xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 05/03/2017 | Blog do Crato
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05 março 2017

Quem construiu o Palácio do Bispo em Crato? – por Armando Lopes Rafael


A ignorância (do verbo "ignorar" – ignorare, em Latim - é um conceito que indica uma falta de conhecimento.
Má fé também vem de uma expressão latina: mala fides. Ou seja, um conceito associado à ideia de fraude ou intenção dolosa.
Em um artigo divulgado em 05-03-2017, no blog JUANORTE (http://www.juanorte.com.br/jota.html), da lavra do seu proprietário, Sr. Jota Alcides, este fazendo pesadas e caluniosas acusações ao governador do Ceará, Camilo Santana, escreveu a certa altura do escrito:“Em Crato, até o palácio do bispo foi doado por Juazeiro”. 

Ignorância ou má fé?
Talvez as duas!

É de domínio público – em Crato e no Cariri – que o velho Palácio Episcopal (que se encontra desativado desde 1992), foi construído com uma herança recebida pelo 2º Bispo de Crato, o saudoso e virtuoso Dom Francisco de Assis Pires, falecido com fama de santidade em 1960.
Os registros da Cúria Diocesana, e todos os historiadores idôneos, sem exceção – desde 1940 (ano da inauguração do Palácio do Bispo) – são unânimes em transmitir a informação de que aquele imóvel foi construído a expensas de Dom Francisco de Assis Pires.
Mons. Raimundo Augusto de Araújo Lima, por dilatados anos Vigário Geral da Diocese de Crato, é mais preciso ao publicar no livro por ele escrito, “Histórico da Diocese de Crato”, na página 24, edição de 1988, o abaixo transcrito:

“Ocorreu uma lacuna quando da criação da Diocese. Não foi construído previamente o Palácio Episcopal. O primeiro Bispo, na sua simplicidade e no seu natural espírito de renúncia, fixou sua residência em uma ampla casa particular cedida generosamente pela Família Teles, à Praça da Sé. Ali permaneceu durante o seu governo, conformado e satisfeito, despreocupado de dar à Diocese uma residência própria para o Chefe da Igreja Particular do Crato.
Dom Francisco seguiu o mesmo caminho. Sentindo, porém, a falha, decidiu-se a saná-la. E, a expensas da herança paterna, construiu e doou à Mitra Diocesana o confortável Palácio Episcopal condizente com a dignidade de um Príncipe da Igreja. Sito a Rua Dom Quintino, recebeu depois alguns melhoramentos aconselháveis introduzidos pelo terceiro e operoso Bispo Diocesano”.

Donde se conclui que só por ignorância e má fé alguém venha a escrever que: “Em Crato, até o palácio do bispo foi doado por Juazeiro”.
Até onde vai a vilania humana!

(Abaixo, o mal conceituado artigo da lavra de Jota Alcides, do jeito que foi publicado em 05-03-2017,no site JUANORTE, com os erros ortográficos e as acusações falaciosas que mais depõe contra ele, autor do artigo.)

GOVERNADOR INSENSATO -- Jota Alcides

Desde que o governador do Ceará, Camilo Santana assumiu, em janeiro de 2015, que vinha sendo visto pelo povo de Juazeiro do Norte com certa desconfiança. Primeiro, por pertencer ao PT que fez administrações desastrosas nas Prefeituras de Fortaleza e Juazeiro. Segundo porque o PT é um partido político que não presta, só serve para a corrupção e, segundo o Ministério Público Federal, "é uma organização criminosa chefiada pelo ex-presidente Lula da Silva". 

E terceiro porque Carmilo Santana é um cretense-barbalhense que poderia ser tendencioso para prejudicar Juazeiro em favor de Crato e Barbalha, dois rivais históricos. Restava como esperança que Camilo Santana, sendo caririense, e conhecendo muito bem a realidade do triângulo JUABC (Juazeiro, Barbalha e Crato), e tendo morado e estudado no Juazeiro, no Colégio Salesiano Dom Bosco, tivesse alguma consideração e respeito por Juazeiro. 

