22 dezembro 2017

As imbecilidades publicadas no facebook – por Armando Lopes Rafael

     A ideia inicialmente era boa. O Facebook é uma rede social lançada em 2004 e que hoje ultrapassa 1 bilhão de usuários,  sendo por isso a maior rede social em todo o mundo. Existem, é verdade, boas postagens. Com mensagens construtivas, compartilhamentos fraternos,  bons e verdadeiros  vídeos e lindas fotos. Mas confesso que nunca me conformei com o número de pessoas que usa o facebook apenas para exibir  suas boçalidades; vender suas ideias pessoais ou ideologias de luta de classe, e falar mal -- sempre atacando irracionalmente -- quem pensa contrário. E, o pior, esses espíritos do mal, espargem seu ódio irracional e ainda se julgam “O Rei da Cocada Preta”. Iludem-se pensando que vão influenciar o comportamento de outros. Pelos frutos se conhecem as árvores! Li o interessante o artigo (que transcrevo parte abaixo) o qual  compartilho com o leitor um pequeno texto, por ser um escrito longo, mas  lógico:

O Brasil carcará -- Por Péricles Capanema
   
     Procurava subsídios para artigo e encontrei aos montes o que não esperava. Foi assim. Em vez de fixar a atenção apenas nas colaborações para os sites políticos das mais variadas orientações, voltei-a para a seção de comentários. Deparei-me com o horror. Mares de opiniões pavorosas pela irreflexão, superficialidade, insciência, despropósito, primarismo e boçalidade; aqui e ali, pérolas nos brejos, observações inteligentes.
    Aproveitei o embalo e, para verificar se o fenômeno era generalizado, fui espiar por alto repercussões em sites de futebol, mundo do espetáculo e algo mais. Mesma coisa. Propositadamente deixo de lado o enorme monturo da linguagem chula e dos palavrões. Não recomendo a peregrinação deprimente.
    Lembrei-me quase automaticamente de desabusadas e já antigas ponderações de Nelson Rodrigues: “Antes, o silêncio era dos imbecis, hoje são os melhores que emudecem. Até o século 19 o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Aquele sujeito que antes limitava-se a babar na gravata passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente. Houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas. Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas, hoje, os idiotas pensam pelos melhores”.
     Enquanto lia a seção dos leitores de vários sites, irritantemente me voltava à memória o refrão de conhecida música “Carcará, pega, mata e come”. Magro, feioso e voraz, um solidéu de penas pretas na cabeça, o pássaro carniceiro só sabe pegar, matar e devorar. Na paisagem sáfara, lá fica ele no alto, indiferente a tudo, menos às presas. Desce rápido e as estraçalha. Pousa então em galhos das árvores, cabeça alta, bicão tosco levantado. Logo depois volta a fazer o mesmo. É sua existência, bom símbolo de cegueira para a realidade, pensamento mínimo e arrogância.
    Termino com bonito, quase tocante, trecho de Nelson Rodrigues: “O ser humano é um caso perdido. E falo isto com a mágoa de quem queria ser um santo. O único ideal que eu teria na vida, se fosse possível realizá-lo, era ser um santo. Eu queria ser um sujeito bom. A única coisa que eu admiro é o bom, fora disto não admiro mais nada”. Programa para cada um, para o Brasil, apropriado especialmente para dias do Natal.

Um comentário:

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