xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 06/01/2017 - 07/01/2017 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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25 junho 2017

Há um mosteiro na alma - Por: Emerson Monteiro

Espécie de silêncio e luz, na poesia existe a filosofia no seu estado mais puro. Passos dos corredores de mosteiro imaginário, tangem os dias feitos pastores de ovelhas que representam nuvens de céu imenso, o teto da humana consciência. Bichos que deslizam pelo céu ao sabor do vento. São as hora
s, os meses, séculos, universos, todos pertencentes ao rebanho das vagas deste mar de sacrifícios. No meio disso, alguns animais racionais vez em quando estiram o pescoço a sorrir, quais nunca fossem também cair no abismo sofisticado de firmamento aberto logo ali adiante.

A gente rezava, comia, dormia, acordava, transava, trabalhava, viajava, porém vivos adormecidos provisórios; lesmas dos rochedos da Eternidade; borboletas dos jardins abandonados; visagens de antigos castelos de sonhos de outras dimensões. Contudo submersos no desejo inexistente da imortalidade. Tudo corre, entretanto, pelo trilho estreito de quem vai primeiro e quem vai depois, tais filas incomunicáveis de seres indiferentes, uns pisando os outros, feitos cavalos selvagens. Importam nada as feridas, os desalentos. Embriagados no prazer, avançam inconscientes rumo do desaparecimento posterior no mistério.

Lá dentro, todavia, impera uma ordem original. Monges cautelosos suportam a ignorância dos seres cá de fora, sabendo, no entanto, que haverão de acertar as contas do que destruíram no afã de conhecer a liberdade que a Ciência lhes ofereceu de mãos abertas. Ninguém desconfie que escapara impune aos desmandos praticados. Só ter calma, e os acertos virão no momento aprazado. Porquanto o tribunal de si mesmo segue seu curso natural. Mais cedo, menos tarde, o anjo da balança comparecerá na cena trazendo o lenço que lhes enxugará as lágrimas diante da misericórdia do autor da Criação.

Elas, as ovelhas, regressão ao aprisco sob o princípio da necessidade que determina a existência viva nos corredores da alma, construção de antiguidade remota, antes de quando nem saber disso a gente avaliava um dia vier a conhecer na própria pele.

Relembrando Dom Vicente Matos -- por Antônio Correia Lima (*)

   Já disse e vou dizer de novo: nos idos de 1982, eu trabalhava como caixa do Supermercado Bazar 13, no Shoping Center Ibirapuera, os mais chic do país, nesta época. Dom Vicente foi atendido no caixa ao lado do meu e eu não tive a coragem de cumprimentá-lo por pura timidez da minha parte.         
   Até hoje me lamento por não ter tido a coragem de falar com ele, pois, sei que ele iria ficar muito contente.
   Boa parte da sociedade cratense foi muito ingrata com  Dom Vicente, e quem tem bigode branco, como eu, sabe do que estou falando.
(*) Antônio Correia Lima é historiador e editor do Jornal da Ponta da Serra.

Para 81% dos brasileiros, Joesley deveria ter sido preso, diz Datafolha

Fonte: Folha de S.Paulo, 25-06-2017
De acordo com o levantamento, 64% dos entrevistados acham que Procuradoria agiu mal ao fazer acordo com irmãos Batista; 83% dizem que Michel Temer está envolvido
O acordo de colaboração premiada que a Procuradoria-Geral da República fechou com os donos da JBS, ao prever multa, mas não a prisão dos delatores, foi mal recebido por 64% da população, mostra pesquisa Datafolha.
Outros 27% dos entrevistados afirmaram que o Ministério Público agiu bem ao firmar o acordo, por meio do qual os irmãos Joesley e Wesley Batista entregaram supostas provas e nomes sem serem denunciados criminalmente.
De acordo com o levantamento, 81% dos brasileiros disseram que os irmãos Batista deveriam ter sido presos pelos crimes que confessaram e 14% acham que não.
Em que pesem as críticas ao acordo em si, o envolvimento direto do presidente Michel Temer (PMDB) nos escândalos de corrupção revelados restou comprovado para 83% da população.
Para 6%, o peemedebista não teve participação direta e 11% não souberam dizer.
A pesquisa Datafolha foi realizada de 21 a 23 de junho com 2.771 entrevistados. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Joesley Batista gravou secretamente uma conversa que travou com Temer tarde da noite em março, no Palácio do Jaburu, em um encontro fora da agenda oficial.
O áudio, entregue como prova da delação, é uma das bases do pedido de inquérito sobre o presidente que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou ao Supremo Tribunal Federal.
Temer deve ser denunciado nesta semana sob acusação de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça.
O trecho mais ruidoso da conversa se refere ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Janot afirma que, durante o encontro com Joesley, Temer deu aval para a compra do silêncio do ex-congressista. Temer nega.
Ao fechar o acordo com a PGR, os irmãos Batista se comprometeram com o pagamento de R$ 110 milhões cada um. Uma operação cambial bem-sucedida da empresa na sequência da revelação dos áudios despertou ainda mais críticas.
Sem denúncia formal, os delatores não correm risco de serem submetidos a medidas impostas a outros delatores da Operação Lava Jato como ir para a prisão ou usar tornozeleira eletrônica.
Aos irmãos Batista foi permitido que fossem para os Estados Unidos e pudessem manter o controle das empresas do grupo.