Desse modo, os jauzeirenses passaram até a pensar que agora eram coisas do passado as maldades incríveis dos governadores Ciro Gomes(O Grosso) e seu irmão Cid Gomes(O Falso) contra Juazeiro. Basta lembrar que o governador Cid Gomes travou o aeroporto do Juazeiro, o mais importante do interior do Nordeste, por seis anos impedindo a Infraero de fazer melhoramentos urgentes e necessários. Mas Camilo Santana também é uma decepção. Macumunado com deputados estaduais inescrupulosos e demagogos aprovou e sancionou a Lei 16.198/2016, que impôs, de maneira absurda e irracional, novos limites territoriais ao município do Juazeiro passando parte de suas terras para Crato e Barbalha. Ora, o mínimo que se pode dizer é que o governador Caimilo Santana é um insensato porque é uma insensatez tirar terras do Juazeiro, que já é o menor município do Estado, para beneficiar C rato e Barbalha os dois maiores municípios da região do Cariri. 

Mais do qune insensato, o governador, ao sancionar essa lei, assinou uma declaração de guerra ao Juazeiro, mesmo porque ela foi aprovada, arbitrariamente, sem consulta púbulica, sem plebisicito ou qualquer discussão, sendo,. portanto, flagrantemente inconstitucional. Foi com base nessa verdade que o Tribunal de Justiça do Ceará decidiu, nessa semana, suspender a espúria lei aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo governador Camilo Santana, liderando a marcha da insensatez contra Juazeiro. Se fosse sensato, o governador teria vetado a parte da lei referente ao Juazeiro. As justificativas até agora apresentadas pelo Governo do Ceará são ridículas. 

Diz, por exemplo, que a última lei que consolidou os limites intermunicipais do estado do Ceará foi a Lei nº 1.153 de 22 de Novembro de 1951, ou seja, há mais de 65 anos, quando o Ceará somente detinha 95 municípios e hoje tem 184 municípios. E daí? O que Juazeiro tem de culpa nisso para ser punido? Agora, com a revolta do povo do Juazeiro, o Governo vem dizendo que não houve alteração nos limites legais entre Juazeiro do Norte e Barbalha e entre Juazeiro do Norte e Crato.Mas , anuncia que o Distrito Industrial do Cariri, em terras do Juazeiro, na Lagoa Seca, será dividido em três partes iguais para melhor gestão dos três municípios. Conversa fiada. O governador está epenas querendo ser bonzinho com Crato e Barbalha prejudicando Juazeiro. 

Ele sabe que Juazeiro é a maior cidade do Cariri e do interior do Ceará, que Juazeiro é o terceiro maior polo da indústria calçadista brasileira, que uazeiro é o principal centro econômico do Cariri e não pode ceder uim palmo de suas terras para os vizinhos. Mesmo que dividisse o Distrito Industrial do Cariri, proporcionalmente, três partes para Juazeiro, duas para Crato e uma para Barbalha, o Governo do Ceará ainda estaria sendo desonesto e injusto com Juazeiro.

 Além de ser Metrópole do Cariri, apresentando-se como o maior centro industrial e econômico do Cariri, Juazeiro é líder absoluto do Cariri em todos os sentidos. Graças ao seu trabalho, seu empreendedorismo e à sua determinação histórica. Ao contrtário de Crato que não produz, não constroi, não progride por seu esforço próprio, sobrevivendo de doações dos Governos estadual e federal. Em Crato, até o palácio do bispo foi doado por Juazeiro. Por tudo isso, Juazeiro deve exigir ao Governador Camilo Santana a revogação dessa lei. já suspensa pela Justiça do Ceará, porque, além a falta de respeito, ela é inconstitucional e uma agressão ao povo do Juazeiro, Cidade que mais cresce no Ceará e um dos 72 mesopolos econômicos do Brasil. 

