xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 13/07/2017 | Blog do Crato
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VÍDEO - Em breve, estaremos de volta com as novas transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, alguns programas ao vivo ). O modelo será mais ou menos como no vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos em que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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13 julho 2017

Presidencialismo da Nova República fracassou e enquista o Brasil no atraso -- por Matias Spector (*)


A condenação de Lula à prisão apenas ilustra o ponto. Nestes 30 anos, todos os presidentes eleitos terminaram às voltas com a Justiça. Os únicos que podem dormir em paz agora são FHC e Sarney, salvos de um julgamento por causa da avançada idade e por terem tido a sorte de governar o país quando os "engavetadores da República" de plantão ainda tinham capacidade de oferecer proteção.
A podridão engendrada pelo sistema político nestes anos não para por aí. Também estão encalacrados todos os políticos que, sem alcançar a Presidência, chegaram ao segundo turno (Serra, Alckmin e Aécio). Ainda pertencem a esse grupo vários governadores e quase um terço dos parlamentares no Congresso Nacional.
Isso ocorre porque a Nova República inventou uma fórmula perversa para gerir a relação entre os Poderes Executivo e Legislativo. Em nosso sistema, o presidente não possui maioria parlamentar. Para governar, ele precisa montar uma "base aliada" de deputados e senadores. Estes, por sua vez, apoiam o presidente em troca de nacos do orçamento e de indicações para cargos públicos por onde passam licitações polpudas.
Nada nesse sistema garante que a relação entre Executivo e Legislativo produza bens públicos para a maioria do eleitorado (hospitais decentes, boas escolas e transporte público eficiente, por exemplo). Ao contrário, as regras do jogo de nosso presidencialismo fazem com que a sociedade inteira fique rendida diante de um conjunto de grupos de interesse fortes o suficiente para tirar vantagem da necessidade que o presidente tem de garantir apoio da base.
Quem ganha com isso? O cartel das empreiteiras como a Odebrecht, o grupo de empresários como Joesley Batista, os sindicalistas que cobram pedágio para parar greves e o lobby dos seguros de saúde.
Nesse sistema, o Palácio do Planalto é o QG dos interesses particularistas. Ali são distribuídos cargos de confiança a peso de ouro. Dali arma-se a arapuca para influenciar a cúpula do Judiciário e limitar os danos provocados pelas instituições de controle.
Dono da caneta que autoriza o troca-troca, o presidente vira arrecadador-chefe para as campanhas de seus aliados. O contato com grandes empresários é dele, seja à luz do dia ou na calada da noite.
Como o jogo é sujo, o próprio presidente se encharca na lama: nesses 30 anos, nossos mandatários alopraram com jatinhos, apartamentos, chácaras, reformas da casa da sogra, empregos para os filhos, mesadas para irmãos, malas de dinheiro e cabeleireiros de renome.
São as nossas instituições que enquistam o Brasil no atraso.

(*) Matias Specktor é doutor pela Universidade de Oxford e ensina relações internacionais na FGV. Escreve para  a"Folha de S.Paulo" às quintas-feiras.

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