xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 22/07/2017 | Blog do Crato
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22 julho 2017

Uma esperança mais próxima - Por: Emerson Monteiro

Diante do tanto que acontece neste velho mundo dagora, qual houvessem os seres humanos simplesmente esgotado as possibilidades coletivas e quisessem pensar em si para consigo, do ego mais adentro, quem for podre que se quebre, por que chorar ainda outro tanto, invés de erguer a cabeça e elevar as vistas no horizonte, e saber do Bem maior que a tudo rege? Significa, sim, vontade soberana, desejo de alternativas sábias. Rever os padrões da sorte cega e refazer a assinatura da esperança. Baixar a bola do desespero agressivo e cuidar de bom gosto das novas chances que sempre indicam a Natureza mãe?!

Que esgotar, esgotaram as chances, isso confessam há tempo os índices e as pitonisas. Porém perder por perder fica feio a quem desejou singrar os mares e viajar céus infinitos. Controlou os ares, acalmou os mares, desvendou as dúvidas matemáticas, sem, no entanto, conter o touro bravio da dor entre os tais seres vivos. Humildade, resta, pois, aceitar ser humildes. Olhar de lado e ver o quanto de semelhantes palmilham o mesmo chão. Abrir as portas do coração e partilhar tesouros, as notícias do mistério e o desejo maior de felicidade equitativa. Querer, enfim, pacificar a fera acuada, que vaga solta nos escuros glaciais, e aceitar de om grado uma paz duradoura. Nutrir bichos menos indomáveis e sonhar novidades que promovam os bens de salvação desse trem das amarguras em que tornaram a vida dos muitos trabalhadores. Justiça, solidariedade e confiança, formas ideais de convivência, revelações da política verdadeira de filósofos e profetas geniais.

Enquanto isto, vem o sol das almas com seu brilho de coração em festa. Inova o prisma de cores incontáveis, nos fenômenos inclusive de dentro do próprio corpo que nos conduz, máquina livre e perfeição absoluta. Admitir a esperança qual gênero de primeira necessidade. E permitir sinceridade em todo sorriso que preencha de luz os dias da eterna Humanidade.

(Ilustração: Cristo na tempestade no Mar da Galileia, de Rembrandt).

A relação de Dom Luís Antônio dos Santos com Crato -- por Armando Lopes Rafael (1ª parte)

A revista "A Província", edição de julho/2017, publicou um artigo de minha autoria com o título acima. Republico-o aqui no Blog do Crato, dividindo-o em postagens pelos próximos dias.
 Armando Lopes Rafael

    
         Em 29 de setembro de 1861, Dom Luís Antônio dos Santos (foto acima) fez sua entrada solene no Ceará, a fim de tomar posse na nova diocese para a qual fora nomeado.  E já no dia 3 de dezembro do mesmo ano, fez ele seu primeiro contato com a população cratense. Dom Luís enviou uma carta aos fiéis da Freguesia do Crato, solicitando ajuda para a construção de um Seminário Católico em Fortaleza, sede da diocese. Na correspondência constava este parágrafo: “Nós, amados filhos, com as vistas em Deus e nutrindo a mais bem fundada esperança de sermos atendidos, recorremos a vossa caridade e vos pedimos, em nome da Igreja Católica, nossa boa Mãe, e em nome da pobre e ainda nova Igreja Cearense, uma esmola. É um Bispo pobre que vos pede uma esmola, não para engrandecer e aformosear sua casa, mas para vós mesmos, para vossos filhos e vindouros que, bendizendo a vossa memória, se utilizarão do edifício que queremos legar à Diocese da Fortaleza”.

         A carta foi dirigida ao Pároco de Crato, Pe. Manoel Joaquim Aires do Nascimento. Este nomeou uma comissão, composta por seis notáveis da cidade (o Pároco era um deles), para angariar as doações pedidas pelo bispo. A população cratense não decepcionou Dom Luís Antônio. Irineu Pinheiro, no seu livro “O Cariri”, arremata: “Depois de pouco mais de uma década, recompensou regiamente Dom Luís as populações do Cariri, que o ajudaram a edificar o Seminário de Fortaleza, dando-lhes de presente o Seminário São José de Crato”. Instituição que ainda hoje está em atividade, formando o clero de cinco dioceses de três Estados nordestinos.