24 junho 2017

A revolução interior - Por: Emerson Monteiro

Ser de direita ou de esquerda, hoje, virou traste de antigamente. Isso aconteceu há bem pouco tempo, menos de 50 anos, quando vieram abaixo muros e experiências do século XX que demonstraram a fraqueza do caráter humano em desenvolver projetos ideais de transformação sócio-política, que redundaram em profundos fiascos e custos elevados nos termos de possibilidades práticas dos estudos econômicos. Foram decepções cruciais da renovação coletiva. Venceram, ao final, os interesses próprios. Mera prostituição dos valores morais que devoraram tanto idealismo de gerações inteiras.

Daí, continuidade dos sistemas de poder só adotou mediocridade e corrupção por norma de governo, e o neoliberalismo inglês invadiu palácios e cocheiras, independentemente das cores das bandeiras tremulando em um mundo de castas e mercados. Rússia, China, Cuba, Alemanha, Japão, nações que experimentariam modelos outros de administração dos destinos de Estado, agora professam credo único de governança em que prevalece o interesse das minorias detentoras das finanças, e os demais segmentos que respondam pela força de trabalho para alimentar o monstro Moloc.

Frustraram todas as grandes teorias de mudanças imaginadas pelo gênio filosófico, apenas matéria de sala de aula nas escolas distantes da atualidade real. Tão só memória de sonhos, resta dizer com todas as letras.

E o velho ser humano, inventor das hegemonias dos paraísos sociais, persiste estrada afora no sentido da Eternidade. Fazer o quê, senão viver consideravelmente? Responder ao desafio da espécie que se alimenta das outras espécies, movida pela sanha mineral dos combustíveis fósseis? Nisso conta a sinceridade: De dentro dos tais protótipos embrutecidos, virá, sim, a grande transformação que se deseja aos milênios, ora solapada no lucro da miséria, da ambição e do egoísmo.

Existirá o direito de realizar mundo melhor. Nada de fugir a título de enterrar no tempo os atores do heroísmo da felicidade. Pois habita, nas cavernas da consciência, o antídoto que vencerá a ilusão de poder. Esta a verdadeira revolução de que falam os místicos. Encetar em si o mistério do sentimento e concretizar, neste Chão do coração, os valores infinitos da Ética universal.

Coisas da República: Há 50 anos, Brasil deixava de ser "Estados Unidos do Brasil"


A Constituição que passou a vigorar em 1967, durante o regime militar sob o comando do general Arthur da Costa e Silva, abandonou o antigo nome que datava da proclamação da República.Há 50 anos, o Brasil deixava de usar o nome oficial "República dos Estados Unidos do Brasil", que perdurava oficialmente desde 1891, época da primeira Constituição republicana do país.
O Brasil já teve 7 Constituições e em São Paulo lançaram a campanha pela confecção da 8ª Constituição, que seria "parlamentarista". Nem isso salvará o fracasso da República.
Mas voltemos à 6ª Constituição, a penúltima. A mudança foi estabelecida com a entrada em vigor da Constituição brasileira de 1967. Elaborada pelo regime militar sob o comando do general Arthur da Costa e Silva, ela entrou em vigor em 15 de março daquele ano. O documento foi denominado simplesmente como "Constituição do Brasil", ao contrário das versões republicanas anteriores, que apresentavam o nome "Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil" ou "Constituição dos Estados Unidos do Brasil".
Em 1969, uma emenda reconfigurou o texto de 1967, que passou a se chamar Constituição da República Federativa do Brasil, nome que permaneceu na elaboração da Constituição de 1988, que está em vigor hoje. Em 1968, uma lei estabeleceu a substituição do nome "Estados Unidos" por "República Federativa" em símbolos nacionais, em brasões e selos oficiais.

