25 dezembro 2017

Retrospectiva 2017: o Rio de Janeiro no fundo do poço

Servidores sem salário, desmonte na educação, saúde em colapso e violência crescente
Fonte:Jornal do Brasil On line
Enquanto a população do Rio de Janeiro sofreu em 2017 a maior crise da história do estado, o ex-governador Sérgio Cabral – 17 vezes réu e quatro vezes condenado pela Lava Jato - pareceu ainda gozar de privilégios mesmo na cadeia. Os servidores não tiveram dinheiro sequer para comer, os hospitais entraram em colapso, o comércio fechou as portas, o desemprego alcançou níveis alarmantes, a educação sofreu um desmonte e a escalada da violência matou até bebês antes de eles nascerem, e tornou alvos jovens pobres e negros e policiais militares que ultrapassaram a dramática marca de 100 mortos somente neste ano. Na prisão, Cabral respondeu por seus crimes contra o estado e a população fluminense com um simples pedido de desculpas.
Além disso, outros dois ex-governadores do Rio, Anthony e Rosinha Garotinho, foram presos na mesma Cadeia Pública, em Benfica. Na véspera de Sérgio Cabral completar um ano atrás das grades, também foram presos o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Jorge Picciani, e dois deputados estaduais, Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB.
Servidores Públicos
A venda da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio (Cedae) foi aprovada pela Alerj como forma de socorrer as finanças do estado. O governo do Rio prometeu utilizar todo o valor de R$ 2,9 bilhões para pagar o que deve aos servidores estaduais. A medida, entretanto, é polêmica, pois, segundo os funcionários da Companhia, com a privatização o consumidor passará a pagar mais pela água, a exemplo do que teria acontecido em empresas de saneamento vendidas à iniciativa privada em anos anteriores.
Segurança Pública
 A crise política chegou e a falência do Estado também. O clima foi de depressão e de mais violência. E essa violência atingiu em cheio a Rocinha. Tiroteios, toque de recolher, jovens perdendo o vestibular na Uerj, suspensão do direito de ir e vir e medo. O terror se instalou na Rocinha, enquanto na outra ponta da cidade era possível ouvir o som do famoso festival de música Rock in Rio, que atraiu mais de 700 mil pessoas de todo o Brasil.
A crise do Rio, entretanto, não atingiu somente a segurança pública. Quem assistiu a Tom Jobim ser homenageado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro em 1990 não imaginava que seu palco sofreria com um desmantelamento gradual, com risco de fechar as portas. A universidade que já formou três ministros do STF – Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Luis Roberto Barroso –, recebeu o líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, e foi pioneira em diversos programas públicos, como a idealização do Sistema Único de Saúde (SUS) e o sistema de cotas, sofreu com um grave processo de sucateamento, o pior em toda sua história, agravado pela crise financeira do estado.
Educação
Professores, ativistas, e defensores da rede pública e gratuita de ensino acreditam que a crise da Uerj é, na verdade, um projeto para acabar com a educação pública e gratuita. Um parecer da Subsecretaria vinculada ao Ministério da Fazenda, chegou a sugerir "a revisão da tarefa do ensino superior", caso o Estado falhe em colocar em prática alguma das medidas de ajuste já acordadas no Regime de Recuperação do Rio. Apesar disso, a Uerj foi eleita a 11ª melhor universidade do Brasil, segundo ranking da Times Higher Education, uma das principais avaliações educacionais do mundo todo.
Saúde
Na saúde, profissionais da área decretaram, no último dia 12, “calamidade pública técnica” no estado. A decisão foi dos conselhos regionais profissionais de medicina, nutrição, fonoaudiologia e fisioterapia, que justificaram a medida como forma de alerta para a crise que afeta hospitais e outras unidades de saúde.
Legado Olímpico
 Em meio ao caos, surge a pergunta: um ano após Olimpíada, e três após a Copa do Mundo, onde está o legado dos grandes eventos esportivos prometido pelos ex-governantes? Cabral virou mais uma vez réu, junto do ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) Carlos Arthur Nuzman, e o empresário Arthur César de Menezes Soares Filho, o "Rei Arthur", pelo crime de corrupção devido à suspeita de votos para a escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.
Fonte: Excertos da matéria publicada pelo Jornal do Brasil on line, disponível na Internet

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