xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 17/07/2017 | Blog do Crato
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VÍDEO - ÚLTIMAS NOTÍCIAS - Prefeito do Crato é escolhido um dos melhores prefeitos do Ceará pela PPE Eventos, em Fortaleza. ( 09-11-2017 ).
Estamos de volta com as transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, com alguns programas ao vivo ). Serão vários programas abordando temas diversos, como a realidade da nossa região, do Ceará e do mundo; Programas científicos, atualidade, entrevistas, e transmissão de eventos ao vivo. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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17 julho 2017

Heróis da honestidade - Por: Emerson Monteiro

Diz o sábio chinês Lao-tsé, em O livro do caminho perfeito, que quando o reino está em harmonia, com os súditos vivendo na ordem, zelando pelos seus afazeres, ninguém nem sabe quem é o Príncipe. Porquanto são outras as ocupações diárias, outros os compromissos de trabalho, de família, de folguedos. No entanto haja descompasso, e tudo indicará destino ao trono e suas artimanhas internas.

Muitas horas, as intrigas palacianas surgem das ânsias do poder, da desorganização social e da ambição de aventureiros inescrupulosos. Fazem da política razão de investimentos financeiros, degraus de dominação das massas e ostentação das vaidades humanas. Há estruturas montadas em cima de leis seculares, determinações de contribuição ao enriquecimento, formas rígidas de controle das populações, que enfraquecem nas bases comunitárias e distanciam mais e mais governantes de governados.

Disso as graves indagações dos tempos de como preservar a ordem pública e satisfazer as carências dos países sem ferir a Ética. Novas castas invadiram as instâncias de poder através das instituições, e jamais imaginam, nem de longe, largar o osso das benesses, vindas desde longe, das outras gerações. Nalguns casos, a partir do período colonial. E com isso a força do povo perde em capacidade e determinação de preservar seus reais valores. O reino submete os súditos a caprichos e fúrias, contido esse através da elite privilegiada nas camarinhas das administrações.

Eis o diagnóstico tão velho quanto os piores resumos de períodos históricos idênticos. Falcatruas. Desmandos. Demagogia. Extravagâncias. Injustiças. Clamor maior também nas famílias, que penam sob o peso da responsabilidade que lhes é repassada na Lei soberana, em farsa aparentemente democrática, contudo descomunal.

Porém, a que o barco siga seu curso, persiste a disposição constante daqueles heróis da sobrevivência que, a ferro e fogo, resistem às normas das épocas, na troca de sonhar com os dias melhores que haverão de vir. Que depois das tempestades vêm as brisas suaves que ensinam as lições. São justos, honestos, trabalhadores, movidos pela coragem que alimentam no amor da Verdade original.

(Ilustração: Pieter Bruegel, o Velho, A dança dos camponeses).

Novo livro de Irmã Annette Dumoulin será lançado 4ª feira, dia 19


Tendo como local o Círculo Operário São José, da Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores – de Juazeiro do Norte – será lançado na noite desta 4ª feira, 19, o novo livro de Irmã Annette Dumoulin,  “Padre Cícero, santo dos pobres, santo da Igreja– Revisões históricas e reconciliação”
A Editora Paulinas já disponibilizou uma súmula desta obra, com destaque para o prefácio que foi escrito por Dom Fernando Panico, Bispo-emérito de Crato. A conferir.