Perdurando por quase 75 anos, os "Estados Unidos do Brasil" eram o sucessor do monárquico "Império do Brasil", estabelecido pela Constituição de 1824 e que vigorou até 1889. Ao usar "Estados Unidos", a Constituição de 1891 procurava explicitar a postura do novo regime republicano, que deu fim ao Estado unitário que vigorava no Império. O documento promoveu a descentralização política e uma nova relação entre o poder central e as antigas províncias do país, que passaram a se chamar Estados e conquistaram mais autonomia. O modelo foi inspirado na Constituição dos Estados Unidos da América.
À época, a grafia de Brasil ainda era "Brazil" - isso só mudou com um decreto em 1931.
Os "Estados Unidos" permaneceram nas constituições de 1934, 1937 e 1946. Apenas a Carta autoritária de 1937, apelidada de "polaca" pela semelhança com a Constituição Polonesa de 1935, alterou levemente o nome, denominando o país como "Estados Unidos do Brasil", retirando a palavra "república" - que voltaria em 1946.
Jornais da década de 1960 revelam que não houve muita discussão sobre os motivos do abandono do nome "República dos Estados Unidos do Brasil".
O país vivia então sob o regime militar. Segundo o jurista José de Almeida Melo, autor do livro Direito Constitucional do Brasil, os militares queriam evitar que o nome oficial fosse confundido com o dos EUA. Outras fontes apontam que o governo militar queria assinalar uma mudança radical com o passado e salientar as mudanças pela qual o país passava.
Antes da independência, o Brasil foi chamado Terra de Santa Cruz, Vice-Reino do Brasil e Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, e até mesmo Pindorama (pelos índios), entre outros nomes.
Apesar de ter saído de cena há 50 anos, o nome Estados Unidos do Brasil foi objeto de uma gafe do senador e ex-ministro das Relações Exteriores José Serra. Em 2012, durante uma entrevista, Serra se referiu ao país como "Estados Unidos do Brasil". Ao ser corrigido pelo entrevistador, perguntou: "Mudou?"
Abaixo, a primeira bandeira republicana do Brasil
que durou apenas 4 dias

A República envergonhada

Em viagem oficial à Europa, o Presidente da República, Michel Temer, tem passado por situações no mínimo constrangedoras.

Na Rússia, o Presidente Vladimir Putin o presenteou com quatro cartas escritas, ninguém mais, ninguém menos, do que pelo Imperador Dom Pedro II ao então Czar da Rússia. É interessante lembrar que, anteriormente, o então Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, havia presenteado a ex-Presidente Dilma Rousseff com a primeira página de um jornal toda dedicada à visita do nosso segundo Imperador aos Estados Unidos, em 1876.
Estariam esses mandatários estrangeiros adotando uma postura de ironia ao presentear dois Presidentes, afundados em acusações de corrupção e índices de aprovação popular próximos de zero, com relíquias ligadas ao Imperador que entrou para a História como o maior estadista brasileiro, profundamente amado até hoje por seu povo?
Mas os constrangimentos de Temer não pararam por aí. Na Noruega, a Primeira-Ministra Erna Solberg disse, em coletiva de imprensa, tendo o mandatário a seu lado, esperar que a Operação Lava Jato faça uma “limpeza” no quadro político. A Noruega, uma Monarquia Constitucional, está entre as 10 nações mais democráticas e menos corruptas do mundo, de acordo com índices internacionais. Já Temer – assim como todos os nossos ex-presidentes vivos – enfrenta uma série de acusações de corrupção, bem como boa parte dos membros do Congresso Nacional.
Tudo isso nos faz lembrar um caso amplamente noticiado em 1993, quando o então Presidente Itamar Franco, assustado com a expansão do voto monárquico no Plebiscito daquele ano, mandou retirar de seu gabinete no Palácio do Planalto um quadro retratando o Imperador Dom Pedro I, e o “trocou com toda pressa” por um busto do Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva, a fim de “exorcizar” aquele crescimento.
Tendo em vista a eclosão do apelo popular pela Restauração Monárquica, será que o quadro do Imperador retornou às paredes palacianas?

