos místicos judeus do hassidismo, vertente dos rabinos israelitas. Na obra, li a história Meia fatia de pão, que aqui quero partilhar.

Rabi Haniná educava seus discípulos ensinando a descrença nos feiticeiros e adivinhos. Lá certo dia, dois desses discípulos precisaram adentrar a floresta na busca de lenha. Antes, porém, depararam com astrólogo que os solicitou a ouvir previsões lidas nos seus estudos. Foi, então, avisando que desistissem do intento a que se propunham, pois não iriam sair vivos da tarefa. Os discípulos, ouvindo aquilo, preparados pelo mestre, desconsideraram a instrução do vidente e sumiram mata adentro.

Lá frente, deram de cara com pobre ancião faminto, que lhes pediu uma esmola.

Os discípulos levavam tão só o suficiente ao passar do dia. Inda assim, partiram ao meio o pão do mantimento, e prosseguiram na missão.

Mais tarde, feixe de lenha às costas, ao sair da floresta avistaram o astrólogo, que se abismou ao reconhecê-los vivos. Pessoas que observaram as previsões, contudo, questionaram a seriedade do homem no que ele antes dissera.

Naquele instante, o astrólogo pediu aos discípulos que desfizesse o feixe de lenha que traziam. No meio das madeiras ali achou restos de serpente perigosa, morta, partida ao meio. Nessa hora, quis saber o aconteceu no decorrer da viagem.

E eles contaram do velho e o que deram a fim de que saciasse a fome.

O astrólogo, contrafeito, reclamou: - O que posso fazer, se o Deus de vocês deixa se influenciar apenas por meia fatia de pão?!...

Paisagens escondidas na alma - Por: Emerson Monteiro


Nalgumas horas, ao ver, na distância, o desenho das nuvens, árvores e cores espalhadas no firmamento, chegam de novo saudades tão antigas das quais nem lembrava que soubesse. Elas nascem outra vez, lá de dentro das fibras da gente. Falam daqueles sonhos de inocência dos instantes antigos, camadas adormecidas que revelam o sabor da felicidade de quando imaginávamos ser ali perto o pouso da esperança e que a leveza entre os seres pudesse tocar. Mostram quanto mudou o panorama dos dias, nos passos dos caminhos. A família, antes porto seguro, os pais, os irmãos, todos dispersos nas soleiras deste chão do Infinito. Marcas, no entanto, ficaram grudadas nas grutas das lembranças, que regressam pelas impressões das tardes silenciosas, vistas de olhos macerados nas tantas visões do inesquecido.

Isso dos seres que nós somos, a deslizar nas pautas das cantigas, melodias do tempo, em forma de gente, quadros incontáveis de verdades eternas ainda por concluir. Junto delas, essas impressões que desvelam da visão comum seus personagens, as falas, os lugares. Cantos de pássaros, expectativas e sonhos. Brinquedos da criança traquina, filha dos deuses, que somos, peças e joguetes de ondas e ventos, parceiros do destino intrépido de naus e estrelas do horizonte longínquo.

Na fresta dessas ocasiões tão inevitáveis, ressurgem olhares das certezas do quanto é bom viver, construir e reconstituir os filmes da consciência através de formas e luzes, atores audazes do desconhecido. Às vezes que nos vêm à ponta dos dedos, destarte, inúmeras oportunidades se nos oferece o barro da existência e resta construir dessas horas os elementos de cura. Somos, por isso, os artífices das estações seguintes, sinfonia de possibilidades, nos planos do para sempre. Acalmo, pois, as moléculas do sentimento e busco aqueles amores jogados fora; faço do clima as horas em novas circunstâncias bem mais visíveis, conscientes e libertárias.




O Museu Histórico Nacional – por Armando Lopes Rafael

Estando lá, foi inevitável relembrar que a Prefeitura de Crato fechou – há cerca de seis anos – os dois únicos museus públicos desta cidade, autointitulada eufemisticamente por seus antigos habitantes como a “Capital da Cultura”.   Muitos ainda não perceberam que esse tempo passou.

   Existem na cidade do Rio de Janeiro 62 excelentes museus, afora muitos centros culturais e centenas de memoriais. Também no Rio de Janeiro está instalado o mais importante museu de história do Brasil, funcionando na antiga Fortaleza de Santiago, esta construída pelos colonizadores portugueses em 1603, e localizada no atual centro histórico da capital fluminense. Em 1922, por ocasião do centenário da independência do Brasil, o então presidente da República Epitácio Pessoa decidiu criar o Museu Histórico Nacional, alocando-o na antiga Fortaleza de Santiago.

     Conheci o Museu Histórico Nacional no último dia 6 de setembro. São 9.000m² de área aberta ao público, com peças e objetos os mais diversos, todos relacionados à história do Brasil. Na minha visita detive-me mais na seção de telas pintadas (algumas de renomados pintores), acervo que impressiona a qualquer pessoa. O Museu Histórico Nacional possui, ainda, o conhecido Arquivo Histórico, disponibilizando documentos manuscritos e iconográficos, além de grande biblioteca, especializada em História do Brasil, sendo dotado de pátios internos, loja e um bistrô-restaurante.
          Abaixo algumas fotos feitas durante minha visita.
Fachada do Museu Histórico Nacional
Um dos tronos usados por Dom Pedro II. Este para a abertura anual do Poder Judiciário
Óleo sobre tela. O magnânimo Imperador Dom Pedro II
Setor de carruagens antigas

Finalizo este comentário com o pensamento abaixo:
"O sistema político que todos fomos ensinados a venerar desde cedo — seja pelas escolas cujos currículos são controlados pelo governo, seja pela mídia serviçal ao estado — é a república.O que quero argumentar aqui é que a antiga forma de governo, a monarquia, não só era muito mais limitada, como também era mais pacífica, menos totalitária e mais propensa ao desenvolvimento de um país do que a república". (Hans-Hermann Hoppe, escritor e pensador austríaco)