As três viagens que Dom Luís fez a Crato
    Eram precárias as comunicações na Província do Ceará, na segunda metade do século XIX. Cento e dez léguas (cerca de 660 km) separavam Fortaleza, a capital da Província, localizada às margens do Oceano Atlântico, da cidade de Crato, esta situada nas faldas da Chapada do Araripe, já na fronteira com Pernambuco. Chegavam a durar cerca de trinta dias uma viagem entre essas duas cidades, naquele tempo. Esses deslocamentos eram feitos utilizando-se as precárias estradas vicinais constituídas, na maioria das vezes, de simples veredas.
    Para as viagens, naquela recuada época, utilizavam-se animais. Nos primeiros meses do ano, temporada das chuvas – devido aos lamaçais e aos riachos a serem transpostos – aqueles deslocamentos poderiam demorar ainda mais. Não raro, alguns trechos das veredas ficavam, dias, intransitáveis. Também nos meses da estiagem os obstáculos eram grandes! O sol escaldante, o forte calor e as estradas poeirentas constituíam um cenário monótono, durante os longos e cansativos dias das viagens, em meio à paisagem cinzenta da vegetação seca da caatinga.
     O primeiro bispo do Ceará, Dom Luís Antônio dos Santos, durante o tempo em que morou neste Estado (entre 1861 a 1881), enfrentou essas dificuldades, vindo três vezes a Crato. A sua primeira visita ocorreu de 8 a 16 de outubro de 1863. Nos oito dias em que permaneceu em Crato, crismou durante seis dias. Na manhã da chegada, presidiu a um Te Deum na acanhada igreja-matriz de Nossa Senhora da Penha, cuja torre do lado Sul fora, há pouco, concluída e até dispunha de um relógio. Não existia, portanto, a segunda torre daquele templo, a do lado Norte. Esta só seria erguida quarenta e sete anos mais tarde.  Na primeira vinda a Crato, Dom Luís celebrou missas e fez duas homilias. No dia 11 de outubro de 1863, ordenou um presbítero e um diácono.  Foi a primeira vez que a população de Crato assistiu à imposição de ordens sacras a seminaristas. Resultou dessa primeira visita o surgimento da amizade entre o primeiro bispo do Ceará e o coronel Antônio Luiz Alves Pequeno, o segundo deste nome (1). 
Notas:
1) Houve três coronéis com o nome de Antônio Luís Alves Pequeno, avô, filho e neto. Neste trabalho, falamos apenas do segundo, o que se tornou amigo do bispo do Ceará. Diz o adágio latino “Verba volant, Seripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem). É verdade. A carta abaixo, escrita por Dom Luís Antônio dos Santos ao coronel Antônio Luís, está transcrita na página 428 do livro “Efemérides do Cariri”, de Irineu Pinheiro. A conferir:
“Meu amigo e compadre. Acabo de receber duas cartas, de 16 e 17 do corrente, na segunda dá-me V.S. (Vossa Senhoria) a notícia da passagem da terra para o céu da boa e muito virtuosa menina Ritinha, por tal acontecimento parece em lugar de pêsames deveria só dar parabéns a toda a família, e na verdade, olhando com os olhos da fé, não pode o meu procedimento ser outro. Uma menina, que sempre foi tida por uma das mais inocentes e virtuosas do colégio, ornada com a coroa da virgindade, Deus a chamou, não pode inspirar outros sentimentos senão os de uma santa inveja. Feliz dela que sem as lutas, combates e perigos do mundo ganhou a palma da vitória. Assim se lembre ela de mim perante Deus, como espero.
Na primeira carta pinta V.S. o horroroso quadro desses lugares em consequência da seca. Não sei, meu amigo, o que será da pobre Província do Ceará, pois o que V.S. diz desse lugar, dizem todos dos respectivos lugares de suas habitações. A miséria é real, porque para isto basta ter-se perdido grande parte da lavoura e do gado, miséria que tem aumentado com a especulação de muitos, que sob o pretexto da seca arrebatam o que podia matar a fome aos verdadeiros necessitados.
A ideia de esmola tem feito com que muita gente tenha abandonado o seu canto, onde podia ir vivendo e lutando com a adversidade. Ainda ontem me disseram que nos sambas que fazem os retirantes aqui em suas palhoças, entre as libações, dão vivas à seca de 1877! Na verdade, muitos nunca foram tão felizes como agora. Outros, porém, morrem de fome. O certo é que nada chega, o governo como o auxílio de particulares é impotente por isso a desgraça é irremediável e muita gente morrerá.
Até os ladrões e assassinos se aproveitam da seca! Isto é horrível e V.S. deve estar de sobreaviso e bem prevenido. A sua mudança seria dificultosíssima, entretanto às vezes devem-se largar os anéis para ficarem os dedos. Deus se compadeça de nós. Saudosa visita a toda a família a quem abençoo. De V.S. amigo e compadre, Luís, bispo do Ceará. Fortaleza, 28 de novembro de 1877”.