(Publicado originalmente no facebook do Pró Monarquia)
Imperador Dom Pedro II

22 junho 2017

"A praça dos nossos sonhos" - Por: Emerson Monteiro

Este o título de livro lançado no Instituto Cultural do Cariri, em Crato, no dia 19 de junho de 2017, da autoria de Carlos Eduardo Esmeraldo e Magali de Figueiredo Esmeraldo. São recordações preciosas e guardadas com carinho, a mitigar a sede dos muitos que lhes virão conhecer de perto.

Quanta saudade viva mora bem ali no passado, e que só a boa literatura disso fala de cátedra, enquanto mantém aceso o fulgor de felicidade que a tantos representam, iniguais momentos da real felicidade.  Qual bem disse Machado de Assis, em Dom Casmurro: Mas saudade é isso, o passar e repassar das memórias antigas.

Nas tardes frias das ausências destroçadas, nascem as palavras felizes de Carlos e Magali, a dizer intensamente da geração de que sobrevivem, sedentos da oportunidade oferecida pela literatura, arautos das variantes de si e dos povos, quais missionários de contar e soldados que amam o fazer com paixão seu ofício.

Espelhos abertos, pois, daquele passado que agora refazem no desejo valioso de preservar a qualidade dos instantes mágicos, guardam nos textos o sentimento que os produz, na arte do elaborar das letras.

Viagens, perfis, episódios, apreensões, mundos distantes no tempo das origens, inesperados, anedotário, costumes, registros fundamentais do grupo social, tudo dentro de cuidado técnico de jamais perder aspectos que restariam largados às malhas do esquecimento.

Páginas inteiras de revivescências vindas à tona sob o preceito de acreditar no sabor das lembranças mantidas no amor e no estilo. Os dois, marido e mulher, agora integram, por isso, esse bloco seleto dos memorialistas do Cariri da segunda metade do século XX.

Nosso mundo disporá, também, da qualidade destes bons escribas a lhe reservar capítulo especial nas histórias pessoais com que leram seu mundo, de importância a toda prova.

Assim, diante desse livro de fragmentos pinçados de passados narrados com eficácia, rendemos reconhecimento ao enlevo dos tantos leitores privilegiados de receber A praça dos nossos sonhos, numa edição da Editora Mentor, de Crato, Ceará, palco dos seus acontecimentos.

Crato: Comunidade do Gesso reivindica iluminação


Desde de 2014  os moradores da comunidade do Gesso vem reivindicando da Prefeitura Municipal do Crato iluminação pública para lugar. Na época o documento assinado pelos moradores foi encaminhado para a coordenadoria  de Gestão Energética e Iluminação Pública do Município.  

Esse ano, a comunidade encaminhou abaixo-assinado ao prefeito municipal solicitando novamente que fosse colocado luz no lugar onde foi construída a quadra esportiva que será inaugurada nesta quarta-feira, dia 21. 

Conforme o documento, a iluminação na Quadra contribuirá para o uso do equipamento no período noturno, tendo em vista que durante o período matutino ficará inviável por conta da ausência de cobertura. Os moradores destacam ainda que proporcionará a ocupação de todo o largo como espaço de integração, ludicidade e interação comunitária e intercomunitária, tendo em vista, que pelo período noturno, pela baixa luminosidade o fluxo de pessoas no local é reduzido. É enfatizado no documento, que a ação colaborará  para uma cultura de paz e otimizará a autoestima da população, bem como irá   contribuir  para  segurança do lugar.

Por: Moisés Rolim
Colaborador - Parceria com o site NewsCariri



19 junho 2017

Calmo, porém ligado - Por: Emerson Monteiro

Nestes tempos de entregas e delações premiadas, quando baixou uma crise de consciência em meio a indefinições dos destinos políticos, tanto do País, quanto do resto do Planeta, o cidadão médio segue seu curso natural de trabalho e organização, conquanto tem contas a pagar e vidas a viver. As notícias, que parecem antigas, nem mais representam escândalos, de tão rotas e banais, por mais graves que sejam. Aquilo de quem conhecia previamente anda nas alturas dos donos do poder. Espécie de bufões contratados e bem pagos a fim de cumprir os papéis da cena, há que mostrar serviço e haver mudança de seleção por parte dos eleitores logo nas eleições próximas, sob pena de deixar o adversário gostar do jogo e o povo amargurar ainda mais as mesmas derrotas do passado.

