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03 agosto 2017

Como era o Crato em 1838? – por Armando Lopes Rafael

Não é de hoje que o Crato se ressente de uma elite progressista aqui nascida 
 Desenho de Crato feito por José Reis de Carvalho em 1865,vinte e sete anos depois da passagem de George Gardner pelo Cariri

George Gardner visitou o Crato em 1838. Escocês, George Gardner era Naturalista, Botânico Memorialista, Intelectual, Pesquisador, Escritor, Ensaísta e Cientista.. Graduou-se em Medicina e Botânica. Muito jovem, aos 24 anos, iniciou uma visita de estudos ao então Império do Brasil. Dessa viagem Garden escreveu importante livro.
Da sua temporada em Crato, George Gardner não levou boa impressão. Eis o que ele escreveu sobre esta cidade:
“(A Vila do Crato) é uma cidade pequena e suficientemente mísera, com um terço de Icó em tamanho. Suas casas, muito irregularmente construídas, são todas térreas, com uma só exceção. Tem uma cadeia e duas igrejas, mas a primeira destas, inacabada, já tem toda a aparência de ruína, pelo tempo em que a deixaram assim. A cadeia, também, está de tal modo arruinada que mal lhe cabe o nome de prisão, embora encerre sempre uns poucos criminosos. Era guardada por dois soldados, que cumpriam seu dever tão molemente que, ao passar, eu os via ora jogando cartas, ora dormindo à sombra da casa. De um sargento que, quando ali estive, se achava preso por desobediência ao seu superior, sabia-se que saía todas as noites, por uma janela só de trancas de pau, para dormir em casa e voltar de manhã para passar o dia na prisão.
“Toda a população da Vila chega a dois mil habitantes, na maioria todos índios ou mestiços que deles descendem. Os habitantes mais respeitáveis são brasileiros, em maioria negociantes; mas como ganharam a vida as raças mais pobres é coisa que não entendo. Os habitantes desta parte da província, geralmente conhecidos pelo cognome de cariris, são famigerados no país, por sua rebeldia às leis. Aqui foi, e até certo ponto ainda é, embora em menor extensão um esconderijo de assassinos e vagabundos de toda a espécie, vindos de todos os cantos do país. Embora haja um juiz de paz, um juiz de direito e outros representantes da lei, seu poder é muito limitado e, ainda assim, quando o exercem, correm o risco de tombar sob a faca do assassino.
“Muitos criminosos de morte me foram mostrados andando livremente. O principal perigo a que se expõem é da parte dos amigos dos assassinados, que os seguem a grandes distâncias e não perdem oportunidade de tomar vingança. A moralidade dos habitantes de Crato é, em geral, baixa; o jogo de cartas é sua ocupação principal, durante o dia; quando faz bom tempo, vêem-se grupos de todas as classes, desde os que se chamam “gente graúda” até as mais baixas, sentados nos passeios, à sombra da rua, profundamente absorvidos pelo jogo. Os mais respeitáveis jogam dólares; os pobres jogam moedas de cobre ou usam grãos de feijão como tentos. São então freqüentes as brigas, que muitas vezes se resolvem a faca.
“Raramente os homens da melhor classe social vivem com as esposas: poucos anos depois do casamento, separam-se delas, despedem-nas de casa e as substituem por mulheres moças que estão dispostas a suprir-lhes o lugar, sem se prenderem pelos vínculos do matrimônio. Assim sustentam duas casas. Entre outros que vivem nesta situação posso mencionar o juiz de direito, o juiz de órfãos e a maior parte dos comerciantes. Não é de admirar tal nível de moral, quando se leva em conta a conduta do clero. O vigário, então um velho de setenta a oitenta anos, era pai de seis filhos naturais, um dos quais, educado para sacerdote, depois se tornou presidente da província e era então senador do Império, conquanto ainda conservasse seu título eclesiástico. Durante minha estada em Crato, veio ele visitar o pai, trazendo consigo sua amante, que era sua prima, com oito filhos dos dez que ela lhe dera, tendo além disso cinco filhos de outra mulher que falecera, ao dar à luz o sexto. Além do vigário, havia na vila mais três outros sacerdotes, todos com famílias de mulheres com quem conviviam abertamente, sendo uma das mulheres esposa de outro homem.”  (até aqui o escrito de George Gardner)

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Temos de reconhecer que somente depois da vinda de famílias da elite de Icó, que se transferiram para Crato é que esta cidade  começou seu processo de civilização. Eis o que diz o historiador cratense Irineu Pinheiro a este respeito, no seu livro “O Cariri”:
“(Somente) no meado do século XIX, começou a ascender o estalão moral da sociedade de Crato, que podemos considerar padrão de toda a zona caririense. Até então era inferior o nível de moralidade do lugar. Um dos motivos de aperfeiçoamento dos costumes foi a emigração para ali de famílias, especialmente de Icó, cujo esplendor principiava a declinar. Fixaram-se na nova terra fértil, menos sujeita às crises climáticas, enriquecendo-a com seu labor e, portanto, civilizando-a, os Alves Pequenos, os Candeias, os Bilhares, os Garridos, os Linhares, os Gomes de Matos e outros cujas descendências se prolongaram até nós. Frutificaram os bons hábitos familiares dos recém vindos”.
Postado por Armando Lopes Rafael

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