(continua na próxima postagem)
 Dom Luís Antônio próximo da sua morte, quando era Arcebispo de Salvador (BA) e Primaz do Brasil.
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A relação de Dom Luís Antônio dos Santos com Crato - por Armando Lopes Rafael (2ª parte)

Cel. Antônio Luís Alves Pequeno, o segundo com este nome


Este coronel era um abastado comerciante com matrícula no Tribunal do Comércio de Recife. Para a capital pernambucana ele viajava costumeiramente indo de cavalo até Aracati ou Fortaleza. De lá pegava um navio com destino a Recife, à época o maior empório comercial do Norte do Brasil, onde comprava mercadorias para abastecer sua loja, a maior de Crato. As mercadorias vinham pelo mar de Recife até Aracati. Desta cidade – em carros de boi, que atravessavam todo o Ceará – seguiam em direção a Crato. 
     O coronel Antônio Luís vendia muitos produtos na sua loja, dentre eles: tecidos, livros, ferragens, remédios, louças, charutos, rapé, vinhos, remédios e até manteiga que vinha acondicionada em barris. Graças à hospitalidade que o abastado coronel ofereceu ao Bispo do Ceará, nas vezes em que este visitou Crato surgiu entre os dois um clima recíproco de admiração e respeito. Mais do que isso, viraram compadres e amigos. Basta lembrar a atuação do coronel, junto ao bispo, em favor do seminarista Cícero Romão Batista, este afilhado de crisma de Antônio Luís. Quando ficou órfão do pai, em 1862, o jovem Cícero Romão Batista teve de interromper seus estudos, no Colégio do Padre Rolim, em Cajazeiras (PB). Retornando a Crato, Cícero, então com dezoito anos, acompanhou as dificuldades financeiras da mãe viúva e das duas irmãs órfãs de pai.
      A partir daí, o coronel Antônio Luís tomou sob sua proteção os estudos do afilhado. Em 1864 o jovem Cícero Romão Batista foi matriculado no Seminário da Prainha, em Fortaleza. Como a família de Cícero não dispunha de recursos financeiros para pagar as despesas com o estudo, o coronel Antônio Luís conseguiu com Dom Luís que seu afilhado fosse matriculado gratuitamente. Entretanto, já em 1868, o reitor do Seminário, o padre francês Pedro Chevalier, resolveu dispensar o seminarista Cícero, taxando-o de aluno fraco em teologia, além de dado à leitura de obras de ocultismo.  Mas, oficialmente, a desculpa para a dispensa de Cícero foi a falta de recursos do Seminário, para manter o estudante gratuitamente.
     Segundo Nertan Macedo: “O coronel Antônio Luís montou no seu cavalo e atravessou o sertão do Ceará para garantir a educação do afilhado. Cícero pôde, então, passar à condição de pensionista e concluir o curso. Em novembro de 1870, o reitor Pedro Chevalier fazia ver a Dom Luís Antônio dos Santos que Cícero não estava em condições de ser ordenado, alegando tratar-se de um moço teimoso e dado a visões do outro mundo. Mas o prestígio do padrinho, junto ao bispo, valeu-lhe, mais uma vez, e Cícero, no dia 30 de novembro de 1870, recebia a ordem do presbiteriato, voltando para Crato, a fim de ensinar latim, na escola do primo José Joaquim”.
       Voltemos a Dom Luís Antônio dos Santos. Sua segunda visita a Crato ocorreu em 1872. O destaque dessa visita ficou por conta do apelo feito por Dom Luís Antônio para início de trabalhos de melhoria na velha e inacabada igreja-matriz cratense. Com efeito, no dia 18 de setembro daquele ano, Dom Luís nomeou uma comissão – composta, como sempre, pelos notáveis da terra – para tirar a igreja-matriz de Crato do “estado de abjeção em que se achava”. Nessa comunicação, o primeiro Bispo do Ceará acrescentou: (a igreja-matriz) “não corresponde de nenhum modo aos religiosos sentimentos dos numerosos e abastados habitantes de toda a paróquia, pois além de nunca ter sido acabada, muitas cousas de primeira necessidade lhe faltam, o que não era de esperar da matriz de uma opulenta e religiosa cidade como o Crato...” Dom Luís concedeu, ao final da sua mensagem, indulgências aos que concorressem com doações de qualquer espécie para a restauração da igreja de Nossa Senhora da Penha da nobre e heráldica cidade de Crato.
    Já a terceira e última permanência de Dom Luís em Crato durou sete meses, e não seis meses como sempre escreveram os historiadores. Com efeito, ele aqui chegou no último dia do ano, ou seja, 31 de dezembro de 1874, e só retornou a Fortaleza nos primeiros dias de agosto de 1875. Veio para acompanhar a construção do Seminário São José, epopeia da qual falaremos adiante.