Prefácio
“O tempo é o melhor autor; ele sempre encontra um final perfeito”.
      A autoria da frase acima é atribuída ao ator e produtor de cinema Charlie Chaplin. Adaptando este pensamento aos fatos da vida e obra do Padre Cícero, sentimo-nos como envolvidos num sentimento de estarmos vivenciando o início de um “final perfeito”, para a sofrida epopeia protagonizada por este humilde e obediente sacerdote da Igreja Católica Apostólica Romana.
      Razões pelas quais chegamos a esta sensação as temos de sobra!
      Bastaria relembrar o desfecho do pedido – feito pela Diocese de Crato – à Congregação para a Doutrina da Fé, no qual propôs a reabilitação histórica e canônica do Padre Cícero Romão Batista na Igreja Católica Apostólica Romana. Tal pedido, sustentado em sólidos argumentos – frutos de profunda reflexão dos membros de uma comissão, composta por doutos em várias ciências – foi entregue à Santa Sé em 2006, quando eu era o Bispo Diocesano de Crato.
      A resposta oficial do Vaticano só nos chegou às mãos oito anos e cinco meses depois de entregue à Santa Sé. Na audiência de 5 de setembro de 2014, o Papa Francisco, após ouvir as recomendações do Prefeito para Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Gerhard Müller, não só aprovou as recomendações que lhe foram sugeridas por aquela Congregação, como ainda pediu que se preparasse uma mensagem, da parte da Santa Sé, a ser dirigida aos fiéis do Padre Cícero. [i]
     A decisão favorável do Sumo Pontífice nos foi comunicada pelo Cardeal Gerhard Müller, através de correspondência firmada em Roma, em 27 de outubro de 2014.   Entretanto, até que esta decisão fosse tomada, pelos integrantes da Congregação para a Doutrina da Fé, e fosse referendada pelo Sumo Pontífice, o Papa Francisco, oportuno se faz lembrar que, no decorrer de um século, quase duas centenas de livros foram escritos sobre este esse bom sacerdote da Igreja Católica Apostólica Romana.
     E durante estes cem anos, em meio à perplexidade de tantos devotos do Padre Cícero, foram publicados livros, artigos e reportagens, além de produzidos filmagens, vídeos e outros documentários, feitos por autores os mais diversos. A maioria desse material divulgado pelas editoras e pela mídia saiu em defesa do Padre Cícero. Outros, porém, atacavam a figura desse sacerdote, utilizando ilações subjetivas, algumas raiando o crime da calúnia.
        Quantas injustiças foram planejadas, produzidas e divulgadas contra o Padre Cícero! Quantos autores não respeitaram o direito inalienável à boa fama e a imagem pessoal ilibada que qualquer pessoa desfruta sobre a projeção de sua personalidade, física ou moral, perante a sociedade. Quantos danos, infortúnios e maledicências foram assacados contra a memória desse virtuoso sacerdote. E o pior, isso aconteceu quando o Padre Cícero já não estava mais entre nós para poder defender-se ou para repor a verdade dos fatos.
         Indiferentes a tudo isso, milhares de romeiros – verdadeiras multidões, calculadas em cerca de dois milhões de fiéis, que anualmente visitam Juazeiro do Norte – continuaram a beber na fonte cristalina da espiritualidade do Padre Cícero os ensinamentos que os ajudaram a serem bons cristãos.
Pelo testemunho perene dos romeiros e romeiras na Terra Sagrada do Juazeiro do Norte, não era possível acreditar que Padre Cícero fosse o “heresiarca sinistro” que Euclides da Cunha descrevia no seu livro “Os Sertões”. O Padim Ciço tem algo de muito especial para ser objeto da devoção de milhões de pessoas que veem a Juazeiro para “visita-lo”.
E o Papa Francisco veio reconhecer e abençoar este fenômeno da fé dos pobres.  Quando a Congregação para a Doutrina da Fé escreveu ao Bispo de Crato, em 2001, pedindo que se abrissem os arquivos da Cúria para novos estudos sobre a história do Padre Cícero, descobriu-se muitas peças que faltavam ao quebra cabeça. E com elas, com os documentos todos (mais de três mil) pode-se “montar” uma história que nos diz que o verdadeiro Padre Cícero é aquele que os seus devotos sempre nos contaram que era.
Este livro é a mais nova publicação escrita a partir dessa nova imagem do Padre Cícero que os documentos, recolhidos pela Comissão de Estudos, mostraram ao Vaticano. A autora é a Irmã Anne Dumoulin, nascida na Bélgica, conhecida popularmente como Irmã Annette. Uma religiosa pertencente à Ordem das Cônegas de Santo Agostinho e que há mais de quarenta anos presta relevantes serviços aos romeiros do Conselheiro do Sertão. Este novo livro– "Padre Cícero, santo dos pobres, santo da Igreja– Revisões históricas e reconciliação”” – que tenho a honra de prefaciar, atendendo ao honroso pedido da Autora, minha colaboradora leal na causa das Romarias e amiga fiel, vem se somar às outras boas obras já publicadas sobre o Patriarca de Juazeiro.
Ir. Annette, ao recuperar toda a história sobre o Pe. Cícero, nos mostra que aquilo que está escrito na mensagem do Papa Francisco, pelo Cardeal Secretário de Estado, Card. Pietro Parolin, foi escrito tendo em vista a fé do romeiro e da romeira, para incentivar a Pastoral das Romarias em Juazeiro: Padre Cícero, modelo da Nova Evangelização; Pe. Cícero exemplo de fidelidade à Igreja; Padre Cícero modelo e testemunho para os sacerdotes, etc.
