xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 17/06/2017 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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17 junho 2017

Maduro resiste na Venezuela porque chavistas temem vingança da população -- por Demétrio Magnolli

   A Venezuela entra, rapidamente, na lista de Estados falidos, em meio a sinais de uma guerra civil de baixa intensidade. Uma maioria esmagadora pede o fim do regime violento, mafioso, de Maduro. A camarilha chavista, porém, engaja-se no golpe da "Constituinte comunal", a desvairada tentativa de implantar um poder absoluto. Por que, face à catástrofe, Maduro recusa uma transição constitucional, por meio do referendo revogatório ou da antecipação de eleições presidenciais? A resposta não tem mistério: os chavistas temem o espectro da vingança.

   O sistema democrático assegura a alternância pacífica de poder porque elimina da cena o medo da vingança. Contados os votos, o perdedor congratula o vencedor, reconhece publicamente o resultado e transita para a oposição. Mesmo em episódios de crise aguda, como o impeachment, a lei é cumprida: a presença de um Judiciário independente garante que o novo governo não ameaçará a liberdade, ou a vida, dos derrotados. No Brasil, o PT gritou "golpe!", mas circunscreveu sua irresponsabilidade ao palco do teatro político: Dilma, afinal, não chamou os militares para proteger um governo legal ameaçado, nem (ufa!) acorrentou-se ao Planalto, em gesto dramático de resistência cívica.

   Nas tiranias, o medo da vingança complica as transições políticas. Hitler só adotou a "Solução Final" quando concluiu que rumava para a derrota militar. O extermínio de todos os judeus do Reich aparecia, aos olhos dos nazistas, como a realização de um objetivo nacional supremo e como uma apólice de seguro contra a retaliação. Longe desse caso extremo, regimes autoritários só cedem pacificamente o poder mediante acordos de transição capazes de dissolver a sombra da revanche. Da "anistia irrestrita" brasileira à "comissão da verdade" sul-africana, contratos de impunidade total ou condicional persuadiram os ditadores a renunciar ao Palácio. O chavismo jamais abdicará sem algo assim.

   Circula, na Europa e América Latina, um inédito manifesto de "intelectuais de esquerda" que denuncia, com anos de atraso, o "caráter autoritário" do regime de Maduro. O texto destina-se a sanitizar as preciosas biografias dos signatários, entre os quais encontram-se antigos adoradores da "revolução bolivariana", como o português Boaventura de Sousa Santos, o brasileiro Chico Whitaker e o peruano Anibal Quijano. Contudo, cumpre involuntariamente uma função útil, acelerando a divisão nas fileiras chavistas. Nicmer Evans, líder da Maré Socialista, corrente dissidente desde a morte do caudilho, assina o manifesto internacional. A procuradora-geral Luisa Ortega, uma fiel histórica, rompeu com o regime. Olly Millán, Hector Navarro e Ana Osorio, ex-ministros de Hugo Chávez, saltaram para a dissidência. A cisão interna é um elemento crucial na transição, pois dela emergem interlocutores viáveis para um acordo.

   Maduro descreve seu regime como um "movimento cívico-militar". A cúpula das Forças Armadas, componente vital do chavismo, mantém-se leal porque extrai rendas milionárias do negócio da distribuição de alimentos importados e, especialmente, pelo temor da vindita. Mas, refletindo a inquietação na oficialidade e entre os soldados, o general Alexis Ramírez renunciou à chefia do Conselho de Defesa Nacional. Sair agora é uma forma de comprar segurança no mercado futuro.
Desenham-se as condições para a negociação da transição. De fato, ao conservar encarcerados líderes relevantes da oposição, o regime opera sob a lógica da troca de reféns, visualizando a hipótese de um intercâmbio político. A saída, que depende de um acordo entre os atores venezuelanos, não prescinde da mediação diplomática. É hora de dissipar o espectro da vingança, garantindo aos chavistas um lugar seguro no jogo da democracia. Se o Brasil tivesse um governo, não seria missão impossível.

Marcas da felicidade - Por: Emerson Monteiro

Ouvi, sim, no meio daquela noite, o tropel contundente de um carroção a percorrer o silêncio. Acordado de chofre, o som sacudiu meus ossos no estranho tocar de rodas do calçamento de pedra. Algo dizia que já ouvira antes o som do que passava. Tal fosse o emissário dos resultados destas vidas, tangido pelo homem idoso dos dias, conduziu consigo o animal de carga que arrastava o carro da justiça, na missão de recolher restos de infelicidade que ficaram no passado. Espécie de emissário do Eterno das gerações, responsável pelo que executava com determinação, levava no transporte escombros de tudo que restara, sonhos desfeitos e ilusões perdidas.

Dali adiante, saudades antigas não precisavam mais. Hora de mistérios vivos acendeu o céu do horizonte de lâminas intenso e puro brilho, claro forte da luz das estrelas na fria madrugada de junho. Adeus ao medo e à solidão. As incertezas doutras eras sumiram lá fora, na neblina que se desfez nos vastos limpos do dia. Foram secas as dores do parto da felicidade, disso testemunhavam. Depois de outro tempo, cicatrizes viraram só sinais de esperança e paz. Sabores de ausências desaparecem do íntimo, e a alma cresce pouco a pouco.

Aquele carroção das dores partidas percorria de volta o caminho do calvário e levava a bem longe tudo quanto o homem velho transformara nas idades de transformação e consciência.  Degrau por degrau, o antigo sofrimento palmilhara o curso de vencer a ignorância e aceitar ser feliz, dominar os instintos da matéria e revigorar as forças do coração reanimado.

Itinerário da beleza, reviveu o pleno direito de sonhar novas possibilidades, espécie de dever da natureza em amar quem sofreu, sinais de desmonte da espécie no lenitivo bom de tantos e em todo lugar. O tropel das incertas multidões agora simplesmente trescala festa e alegria, no sorriso doce dos que nascem de dentro da noite na graça da  viva Salvação.


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