(Continua na próxima postagem)

A relação de Dom Luís Antônio dos Santos com Crato (3ª e última parte) 
Crato em 1859 (aquarela de José Reis)

Um homem corajoso e dotado de fé
    Dom Luís veio ao mundo, no dia 17 de março de 1817, em Angra dos Reis, cidade localizada em meio à Mata Atlântica, na região conhecida como Costa Verde, a 155 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro. Angra dos Reis é um lugar de rara beleza, cercada pelo verde das matas e pelo azul das águas do oceano. Em seu entorno existem 365 pequenas ilhas. Consta que, quando os portugueses descobriram o Brasil, chegaram a uma angra (ou seja, uma enseada aberta no litoral com costas altas) no dia 6 de janeiro de 1502, dia dos Santos Reis. Eis aí a razão do nome desta cidade fluminense
   O menino Luís Antônio dos Santos desfrutou, na sua infância, daquele cenário tropical de Angra dos Reis. E, quando adolescente e adulto, sempre viveu em lugares onde predominava o verde e um clima ameno. Deve ter estranhado muito, quando, já na posição de primeiro bispo do Ceará, defrontou-se com a vegetação da caatinga do sertão cearense. Um tipo de mata pouco densa, composta por árvores de pequeno porte que se desfolham completamente, nos meses da estiagem. A caatinga é marcada pela irregularidade de chuvas, pela forte insolação, baixa nebulosidade e altas temperaturas. Bem diferente da natureza abençoada de Angra dos Reis.
     Ainda adolescente, Luís Antônio estudou com o Padre Antônio Viçoso, no Colégio de Jacuecanga, na sua cidade natal. Naquela época, já sentia inclinação para o sacerdócio. Teve a sorte de ser acompanhado pelo virtuoso Padre Viçoso, um santo homem, e conviver, por longos anos com ele, que depois seria nomeado bispo da diocese de Mariana (MG). Dom Antônio Viçoso caminha para ser declarado santo da Igreja Católica, já que seu processo de beatificação está em análise no Vaticano. Já foi declarado Servo de Deus, um estágio da longa etapa antes de ser declarado Beato. Graças à atuação e orientação de Dom Viçoso, a Igreja Católica no Brasil ganhou ótimos sacerdotes e missionários. Um deles já foi beatificado. Trata-se do Beato Padre Francisco de Paula Vítor, nascido em Minas Gerais, o primeiro escravo negro a atingir o sacerdócio no Brasil. Outros três alunos de Dom Viçoso foram eleitos bispos e morreram com fama de santidade. São eles: Dom João Antônio dos Santos, bispo de Diamantina (MG); Dom Pedro Maria de Lacerda, bispo do Rio de Janeiro, e Dom Luiz Antônio dos Santos, primeiro bispo do Ceará.