Se o Ceará naõ gosta de Juazeiro assim e faz rudo para prejudica-lo, o melhor que Juazeiro faz e lutar para ser anexado ao Pernambuco porque aí tera todo o apoio para ser a cidade que mais cresce no Brasil e ficará livre de perseguições e ataques do mesquinho Ceara. Vamos à luta. 

(*)Jota Alcides, jornalista e escritor, é autor de "Padre Cícero - O Poder de Comunicação" e "Juazeiro, Cidade Gloriosa"

Amanhã, 6 de março, Revolução Pernambucana de 1817 completa 200 anos – por João Marcelo Sena

Fonte: jornal O POVO

Um dos principais momentos de instabilidade da Coroa Portuguesa nos tempos de Brasil Colônia completa dois séculos. Nesta segunda-feira, 6, a Revolução Pernambucana de 1817 chega a 200 anos. A revolta de caráter liberal e republicano tem peso histórico por ter sido a única em que, de fato, a família real portuguesa chegou a ter seu poder tomado. Mesmo que por um curto período de tempo e áreas restritas. 
Embora o centro das ações tenha sido, como o nome da revolta sugere, em Pernambuco, o Ceará teve participação no processo. Mais especificamente o Cariri.

Lá e naquela época, a família Alencar começava a expandir a influência política e econômica para além do nível local. Bárbara de Alencar, a matriarca do clã, e os filhos José Martiniano (pai do romancista José de Alencar) e Tristão Gonçalves foram os principais artífices locais da insurreição no Ceará.
Das quatro províncias em que houve revolta, o Ceará foi onde ela ocorreu de maneira mais discreta. Do dia que José Martiniano liderou a tomada da Câmara da Vila do Crato até o fim da “república” no Ceará foram apenas oito dias. Além do Crato, apenas a vila de Jardim — outro reduto de influência dos Alencar — foi tomada.
Os antecedentes que fizeram eclodir no Ceará a revolta são os mesmos das demais províncias em que ela ocorreu (Rio Grande do Norte e Paraíba, além de Pernambuco).

A região Nordeste passava como um todo por uma crise econômica provocada pela seca dos anos 1816-17, o que impactou diretamente nas exportações de algodão e açúcar. Além disso, começou a ser despertado um sentimento de lusofobia pelo fato de portugueses ocuparem os principais cargos administrativos da região e da alta quantia de remessas enviadas ao Rio de Janeiro com a chegada da corte de dom João VI ao Brasil.
O fim da revolta no Ceará se deu pela própria falta de força do movimento. A família Alencar tinha poder restrito ao Cariri e não conseguiu arregimentar lideranças nessa e em outras regiões. Embora tenham contado inicialmente com o apoio de José Pereira Filgueiras, capitão-mor e amigo da família, esse mesmo se viu pressionado pelo governador Inácio Sampaio a reprimir rapidamente a insurreição.
  Além disso, naquele mês de maio, as tropas de dom João VI já fechavam o cerco a Pernambuco, impondo-lhe derrotas em batalhas significativas, o que enfraquecia o movimento. Enquanto isso, o Rio Grande do Norte havia sido retomado pelas tropas reais em abril. Mesmo situação que ocorreria na Paraíba no dia 7 de maio.
Apesar do caráter discreto da Revolução Pernambucana em solo cearense, ela acabou tendo relevância à medida que a família Alencar passaria, a partir dali, a ter maior influência, mesmo com Bárbara, José Martiniano e Tristão tendo ficado presos e sendo, em seguida, anistiados. Era o primeiro momento de revolta deles contra a Coroa. Sete anos depois, estavam todos eles — inclusive Pereira Filgueiras — lutando contra o poder de dom Pedro I na Confederação do Equador. 

