29 dezembro 2017

Neste dia 1º de janeiro, Dom Fernando Panico chega aos 72 anos – por Armando Lopes Rafael


    Uma curiosidade: apesar de ter vindo ao mundo, em 27 de dezembro de 1945, Dom Fernando Panico foi registrado oficialmente como tendo nascido em 1º de janeiro de 1946. Seus pais, Vito e Luzia Piri Panico, bem como seus irmãos mais velhos – como toda a população italiana – tinham sofrido os horrores da Segunda Guerra Mundial. Os genitores de Dom Fernando tentavam esquecer as dificuldades que enfrentaram, no decurso daquele longo conflito. A Itália entrou na Guerra, em junho de 1940, e o conflito só foi encerrado em maio de 1945, com a capitulação da Alemanha. Naqueles cinco anos de luta armada, a população italiana sofreu com a falta de gêneros alimentícios e de medicamentos, com o desemprego, com a morte dos seus soldados, nos fronts de batalha e até com a falta de agasalhos para enfrentar o frio.
     Aliás, essas dificuldades ainda persistiram, durante algum tempo do “pós-guerra”. E motivou o Sr. Vito, patriarca dos Panico, a só efetivar o registro civil do filho caçula, no primeiro dia de 1946. Fê-lo como uma espécie de bom augúrio, com o desejo de que o novo rebento da família – que não tinha passado pelos padecimentos da guerra – pudesse levar uma existência, sem qualquer ligação com o passado bélico da Itália.
          Dom Fernando Panico foi o 5º Bispo Diocesano de Crato. Governou a nossa diocese por 15 anos e 6 meses. Dias atrás entrei no Hospital São Francisco e lembrei-me do nosso bispo-emérito. Logo após sua posse na Diocese de Crato, Dom Fernando se deparou com um problema que se arrastava há anos: o sucateamento do Hospital São Francisco. Este vinha sendo tocado, de forma empírica, por pessoas que não tinham experiência em gestão hospitalar. Sentiu Dom Fernando que a continuar aquele modo de gerenciamento, o Hospital São Francisco iria encerrar suas atividades. Como veio a acontecer, posteriormente, com o Hospital Pediátrico Mons. Rocha, com o Hospital Manoel de Abreu e com a Casa de Saúde Santa Teresa (todos em Crato). Bem como aos hospitais São Lucas e Santo Inácio (em Juazeiro do Norte), para citar apenas estes exemplos.
     Dom Fernando mandou realizar um profundo estudo, concluindo que a administração do Hospital São Francisco deveria ser feita por uma instituição especialista em gestão de casas para tratamento de saúde. Foi então que cedeu, através de um comodato, a gestão daquela unidade hospitalar à Sociedade Beneficente São Camilo, de São Paulo. Foi isso – e unicamente isso –, que evitou não só o Hospital São Francisco de encerrar suas atividades, como também melhorar e ampliar o seu atendimento, adquirir novos modernos equipamentos médicos, e servir hoje de referência hospitalar em todo o Sul do Ceará.

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