Dom Luís gostava da cidade de Crato
    Antes mesmo de visitar Crato, pela primeira vez, Dom Luís Antônio dos Santos já havia feito um ato concreto em defesa da saúde dos seus diocesanos residentes nesta cidade. Em maio de 1862, ocorreram em Crato os primeiros casos de cólera-morbo, que viria a provocar a morte de cerca de 1.100 cratenses. O historiador Irineu Pinheiro fez o seguinte registro no seu livro Efemérides do Cariri, à página 148: “1862, 17 de Junho – Fundado em Crato, na estrada entre esta cidade e Juazeiro, por ordem de Dom Luiz Antônio dos Santos, primeiro bispo do Ceará, o cemitério dos coléricos, o qual mediu vinte braças de largura e quarenta e três de profundidade. Foi benzida em frente dele pelo padre João Marrocos Teles uma cruz de madeira, mandada erguer pelo pároco do Crato, Manoel Joaquim Aires do Nascimento. Morreram da epidemia o padre Marrocos e Joaquim Romão Batista, pai do Padre Cícero Romão Batista”.
    Homem culto e, ao seu tempo, bem informado, Dom Luís sabia que o Cemitério Bom Jesus dos Pecadores (hoje denominado de Nossa Senhora da Piedade) de Crato não era o local certo para sepultar as vítimas de cólera-morbo, pois isso poderia contribuir para alastrar o contágio da moléstia. Para tanto, em 1862, determinou a improvisação de novo cemitério, distante, dois quilômetros do centro de Crato, no local onde hoje fica a subestação de energia da COELCE, no bairro São Miguel.
A grande obra de Dom Luís em Crato: o Seminário São José
   O Seminário São José de Crato foi fruto de um desejo de Dom Luís, com o objetivo de ampliar a divulgação da Boa Nova de Cristo e salvar almas, no território da sua vasta diocese, a qual, à época, compreendia todo o Estado do Ceará.  Para concretizar esse anelo, e depois de ter recebido sugestão nesse sentido, em 1871, do recém-ordenado Padre Cícero Romão Batista, Dom Luís encaminhou – em 1872 – dois padres lazaristas, – padres Guilherme Van den Sandt (alemão) e José Joaquim de Sena Freitas (português nascido no arquipélago dos Açores) – para realizarem uma missão religiosa, em terras do Cariri cearense. Os dois missionários lazaristas ficaram encantados com o progresso da cidade e com o entusiasmo com que a população acolheu as missões.
     Os dois padres receberam orientação para angariar doações visando à construção de um Seminário Diocesano, na cidade de Crato. Depois disso Dom Luís Antônio enviou para Crato o padre italiano Lourenço Vicente Enrile, para acompanhar a construção do vasto prédio, que seria erguido em grande terreno doado pelo coronel Antônio Luís Alves Pequeno, no aprazível subúrbio, à época conhecido como Grangeiro, hoje denominado bairro do Seminário. Logo faltaram os recursos para dar continuidade à construção. Então Dom Luís Antônio resolveu deslocar-se de Fortaleza para Crato, ficando ele próprio à frente dos trabalhos. Aqui chegou no dia 31 de dezembro de 1874.
       Durante sua estada em Crato, foi-lhe preparada uma residência episcopal pelo seu grande amigo e compadre, coronel Antônio Luís Alves Pequeno, que arcou também com as despesas de cama e mesa de Dom Luís Antônio e sua comitiva. A residência ficava num sobrado localizado na esquina da atual Rua João Pessoa com Praça Juarez Távora. Como sempre, a população de Crato acolheu com festas, respeito e muita alegria o primeiro Bispo do Ceará. Pôs-se Dom Luiz à frente da construção, mas, dada a grandiosidade da obra, o Seminário São José foi inaugurado, em 07 de março de 1875, em barracões provisórios, feitos de taipa e cobertos de palha, enquanto a construção dos blocos de alvenaria tinha prosseguimento. O povo cratense apelidou os barracões de taipa de “seminarinho”. Este funcionou com salas-de-aulas, dormitório, refeitório, cozinha e uma pequena capela até o mês julho, quando foi concluído o lado sul do atual prédio do Seminário São José.
         Estava realizado o grande sonho de Dom Luís, dotar  Crato do seu Seminário, que vem funcionado, com algumas interrupções nos primeiros anos, até os dias atuais. Nos início de agosto, Dom Luís Antônio retornou a Fortaleza para nunca mais voltar às terras caririenses. Em 1881, Dom Luís foi transferido para Salvador, como Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil, e lá permaneceu até 11 de março de 1891, data do seu falecimento. Foi sepultado na capela do Santíssimo Sacramento da Catedral de Salvador.