Personagens da revolução no CE
Bárbara de Alencar
Matriarca da família Alencar, dona de terras e de prestígio no Cariri. Deu apoio inconteste aos filhos José Martiniano, Tristão Gonçalves e Carlos José dos Santos na instalação da Revolução no Ceará.
Inácio Sampaio
Governador da província do Ceará e fiel à Coroa portuguesa. Reprime com veemência qualquer tipo de ação de caráter republicana.
José Pereira Filgueiras
Era o capitão-mor responsável por acabar qualquer tipo de distúrbio social. Se mantém isento nos primeiros dias, mas é pressionado pelo governador Sampaio a acabar com a revolta. Vai insurgir contra dom Pedro I sete anos depois na Confederação do Equador
José Martiniano de Alencar
Filho de Bárbara e pai do romancista José de Alencar, tinha apenas 22 anos em 1817. Trouxe do Seminário de Olinda as ideias iluministas e liberais que permearam a revolução.
(Texto de João Marcelo Sena)

Em Crato a data do bicentenário passará em branco – por Armando Lopes Rafael

    Vá lá. É verdade que a Revolução Pernambucana de 1817 não teve adesão, nem participação popular na Vila Real do Crato, em 1817. A condução daquele movimento, em terras caririenses, se  restringiu  à participação da importante família Alencar e seus agregados (moradores de sítios e fazendas dos Alencares). Entretanto a inserção de Crato naquele  episódio republicano é exaltado - aqui na Cidade de Frei Carlos - desde os primeiros bancos escolares. E é apresentado como o maior feito cívico desta cidade. Isso, a partir da implantação do regime republicano no Brasil, através do golpe militar de 15 de novembro de 1889.
     Apesar da propaganda pós-republicana, historiadores imparciais argumentam que há controvérsias sobre o que é repassado, às novas gerações, sobre a participação de Crato na Revolução Pernambucana de 1817.
     De qualquer forma este episódio da história cratense deveria ser comemorado (e não esquecido), principalmente neste 6 de março quando completa o bicentenário do seu acontecimento.  O Poder Público em Crato nunca comemorou a Revolução dos Alencares feita em 1817. O povo também nem lembra esse fato.
      Até a denominação da Praça 3 de Maio (data do início daquele movimento revolucionário em Crato) teve o nome mudado, em 1930, para Praça Juarez Távora. O povo persiste em chamar o logradouro de "Praça São Vicente". é assim que a praça é conhecida.


O que ficou de concreto na memória coletiva cratense da Revolução Pernambucana de 1817

   No apagar das luzes da administração do ex-prefeito Ronaldo Gomes de Matos foi inaugurado um “monumento” em homenagem a dona Bárbara de Alencar, em frente ao prédio da Coletoria Estadual, localizada na Praça da Sé, em Crato, construída no local onde foi a residência da respeitável senhora.
   A iniciativa não poderia ter tido um desfecho mais infeliz!
   Trata-se de uma “obra de arte”(?) de alvenaria mal feita, colocada rente à calçada. Na verdade, é um insignificante "mini" monumento. Mais do que isso: Trata-de de uma caricata figura de anã, burlesca, ridícula (representando dona Bárbara) que contém - além de tudo - um grave erro histórico. A anãzinha segura uma placa com o desenho da bandeira da Confederação do Equador de 1824 (da qual dona Bárbara não participou), ao invés de segurar o desenho da bandeira da Revolução Pernambucana de 1817, atual bandeira do Estado de Pernambuco.

Sobre este movimento 
Costuma-se dizer que a história é sempre escrita pelos vencedores. Os revolucionários republicanos de 1817 – derrotados pela contrarrevolução do monarquista cratense Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro – passaram a ser exaltados como heróis, somente após o golpe militar que impôs a forma de governo republicana no Brasil, em 15 de novembro de 1889. Os feitos desses republicanos de 1817, no Cariri cearense, hoje são divulgados em proporções maiores que as reais, tanto pelos meios de comunicação, como por parte de alguns historiadores. Do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro pouco se fala.
Quando se escreve sobre o efêmero movimento que foi a Revolução Pernambucana de 1817, em terras do Cariri cearense, omite-se a decisiva participação do Brigadeiro Leandro, ao debelar aquela revolta. Omite-se, também, a coragem pessoal e cívica de Leandro Bezerra Monteiro naquele episódio.