O livro da Irmã Annette, está dividido em três partes e uma conclusão. Na primeira parte, que ela denominou “Padre Cícero: Meu ponto de vista”, consta 12 capítulos resgatando informações históricas, sociológicas e antropológicas do Vale do Cariri, além de dados biográficos do Padre Cícero. Fala sobre a família dele, a infância e juventude, estudos filosóficos e teológicos, primeiros tempos como sacerdote, o imbróglio do chamado “Milagre de Juazeiro”, com todas as implicações, punições e sofrimentos que decorreram na vida deste sacerdote, por conta daquele episódio. Fala, ainda, da participação do Pe. Cícero na política e seus últimos anos de vida.
             Já na segunda parte, Irmã Annette aborda o “Padre Cícero: do ponto de vista dele” (ou seja, do próprio sacerdote). Utiliza para tanto a análise de escritos da lavra do Padre Cícero, feitos em diversas datas e em circunstâncias diversas.  A terceira parte do livro em tela é denominada: “Padre Cícero: o ponto de vista do Papa Francisco”. Por fim ela encerra com a “Conclusão: Padre Cícero... e quem é ele?”. Irmã Annette sintetiza todo o capítulo nas linhas inicias. A conferir. “Abrir o “livro da vida” do Padre Cícero é entrar no mistério da aventura mística de um Nordestino do interior do Ceará que tomou a sério o chamado do Sagrado Coração de Jesus, recebido em sonho: “Você, Cícero, tome conta deles”“! E ele fez “opção pelos pobres”! Consagrou sua vida aos pobres”.
          É verdade! Padre Cícero dedicou toda a sua existência ao amor pelo povo simples, às pessoas sem estudo e sem instrução religiosa, aos deserdados da sorte, aos injustiçados, às vítimas das secas e das doenças, aos que não tinham a quem recorrer neste vale de lágrimas. Ele foi, enfim, um Bom Pastor, que se apiedou dos excluídos da sociedade de então. E para eles viveu, sofreu e por esse mesmo povo foi imortalizado no coração dos seus afilhados.
O Padre Cícero que a Irmã Annette mostra, é o resultado de mais de 40 anos de pesquisa, mas não só, também de orações junto aos romeiros, de cantos com os romeiros, de horas e horas de escuta das histórias desse povo fiel e devoto a este Padre Cícero que percorreu o caminho da sua vida em plena união com Jesus Cristo.
Digitus Dei est hic!
Assim D. Joaquim José Vieira, o 2º. Bispo do Ceará, desejava afirmar sobre os fenômenos extraordinários de sangramento da hóstia que aconteceram em Juazeiro do Norte, a partir de 1889, na boca da Beata Maria de Araújo. E para afirmar isso, que “O dedo de Deus está aqui”, ele queria provas. Como muito bem relata a Ir. Annette neste livro, por mais provas que os padres da comissão de inquérito, instituída por ele, apresentassem, D. Joaquim não ficava satisfeito. Nada o convencia da veracidade dos fatos. Ao contrário, conseguiu depoimentos que ratificavam a sua primeira declaração, escrita antes de qualquer investigação: “não é e não pode ser o sangue de Cristo”, o que sai da hóstia consagrada. No que foi seguido pelos Cardeais do Santo Ofício já que as informações quem lhes mandava era o Bispo do Ceará: os fenômenos são “vãos e supersticiosos”, uma forma mais delicada de dizer o que D. Joaquim dizia em alto e bom som: esse fenômeno é uma fraude!
Portanto, D. Joaquim nunca se permitiu dizer: Digitus Dei est hic!
Mas agora, Ir. Annette nos mostra uma outra possibilidade de saber se ali, naquele ambiente, especialmente com o Padre Cícero, há o dedo de Deus. Ela chama de sinais de Deus na vida do Padre Cícero Romão Batista... De uma maneira quase lúdica, vai nos conduzindo pelo caminho “pedregoso, cheio de obstáculos, de curvas, de desafios, de sofrimentos e também de alegrias” percorrido por ele e identificando esses sinais. Vai nos mostrando que Padre Cícero nessa caminhada “não perdeu a fé, a paz e a confiança na Providência do Pai e no auxílio fiel da Mãe das Dores.”
Ao escrever estas linhas já como bispo emérito de Crato, manifesto toda a minha gratidão e alegria pelo bom trabalho que, por vontade de Deus, e para fazer justiça aos romeiros e romeiras do Pe. Cícero, a Irmã Annette, Irmã Teresa, Mons. Murilo, Maria do Carmo Forte e tantos outros colaboradores (as), pesquisadores, religiosos (as) e leigos (as, romeiros e romeiras, realizamos honestamente nesta nossa Diocese, para a maior glória de Deus e o bem da Igreja.
Enfim, dever cumprido: somos  responsáveis pela mudança radical da relação da Santa Sé com Padre Cícero. “Digitus Dei hic est!” -  Aqui está o dedo de Deus! O Dedo de Deus está na história da Terra da Mãe das Dores, no Juazeiro do Padre Cícero e da Beata Maria de Araújo e dos romeiros e romeiras!
Parabenizo Irmã Annette por este seu novo livro. E almejo a esta obra uma ampla divulgação, uma excelente aceitação entre o Povo de Deus que habita a generosa nação brasileira.
  Dom Fernando Panico, MSC
     Bispo Emérito de Crato