Bom, mas o que nos significa responder aos tais enigmas e contradições dos que fazem uma nação aceitar de braços cruzados as oportunidades valiosas dos turnos eleitorais e oferecer cheques em branco aos velhos fregueses da coisa pública, num total desconhecimento do que seja democracia e o valor do voto? Isso que se repete desde que o Brasil é república. Esperar de quem, vez que o direito de escolha é conquista da grande população?

Seriedades mil exigem a seleção das lideranças no transcorrer da história. Exemplos sobram de desmandos praticados e de quem responderá friamente nas barras dos tribunais. O que parecia tão simples, a escolha dos estadistas de valor e lançá-los ao comando das massas, depois de séculos acrescenta muito pouco em termos de aprimoramento das instituições democráticas.

No entanto, o tempo reclama atitudes mínimas de coerência do cidadão para consigo próprio. Buscar o exercício da responsabilidade no trato das seleções, que seja o princípio de grandes transformações com vistas ao futuro da cidadania, sobretudo nas mãos dos eleitores e partidos políticos.

HOJE - Blog do Crato em Festa ! - Lançamento do livro "A Praça dos nossos sonhos" no Instituto Cultural do Cariri


Colaboradores do Blog do Crato lançam livro hoje, dia 19 de junho, segunda-feira, no Instituto Cultural do Cariri.



Os autores Carlos Eduardo Esmeraldo e Magali Esmeraldo lançam hoje, dia 19 de junho às 19h no Instituto Cultural do Cariri, o livro: 'A Praça dos nossos sonhos", escrito pelo casal, e que se compõe de inúmeras histórias sobre a sua vida, "causos", e fatos ocorridos na cidade de Crato. O trabalho foi gestado durante os 12 anos em que os autores são também assíduos colaboradores do Blog, através da postagem de centenas de histórias, crônicas e comentários. No evento, a palavra de diversas pessoas da sociedade Cratense, noite de autógrafos, bem como reportagens e entrevistas com os participantes .O Blog do Crato estende o convite a todos os caririenses que apreciam a leitura de um bom livro. Definitivamente, recomendado !

Por: Dihelson Mendonça.
www.blogdocrato.com




18 junho 2017

Lições de solidão - Por: Emerson Monteiro

E perguntar a si, diante dos limites da dor, onde achar as respostas inevitáveis do resistir a qualquer custo. (Lembrar as angústias de Castro Alves em face dos sofrimentos da escravidão (Deus, ó Deus, onde estás que não respondes. Em que mundo, em que estrela Tu te escondes, embuçado nos Céus?) Dor em tudo; dói a vida, dói pensar, resistir, imaginar; até sorrir, que dói Só dói quando rio, qual diziam as charges de O Pasquim, na década de 60.

No entanto, que outro jeito senão viver, amar, e ser feliz, bem feliz diante da dor, por maior que seja ela. Solver intensamente o cálice da Salvação, tal fez Jesus no caminho do Calvário, perante a solidão cósmica no rumo do Pai Eterno, a lhe aguardar logo à frente, pelos braços abertos da cruz, e depois, no terceiro dia, na abertura dos Céus que o receberam. Guiado através das sendas da Luz, abraçou a paixão no martírio de demonstrar aos demais, que somos nós, como ultrapassar a barreira da transcendência e desvendar, sem temor, o mistério da Eternidade.

Enquanto aqui percorremos as veredas da angústia, do desgosto e da ilusão, por vezes, inebriados na própria ignorância e lançados às turbas da inutilidade, vemos esses dias tão parecidos a desfilar no limbo os trilhos da desigualdade humana; hienas a gargalhar no som dos mambos tecnológicos e séculos sucateados. Ninguém que veja ninguém, no passar desses quadros de fita dos filmes de antigamente.