   Aliás, o historiador cratense J. de Figueiredo Filho, apesar de simpático às ideias republicanas foi veraz ao escrever: “Muito se tem discutido em torno da Revolução de 1817, na Vila Real do Crato. Foi movimento efêmero, que durou apenas oito dias. Ocorreu a 3 de maio de 1817, em consonância com a revolução que eclodiu em Pernambuco. Foi abafada, quase ingloriamente, a 11 do mesmo mês. É verdade que a vila bisonha de então não estava suficientemente preparada para a rebelião que, para rebentar, em Recife, necessitara da assimilação de muitas páginas de literatura revolucionária, da luta entre brasileiros e portugueses, em gestação desde a guerra holandesa e do preparo meticuloso, em dezenas de sociedades secretas, além de fatores econômicos múltiplos”. (01)

   Passados duzentos anos daquele episódio, e analisando de forma objetiva vários escritos e opiniões dos pesquisadores regionais chegamos à conclusão de que o que ocorreu no Cariri, em 1817, não foi uma simples disputa entre clãs familiares, como alguns historiadores escreveram no passado.
Tratou-se, na verdade, de um confronto de ideias. De um lado, o proselitismo e ações concretas em favor dos ideais revolucionários e republicanos, feitos por membros da ilustre família Alencar, um dos clãs mais importantes do Sul do Ceará. Mas o povo não apoiou os Alencares, que lutaram para impor uma ideologia estranha à mentalidade da sociedade caririense de então.
 Do outro lado, opondo-se a essas ideias republicanas, esteve Leandro Bezerra Monteiro, um homem dotado de profundas e arraigadas convicções católicas e monarquistas. 
   Relembre-se, por oportuno, que a fidelidade à Monarquia, por parte de Leandro Bezerra Monteiro e seu clã, motivou a concessão – partida do Imperador Dom Pedro I – da honraria ao ilustre cratense do primeiro generalato honorário do Exército brasileiro. Àquela época, embora em desuso, o posto de brigadeiro correspondia – na escala hierárquica do Exército Imperial – à patente de general.

***   ***   ***
    No mais, outro historiador cratense, José Denizard Macedo de Alcântara fez interessante análise sobre a mentalidade vigente na população do Cariri, à época da Revolução Pernambucana de 1817.  A conferir:
    “Um bom entendimento dos fatos exige que se considere a realidade histórica, sem paixões nem preconceitos. Ora, dentre os dados da evolução histórica brasileira há que se ter em conta o seguinte:
a)    a sociedade brasileira plasmou-se, em mais de três séculos, à sombra da monarquia absoluta, com todo o seu cortejo de princípios, hábitos, usos e costumes, não sendo fácil remover das populações esta herança cultural, tão profundamente enraizada no tempo;

b)    daí o apego aos Soberanos, a aversão às manobras revolucionárias que violentavam suas tradições éticas e políticas, os reiterados apelos de manutenção da monarquia absoluta, que aparecem, partidos de Câmaras Municipais – os órgãos públicos mais aproximados das populações – mesmo depois que Pedro I pôs em funcionamento o sistema constitucional de 1826;

c)    o centro de gravidade desta sociedade eminentemente rural era sua aristocracia territorial, única força social de peso na estrutura nacional, repartida em clãs familiares, e profundamente adita ao Rei, de quem recebia posições públicas e milicianas, além de outras benesses, sentimento este que mais se avolumara com a transmigração da Família Real, em 1808, pelo contato mais imediato com a Coroa, bem como pelos benefícios prestados ao Brasil, no Governo do Príncipe Regente;

d)    sendo insignificante a sociedade urbana, era mínima a capacidade de proselitismo da vaga liberal que varria o mundo ocidental, na época, restringindo-se a uma minoria escassa, embora ativa e diligente. (02)

    Donde se conclui que não houve simpatia, nem apoio da sociedade caririense às ideias republicanas da Revolução Pernambucana de 1817, difundidas no Sul do Ceará pelo seminarista José Martiniano de Alencar.

