18 junho 2017

Lições de solidão - Por: Emerson Monteiro

E perguntar a si, diante dos limites da dor, onde achar as respostas inevitáveis do resistir a qualquer custo. (Lembrar as angústias de Castro Alves em face dos sofrimentos da escravidão (Deus, ó Deus, onde estás que não respondes. Em que mundo, em que estrela Tu te escondes, embuçado nos Céus?) Dor em tudo; dói a vida, dói pensar, resistir, imaginar; até sorrir, que dói Só dói quando rio, qual diziam as charges de O Pasquim, na década de 60.

No entanto, que outro jeito senão viver, amar, e ser feliz, bem feliz diante da dor, por maior que seja ela. Solver intensamente o cálice da Salvação, tal fez Jesus no caminho do Calvário, perante a solidão cósmica no rumo do Pai Eterno, a lhe aguardar logo à frente, pelos braços abertos da cruz, e depois, no terceiro dia, na abertura dos Céus que o receberam. Guiado através das sendas da Luz, abraçou a paixão no martírio de demonstrar aos demais, que somos nós, como ultrapassar a barreira da transcendência e desvendar, sem temor, o mistério da Eternidade.

Enquanto aqui percorremos as veredas da angústia, do desgosto e da ilusão, por vezes, inebriados na própria ignorância e lançados às turbas da inutilidade, vemos esses dias tão parecidos a desfilar no limbo os trilhos da desigualdade humana; hienas a gargalhar no som dos mambos tecnológicos e séculos sucateados. Ninguém que veja ninguém, no passar desses quadros de fita dos filmes de antigamente.

Erguer aos Céus, pois, o petitório das seitas, gritos lancinantes frutos das agressões dos que ferem o silêncio e deixam um clamor de fera ferida vagando pelos ares. Todos bem desejam aplacar a fúria da solidão que invade a alma. Aços em brasa lhes rasgam as carnes. Quanta distância ainda resta ao Poder Magnânimo e que haveremos de percorrer até a Paz chegar ao coração? Olhos fixos lá longe, nas barreiras do destino, apenas sonham ver, de uma vez e para sempre, o nascer infinito deste Sol.