Erguer aos Céus, pois, o petitório das seitas, gritos lancinantes frutos das agressões dos que ferem o silêncio e deixam um clamor de fera ferida vagando pelos ares. Todos bem desejam aplacar a fúria da solidão que invade a alma. Aços em brasa lhes rasgam as carnes. Quanta distância ainda resta ao Poder Magnânimo e que haveremos de percorrer até a Paz chegar ao coração? Olhos fixos lá longe, nas barreiras do destino, apenas sonham ver, de uma vez e para sempre, o nascer infinito deste Sol.

17 junho 2017

Maduro resiste na Venezuela porque chavistas temem vingança da população -- por Demétrio Magnolli

   A Venezuela entra, rapidamente, na lista de Estados falidos, em meio a sinais de uma guerra civil de baixa intensidade. Uma maioria esmagadora pede o fim do regime violento, mafioso, de Maduro. A camarilha chavista, porém, engaja-se no golpe da "Constituinte comunal", a desvairada tentativa de implantar um poder absoluto. Por que, face à catástrofe, Maduro recusa uma transição constitucional, por meio do referendo revogatório ou da antecipação de eleições presidenciais? A resposta não tem mistério: os chavistas temem o espectro da vingança.

   O sistema democrático assegura a alternância pacífica de poder porque elimina da cena o medo da vingança. Contados os votos, o perdedor congratula o vencedor, reconhece publicamente o resultado e transita para a oposição. Mesmo em episódios de crise aguda, como o impeachment, a lei é cumprida: a presença de um Judiciário independente garante que o novo governo não ameaçará a liberdade, ou a vida, dos derrotados. No Brasil, o PT gritou "golpe!", mas circunscreveu sua irresponsabilidade ao palco do teatro político: Dilma, afinal, não chamou os militares para proteger um governo legal ameaçado, nem (ufa!) acorrentou-se ao Planalto, em gesto dramático de resistência cívica.

   Nas tiranias, o medo da vingança complica as transições políticas. Hitler só adotou a "Solução Final" quando concluiu que rumava para a derrota militar. O extermínio de todos os judeus do Reich aparecia, aos olhos dos nazistas, como a realização de um objetivo nacional supremo e como uma apólice de seguro contra a retaliação. Longe desse caso extremo, regimes autoritários só cedem pacificamente o poder mediante acordos de transição capazes de dissolver a sombra da revanche. Da "anistia irrestrita" brasileira à "comissão da verdade" sul-africana, contratos de impunidade total ou condicional persuadiram os ditadores a renunciar ao Palácio. O chavismo jamais abdicará sem algo assim.

   Circula, na Europa e América Latina, um inédito manifesto de "intelectuais de esquerda" que denuncia, com anos de atraso, o "caráter autoritário" do regime de Maduro. O texto destina-se a sanitizar as preciosas biografias dos signatários, entre os quais encontram-se antigos adoradores da "revolução bolivariana", como o português Boaventura de Sousa Santos, o brasileiro Chico Whitaker e o peruano Anibal Quijano. Contudo, cumpre involuntariamente uma função útil, acelerando a divisão nas fileiras chavistas. Nicmer Evans, líder da Maré Socialista, corrente dissidente desde a morte do caudilho, assina o manifesto internacional. A procuradora-geral Luisa Ortega, uma fiel histórica, rompeu com o regime. Olly Millán, Hector Navarro e Ana Osorio, ex-ministros de Hugo Chávez, saltaram para a dissidência. A cisão interna é um elemento crucial na transição, pois dela emergem interlocutores viáveis para um acordo.

   Maduro descreve seu regime como um "movimento cívico-militar". A cúpula das Forças Armadas, componente vital do chavismo, mantém-se leal porque extrai rendas milionárias do negócio da distribuição de alimentos importados e, especialmente, pelo temor da vindita. Mas, refletindo a inquietação na oficialidade e entre os soldados, o general Alexis Ramírez renunciou à chefia do Conselho de Defesa Nacional. Sair agora é uma forma de comprar segurança no mercado futuro.
Desenham-se as condições para a negociação da transição. De fato, ao conservar encarcerados líderes relevantes da oposição, o regime opera sob a lógica da troca de reféns, visualizando a hipótese de um intercâmbio político. A saída, que depende de um acordo entre os atores venezuelanos, não prescinde da mediação diplomática. É hora de dissipar o espectro da vingança, garantindo aos chavistas um lugar seguro no jogo da democracia. Se o Brasil tivesse um governo, não seria missão impossível.

