06 fevereiro 2017

Sentidos versus Espírito - Por: Emerson Monteiro

Os místicos, aqueles que leem a Natureza do ponto de vista da plena Felicidade eterna, falam de dominar o pensamento, e assim, dominando o ego, eu material, revelar o Si Mesmo. Vencer as forças do instinto, forças da existência só corporal e chegar aos planos ideais das possibilidades humanas. Nisso, controlar o impulso da carne e encetar a caminhada rumo ao desenvolvimento espiritual. A tese é bem esta, desvendar o sentido Norte do mundo invisível, de que muitos até nem admitem a possibilidade. No entanto, não fossem tais esforços inusitados, e o mundo andaria ainda arcaico no aspecto da animalidade face aos outros animais. Seria, por certo, o prolongamento da Pré-História, fase das feras lutando contra elas mesmas à busca da sobrevivência das espécies.

Tal seja, portanto, a sonhada proposta da Salvação; vencer a si nos aspectos nostálgicos da brutalidade e compreender, também de dentro de si próprio, a vitória sobre a decadência física em favor do Reino que não é deste mundo, de que contou Jesus.

Mas isto custa um preço em termos de controlar a força física e transformar o tempo da carne em poder, equivalente ao que demonstram as grandes almas, guias do Caminho aos espíritos ora vestidos na matéria em decomposição.

E a peleja persistirá enquanto houver quem dependa do exercício dessa razão a fim atravessar a faixa escura dos tempos e despertar nas potencialidades a que viemos encontrar.

Portando, na panorâmica dos conflitos, no íntimo e fora da pessoa, no espaço fronteiriço das eras e da Eternidade, habitamos soltos aos valores das duas lateralidades que persistem ao nosso dispor. A força bruta entre carnalidade e os sonhos de uma realização definitiva. Contexto incrível na sua formulação, aparentemente simples, porém que exige disposição e atitudes constantes de herói, se é que nos interessa vencer as ilusões e desvendar o mistério do largo Universo de que somos principais protagonistas.

(Ilustração: Oversoul, obra de Alex Grey).