05 novembro 2017

Tempos eletrônicos - Por: Emerson Monteiro

Essa fria solidão dos instrumentos mexe com a gente. Quando parecia que aceitávamos sair da caverna, eis quando eles chegaram, os tais cacarecos eletrônicos, a nos deter tanto mais agarrados às paredes ásperas do final de túnel. Algum pretexto haveria de haver. Da gente com a gente, diálogo impossível através das redes, espécie de lesma grudada dentro da alma. Teimosia de egoísmo.

Isso, no entanto, só num tom de avaliação, porquanto pouco de nada adiantaria rever os planos
quando o senso comum bem aceita tudo isto em nome da pretensa liberdade. Festa no céu das horas. Aonde virar, ali estariam todos de equipamentos, na busca desesperada dos contatos invisíveis com os seres de si próprios. Ansiedade. Busca acelerada de superar o princípio da destruição e do isolamento. O poço dos desejos ao nível dos dedos, corações no pulso. Máquinas e sonhos. Espelhos que, de novo, invertem o processo da civilização, selvagens na floresta virgem.

Abrimos os olhos, e a primeira ação representa, pois, atualizar os calendários antigos, gestos de pura ingenuidade mecânica. Porém como superar isso tudo e preservar alegria? Admitir que existe saída. Evitar melancolia. Aceitar as fases de aprender através dos meios de comunicação. Esperar em atividade, sem levar em conta o imprevisível da condição dos humanos.

Significação: Reverter o processo utilizando os elementos internos da pessoa, desde que transforme conhecimento em prática. Os profetas vieram ensinar que os painéis das naves dispõem dos comandos certos de modificar o curso e encontrar a consciência. Através da vontade, buscar os dispositivos de controlar o instinto e descobrir a razão principal de seguir a caminho.

Largar os apegos ao cenário que esfarela nos olhos vistos. Ninguém duvida mais da perecividade das ilusões que fogem apressadas. Contudo, procurar o definitivo servirá de guia, nas esquinas escuras dos mares bravios. Responder às questões abertas aqui no fruir do tempo.

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