10 novembro 2017

Polícia Federal investiga professor por ensinar comunismo na Universidade de Ouro Preto-Ufop

Fonte: jornal "Estado de Minas"   
 
André Mayer é alvo de inquérito policial, pedido pelo Ministério Público, porque teria desobedecido ordem de juiz federal que determinou a suspensão de centro de estudos sobre a ideologia na Ufop
Um professor da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) está sendo investigado pela Polícia Federal, a pedido da Procuradoria da República em Viçosa, após ter criado um grupo denominado Centro de Difusão do Comunismo (CDC) na universidade. A acusação contra ele é referente ao suposto desobedecimento da decisão de 2013 de um juiz federal do Maranhão que determinava o fim do projeto.
   O professor André Mayer, que coordenava o centro, manteve, como projeto próprio financiado pelo CNPq, um dos grupos de pesquisa ligado ao CDC – a Liga dos Comunistas, motivo pelo qual a investigação foi reaberta.O documento que instaura o inquérito pela Polícia Federal sustenta que o professor estaria “utilizando recursos públicos da Ufop para divulgação e realização de eventos de cunho comunista, contrariando ordem judicial proferida pelo juiz”. O Ministério Público Federal frisa que a investigação se dá pelo fato de que “não se sabe se suas ações comprovam o descumprimento da ordem judicial referida.”
    O professor André Mayer diz que não esperava essa investigação. “Em 2013 fomos pegos de surpresa com um processo judicial que queria suspender as atividades de um programa de extensão. Suspendemos, então, o programa. Um ano depois saiu a sentença em primeira instância ratificando a suspensão. Acabamos abrindo mão de ficar correndo atrás, seriam anos infindos. Decidimos, apenas, manter um grupo de pesquisa, um núcleo de estudos marxistas, que era inclusive anterior ao CDC, datado de 2009. Fez parte dele, mas é um grupo de pesquisa como um outro qualquer na universidade. Para nossa surpresa, novamente fomos notificados de que estamos intimados a depor”, comenta.
    André Mayer conta que “alguém acionou o Ministério Público Federal” e que a situação faz parte de um processo de “criminalização” dos movimentos sociais. “O nome preciso do que está acontecendo é criminalização do debate crítico contra a ordem do capital. O pensamento que coloca em xeque as relações sociais do capitalismo é um pensamento perseguido. Isso é secular, principalmente quando você está ligado aos pensamentos de Marx. A expectativa é de que teremos uma dura batalha pela frente, uma batalha política ideológica e jurídica”, explica.

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