xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 12/03/2017 | Blog do Crato
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12 março 2017

Acebílio - Por: Emerson Monteiro

Numa manhã de sábado, 11 de março de 2017, encontrei Edésio Marques, na Praça Siqueira Campos, em Crato, e dele ouvir algumas histórias que denotam sua capacidade de vidência. Eis uma delas, acontecimento inusitado. Diz que conheceu Acebílio numa das experiências mentais que lhe ocorrem. Não sei se eu ia ao tempo desse moço, no tempo que ele existiu, ao ele vinha ao meu tempo. Eu acho que eu ia ao tempo dele. Era no Crato antigo, e Edésio subia pela Rua Mons. Assis Feitosa, a que vai da Siqueira Campos ao Barro Vermelho. Era ainda sem calçamento. Andava já na esquina da Rua Ratisbona quando encontrava esse moço.

Foram juntos, conversando, até próximo da Padre Ibiapina, e ele dizia que morava ali, mas via-se apenas uma bodega com uma mesa de açougueiro à mostra, onde vendem carne de criação retalhada. Eu reconheci a casa e avisei, quem mora aqui é um amigo meu chamado Luís, que trabalha na IMAG. E ele disse: Não, eu moro aqui.

Quando chegavam na Igreja de São Francisco, uma outra sem ser a atual, mais antiga, no estilo espanhol com uma cruzinha e uma calçada alta, arrodeada de árvores, pequi ou mangueira. E lá a pessoa desaparecia.

Passados em torno de seis meses, ele viria de novo falar igual à vez anterior. Naquela hora, Edésio, então, resolveu lhe perguntar quem ele era e disse:

- Meu nome é Acebílio. Vivi aqui. Se quiser saber que sou, pergunte a Evaristo, um açougueiro ali no Mercado.

Na segunda-feira seguinte, Edésio procurou Evaristo:

- O senhor conheceu um jovem branco, de mangas longas de punhos virados ao meio do braço? Sarará, do cabelo pixaim?...

Sem maiores esforços, Evaristo foi
respondendo:

- Sim, conheci. Era meu primo, o nome dele era Acebílio. Um boêmio. Gostava muito de farra. Passava as noites todinhas nos cabarés, e morreu de tuberculose. Mas por que, Edésio?

- É que eu encontro com ele de vez em quando, e disse que tem um favor que quer me pedir.

- Pois é meu primo. Ele morreu na casa de Zé Bodocó, numa esquina da Padre Ibiapina. Morava num quartinho lá onde vivia só.

Passados mais uns dois meses, Edésio volta a encontrar Acebílio:

- Falou com Evaristo e entendeu porque quero lhe pedir um favor. Se você olhar pra mim, verá que não sou daqui.

Realmente, quando olhei pra ele vi que seus pés não encostavam no chão. Não tinha pés. Era como se estivesse suspenso numa nuvem. E me falou do pedido que tinha a fazer, e que faria da próxima vez.

Mais algum tempo, ele veio e falou que o pedido dizia respeito a uma mulher de nome Júlia Gato, que era também conhecida de Edésio.

- Ela trabalha no Alto da Penha, e faz serviço pra minha irmã.

- Pois me faça um favor, diga a ela que quando for fazer jogos não invoque a minha pessoa, que está me prejudicando. Após confirmar que atenderia ao pedido, ainda acompanhou a visagem até a Igreja de São Francisco, quando essa tornou a desaparecer.

No domingo posterior pela manhã, Edésio chegou à casa da sua irmã, onde a tal moça lá estava, e logo entrou no assunto:

- Júlia, você conheceu um rapaz chamado Acebílio?

- Conheci, sim. Sempre que quero ganhar no jogo do bicho, invoco a alma dele e acerto, – a moça de pronto respondeu.

- É que ele me mandou lhe dizer que não fizesse isso não, porque está prejudicando ele.