Uma personalidade rica e marcante
    Dom Luís Antônio dos Santos, apesar de ter nascido numa família humilde, tornou-se – ao longo da sua existência – uma pessoa dotada, naturalmente, de gestos fidalgos, modos educados, lhaneza no trato com as pessoas, principalmente as mais humildes. Foi também um aristocrata, no sentido literal da palavra. No período monárquico, foi agraciado, em 16 de maio de 1888, com o título de Marquês de Monte Pascoal, honraria concedida pela Princesa Isabel, a Redentora, quando esta governava o Império do Brasil como Princesa Regente, na ausência de seu pai, o Imperador Dom Pedro II. Dom Luís era ainda cavaleiro da Imperial Ordem de Cristo e oficial da Imperial Ordem da Rosa, duas condecorações criadas na vigência do Império do Brasil.
           No entanto, ele nunca usou nem ostentou esses títulos. Sequer falava neles. Nunca mudou, em momento algum, o seu modo simples e despojado de viver. Durante a terrível seca de 1877 a 1879, quando era Bispo do Ceará, presenciando milhares de pessoas atacadas pela varíola e morrendo de fome, Dom Luís Antônio deu o testemunho de amor ao próximo e protagonizou cenas de verdadeiro heroísmo. Ajudava como podia. Sem temer o contágio da doença, Dom Luís tinha por hábito percorrer os imundos tugúrios e as barracas de palha, que proliferavam nas periferias de Fortaleza, para levar uma palavra de conforto aos flagelados. Chegava, por vezes, a deitar-se nas esteiras nauseabundas dos pestosos, para ouvi-los em confissão. Diante de tão deprimente cenário, Dom Luís Antônio fez uma promessa pública: cessadas as calamidades, o Ceará seria consagrado ao Sagrado Coração de Jesus. Também seria construída, na capital do Estado, uma igreja, com a finalidade de incentivar a todos que desejassem crescer na amizade ao coração manso, humilde e misericordioso do Cristo Jesus... Dom Luiz Antônio, antes de deixar o Ceará, cumpriu ambas as promessas!

(*) Armando Lopes Rafael é historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri e Membro Correspondente da Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris, de Salvador (BA).


Uber chega ao Cariri

Fonte: jornal O POVO, 22-07-2017.
Após um ano e três meses de serviço em Fortaleza, Juazeiro do Norte será o segundo município cearense a receber a Uber. O aplicativo de transporte particular está cadastrando motoristas na cidade do Cariri. Os cadastros começaram na última quinta-feira, 20, pelo site uber.com/dirija. Não foi informado quando o sistema entrará em operação na Cidade. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, a plataforma opera em mais de 60 cidades do Brasil.
Para realizar a pré-inscrição, os motoristas devem fazer o cadastro no site, incluir a Carteira Nacional de Habilitação com a observação Exerce Atividade Remunerada (EAR) e cadastrar o veículo (que deve ter sido fabricado a partir de 2008, ter quatro portas e ar-condicionado).
A Uber ainda não é regulamentada em Fortaleza. Para trabalhar com a plataforma, motoristas têm conseguido liminares na Justiça. As decisões normalmente determinam que a Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) e a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) não realizem quaisquer atos ou medidas repressivas com fundamento de transporte irregular ou clandestino.


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