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[i] A carta da Congregação para a Doutrina da Fé, a mim dirigida, com data de 27 de outubro de 2014, tem Protocolo Nº 319/14-48388.  Lá consta textualmente: “OMNES: Si ritene opportuna una qualche forma de “riconciliazione stórica”, che, tenendo conto di tutti gli aspetti della vicenda umana e sacerdotale del P. Cícero, metta in luce anche i lati positivi della sua figura.
Il Santo Padre Francesco, durante l’Udienza del 5 settembre 2014 há approvato le suddette decisioni e há chiesto che sai preparato um Messagio da parte di um organismo della Santa Sede, indirizzato ao fedeli di codesta diocese (...)
Tradução livre” do texto acima:
"TODOS (os integrantes que analisaram na Sagrada Congregação da Fé o pedido da Diocese de Crato) acham oportuna alguma forma de “reconciliação histórica”, que, considerando todos os aspectos da vida humana e sacerdotal do Padre Cícero, venha lançar luz também sobre os aspectos positivos de sua pessoa (do Pe. Cícero).
O Papa Francisco, durante a audiência de 05 de setembro de 2014 aprovou estas decisões (da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé) e recomendou a redação de uma mensagem preparada por um organismo da Santa Sé, dirigida aos fiéis desta diocese (...)”


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