Marcas da felicidade - Por: Emerson Monteiro

Ouvi, sim, no meio daquela noite, o tropel contundente de um carroção a percorrer o silêncio. Acordado de chofre, o som sacudiu meus ossos no estranho tocar de rodas do calçamento de pedra. Algo dizia que já ouvira antes o som do que passava. Tal fosse o emissário dos resultados destas vidas, tangido pelo homem idoso dos dias, conduziu consigo o animal de carga que arrastava o carro da justiça, na missão de recolher restos de infelicidade que ficaram no passado. Espécie de emissário do Eterno das gerações, responsável pelo que executava com determinação, levava no transporte escombros de tudo que restara, sonhos desfeitos e ilusões perdidas.

Dali adiante, saudades antigas não precisavam mais. Hora de mistérios vivos acendeu o céu do horizonte de lâminas intenso e puro brilho, claro forte da luz das estrelas na fria madrugada de junho. Adeus ao medo e à solidão. As incertezas doutras eras sumiram lá fora, na neblina que se desfez nos vastos limpos do dia. Foram secas as dores do parto da felicidade, disso testemunhavam. Depois de outro tempo, cicatrizes viraram só sinais de esperança e paz. Sabores de ausências desaparecem do íntimo, e a alma cresce pouco a pouco.

Aquele carroção das dores partidas percorria de volta o caminho do calvário e levava a bem longe tudo quanto o homem velho transformara nas idades de transformação e consciência.  Degrau por degrau, o antigo sofrimento palmilhara o curso de vencer a ignorância e aceitar ser feliz, dominar os instintos da matéria e revigorar as forças do coração reanimado.

Itinerário da beleza, reviveu o pleno direito de sonhar novas possibilidades, espécie de dever da natureza em amar quem sofreu, sinais de desmonte da espécie no lenitivo bom de tantos e em todo lugar. O tropel das incertas multidões agora simplesmente trescala festa e alegria, no sorriso doce dos que nascem de dentro da noite na graça da  viva Salvação.

16 junho 2017

Prefeituras de Juazeiro do Norte e Barbalha já têm serviços para mostrar

Juazeiro vai revitalizar a Praça Padre Cícero
A obra mais impactante acontecerá na Praça Padre Cícero, que passará por uma grande reforma. O prefeito Arnon Bezerra diz que as cidades são como as mulheres: precisa se cuidar delas para ficarem bonitas.
Reforma da Praça Padre Cícero será inspirada na antiga praça dos anos 60
   A Prefeitura de Juazeiro do Norte, por meio da Secretaria de Infraestrutura (SEINFRA), reforma e constrói praças no Município. Desde o início da gestão, duas praças já passaram por recuperação e outra foi construída no Bairro Lagoa Seca. Uma das principais acontecerá na Praça Padre Cícero, onde o projeto prevê reformulação, resgatando traçado original, dos anos 60 e 70. O Prefeito Arnon Bezerra pretende entregar a obra pronta até o mês de dezembro deste ano, e afirma que o espaço vai se tornar um dos mais belos do Estado do Ceará, tornando-se uma referência turística.
   Outra aquisição será a reativação do relógio que fica na torre central da praça, que voltará a funcionar. Serão adquiridos novos bancos, lixeiras e piso, o terminal de ônibus será realocado e o espaço passará a ser uma rua com lanchonetes e restaurantes, que irá abranger três quarteirões e acomodar os vendedores que atualmente ficam sobre a praça. O projeto é amplo e conta com parte do recurso angariado através da Caixa Econômica Federal (CEF) e outra parte do Governo do Estado, totalizando R$ 4,5 milhões.