Então, após escutar o pedido, Júlia se emocionou, chegando às lágrimas. Adiante, mandaria celebrar uma missa na intenção do moço, na própria Igreja de São Francisco, inclusive com a presença de Edésio, que, no meio da celebração, viu chegar Acebílio, este lhe bateu no ombro e falou:

- Muito obrigado. Um dia a gente de novo se encontra.

(Eu vivi este acontecido e quero afirmar que existe o outro lado. O homem não está só. De qualquer maneira há uma porta que se atravessa, ou vai ou volta, e se comunica com alguém que não é mais deste mundo – Edésio Marques da Silva).

Crato comemorou o bicentenário de nascimento de Dom Luís Antônio dos Santos – por Armando Lopes Rafael


Promovido pela Associação dos ex-Alunos do Seminário São José de Crato–ADSUM, foi realizado nesta cidade, entre 10 e 12 de março corrente, mais um encontro dessa associação. Este ano constou da programação, a realização de um seminário com homenagens pelo bicentenário de nascimento do 1º Bispo do Ceará, Dom Luís Antônio dos Santos, o fundador do Seminário São José de Crato.
Na 6ª feira, à noite, na abertura, ocorreu uma palestra do Dr. Geová Lemos Cavalcante, membro do Instituto do Ceará, sobre episódios da vida de Dom Luís, no Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri, seguida da solenidade de posse de Dom Gilberto Pastana na Cadeira Dom Luís, do Instituto Cultural do Cariri.
No sábado pela manhã, no Seminário São José houve conferência sobre a vida, obra e relacionamento de Dom Luís Antônio com a cidade de Crato, a cargo do historiador e memorialista Armando Lopes Rafael. Teve também mesa redonda com exposição do professor Edilberto Cavalcanti, da Faculdade Católica de Quixadá.
Dentro da programação ocorreu, ainda, a inauguração da Praça Dom Luís Antônio dos Santos, construída pelo Governo do Ceará e localizada em frente ao Seminário São José, em Crato. No domingo, aconteceu a solenidade de encerramento do encontro da ADSUM, com a celebração de uma Missa de Ação de Graças, pelo bicentenário de nascimento de Dom Luís Antônio dos Santos e posse do novo Cura da Catedral de Nossa Senhora da Penha, Pe. José Vicente Pinto de Alencar.

Dom Luís e sua ligação com Crato

    Dom Luís nasceu no dia 17 de março de 1817, em Angra dos Reis, cidade localizada no Estado do Rio de Janeiro. Chegando ao Ceará em 1861, como seu primeiro bispo, Dom Luís encontrou uma província pobre, sem meios de comunicação e com um clero escasso.   Dom Luís Antônio dos Santos teve de começar praticamente do zero para montar a Diocese do Ceará.
     O Seminário São José de Crato foi fruto de um desejo de Dom Luís, com o objetivo de ampliar a divulgação da Boa Nova de Cristo e salvar almas, no território da sua vasta diocese, a qual, à época, compreendia todo o Estado do Ceará.
     Para conseguir tal intento, Dom Luís Antônio resolveu deslocar-se de Fortaleza para Crato, ficando ele próprio à frente dos trabalhos, por cerca de sete meses, tempo que residiu em nossa cidade.  Durante sua estada em Crato, foi-lhe preparada uma residência episcopal pelo seu grande amigo e compadre, coronel Antônio Luís Alves Pequeno, que arcou também com as despesas de cama e mesa de Dom Luís Antônio e sua comitiva.
      A residência ficava num sobrado localizado na esquina da atual Rua João Pessoa com Praça Juarez Távora. Como sempre, a população de Crato acolheu com festas, respeito e muita alegria o primeiro Bispo do Ceará. Pôs-se Dom Luiz à frente da construção, mas, dada a grandiosidade da obra, o Seminário São José foi inaugurado, em 07 de março de 1875, em barracões provisórios, feitos de taipa e cobertos de palha, enquanto a construção dos blocos de alvenaria tinha prosseguimento.


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