Obras consultadas para este artigo
(01) FIGUEIREDO FILHO, J. História do Cariri. Vol. I. Edição da Faculdade de Filosofia do Crato, 1964.  p.61 
(02) ALCÂNTARA, José Denizard Macedo de. Notas preliminares in Vida do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro. Secretaria da Cultura, Desporto e Promoção Social do Ceará, Fortaleza, 1978. p.26


Patativa, amigo e companheiro - por Carlos Rafael


Texto: Carlos Rafael Dias
Foto: Emerson Monteiro


Anualmente, o Centro Acadêmico do curso de História da Universidade Regional do Cariri – URCA, promove a Semana de História, com a realização de palestras, mesas redondas e outras atividades de cunho acadêmico-científico que versam sobre temas e questões pertinentes a esta área das ciências humanas. Para mim, é um evento permeado de muita afetividade, pois dele sempre participei, desde o tempo de estudante. Coube a mim, inclusive, relançar a Semana em 1994, quando fui chefe do Departamento de História da URCA.
Há cerca de uns dez anos, fui convidado pelos promotores da Semana para proferir algumas palavras na abertura do evento. Fiquei, então, a pensar no que iria falar naquele solene momento, mais ainda por se tratar também da abertura de uma exposição sobre Patativa do Assaré, figura icônica para todos nós caririenses. Repetiria os velhos e cansados chavões de que Patativa era um gênio literato, cuja obra era estudada nas maiores e melhores universidades do mundo? Ou diria que o poeta tinha sido em vida um porta-voz dos sertanejos desvalidos e injustiçados? Não, não diria aquilo ou isso. Daria um testemunho da minha convivência privilegiada com o homem e o poeta Patativa, pois sempre foi essa a minha relação com ele, mais de amigo e companheiro de militância cultural do que de admirador ou estudioso de sua importante obra. Falaria de Patativa como um participante do Salão de Outubro, mostra anual que realizávamos no antigo Parque Municipal do Crato, cujo ponto alto era o recital que ele fazia, encerrando a noite de sábado. Revelaria, até, o episódio em que Patativa foi instigado pelo poeta “marginal” Miró, vindo de Petrolina para participar do Salão de Outubro e que não se conformou com o monopólio de palco exercido por Patativa, que se alongava, como de costume, no seu recital. Miró também queria recitar e reclamou, com plenos pulmões, daquele “monopólio”. Patativa ouviu o protesto e fez um verso de improviso, convidando Miró para dividir o palco com ele. Miró atendeu ao convite e os que estavam no Parque naquela noite tiveram o privilégio de ouvir um recital que uniu duas gerações de poetas e dois gêneros de poesia, aparentemente díspares. Foi mais uma das inúmeras lições de humildade do poeta maior. Contaria, ainda, como Patativa fazia questão de colaborar com o nosso jornalzinho Folha de Piqui, nos dando a honra de publicar versos inéditos de sua lavra. Diria, enfim, de nossas frequentes visitas à casa de Patativa na cidade de Assaré, ali pertinho da Igreja Matriz, onde passávamos horas inteiras conversando e ouvindo-o recitar.
Foi o que fiz, em um ato que mais do que uma homenagem à Patativa pela sua antológica obra poética, foi um grato reconhecimento da sua importância em nossas vidas,
Patativa, além de um poeta fenomenal, um dos grandes da literatura universal, foi um homem íntegro, humilde, solidário, generoso, amigo e, em suma, um ser admirável. Portanto, sempre será um inspirador exemplo de vida pela sua profunda e honesta forma de viver.
Avis rara. Ave, poeta!


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