Barbalha: Um prefeito competente que enfrenta e resolve os desafios
(Ao lado o novo escudo de Barbalha. Adaptado à heráldica pelo atual prefeito)
O prefeito Argemiro Sampaio apresentou aos barbalhenses as ações e projetos desenvolvidos nos primeiros 100 dias de gestão. O ato aconteceu na noite do último dia 10, no Cine Teatro. Após detalhar a dívida do Município – mais de R$ 22 milhões, ao tomar posse, mostrou-se otimista e pronto para mudar Barbalha. Somente em projetos cadastrados nos Ministérios são cerca de R$ 15,6 milhões e em emendas parlamentares mais R$ 4 milhões, basicamente para serem aplicados em saúde e infraestrutura.
Argemiro citou outros números importantes para o Município e fatos que marcaram este começo de governo, como o fim da greve da Saúde, com quase 2 anos de duração; o reajuste de 7.6% aos professores, enquanto o Governo do Estado deu apenas 2%; abertura da Escola de Tempo Integral e de creches. Destacou também o aumento de 70% nas vagas para a Educação Infantil, o retorno de mais de 3 mil alunos às salas de aula, este ano; e o transporte gratuito para os universitários.
O prefeito deu ênfase ao fato de Barbalha ter sido o primeiro município do Ceará a pagar o precatório do Fundef a mais de 2 mil professores, injetando mais de R$ 15 milhões na economia local. Citou, ainda, as articulações para a vinda de recursos aos Hospitais, que resultaram na liberação de R$ 11 milhões, anualmente. Na oportunidade, fez agradecimentos a parlamentares cearenses que teem contribuído, efetivamente, não só neste caso dos hospitais mas também com a alocação de verbas para o Município.

E o Crato?
O Crato continua igualzinho ao final da desastrosa administração do prefeito Ronaldo Gomes de Matos – o “fenômeno”. No centro, muitas calçadas esburacadas pela destruição que foi feita há mais de ano para implantar o acesso aos portadores de cadeira de roda. Ficou só a buraqueira.
O projeto “Zona Azul”, que há dez meses foi desativado, e há seis meses o novo prefeito anunciou que será novamente criado, não saiu do papel. Imagine: se uma medida tão pequena não foi resolvida,  como serão solucionados os grandes problemas de uma cidade com mais de 130 mil habitantes?
O estacionamento para veículos no centro de Crato virou um caos diário. Reclamações é o que se ouve todos os dias. E a população já não tem esperança de que este simples projeto -- tão simples --  seja mesmo solucionado...
(Postado por Armando Lopes Rafael)

15 junho 2017

Colaboradores do Blog do Crato lançam livro dia 19 de junho, segunda-feira, no Instituto Cultural do Cariri

O Blog do Crato estende o convite recebido a todos os caririenses que apreciam a leitura de um bom livro

Coisas da República:o caos deixado no governo do Estado do Rio de Janeiro -- por Newton Faro Guimarães

O Estado do Rio completou seis meses de atraso no pagamento do 13.º salário de 2016. 
São mais de 230 mil servidores, entre ativos, aposentados e pensionistas, que não receberam o abono natalino, porém o reajuste dos valores não está garantido, razão pela qual, a partir de agora, além de cobrar o que é devido pelo governo do Rio aos servidores de diversas categorias, querem garantir também a correção monetária sobre o período de atraso, direito previsto na Constituição estadual, que determina ao governador pagar a correção monetária sobre o que for pago com atraso. 
 Cabe ressaltar que o governador Luiz Fernando Pezão já assinou o aumento da alíquota para 14% do Rio Previdência, dos servidores ativos e aposentados, mesmo com repúdio dos servidores do Estado, que estão sem receber os salários de abril e maio, e o 13.º de 2016.  

(*) Newton Faro Guimarães newtonfaro@yahoo.com.br

Enquanto isso, o ex-governador Sérgio Cabral pode ficar preso por 20 anos 
Fonte: Revista VEJA
  
Preso desde novembro do ano passado, o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), tem se revelado imbatível em quebrar recordes. Nenhum político brasileiro tornou-se alvo de tantas ações penais (ele cravou dez) na operação Lava-Jato. Até agora também não apareceu ninguém que teve o próprio bolso tão generosamente irrigado pelo propinoduto — os procuradores recuperaram mais de 300 milhões de reais em quinze contas no exterior que, embora em nome de doleiros, são de Cabral.
   Na última terça 13, ele deu mais um passo em direção ao topo do ranking da vergonha. O juiz Sérgio Moro o condenou a 14 anos e dois meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. “Ainda tem muita coisa para vir por aí”, antecipou a VEJA um procurador envolvido nas investigações no Rio de Janeiro. O desenrolar de novos fios do engenhoso esquema de corrupção fluminense aponta para contratos selados entre o governo e empresas de comunicação e prestadores de serviços nas áreas de saúde e educação.
                                                                                                                                                                                                                                                                                               

Sousa Leão – o mais “aristocrático” dos bolos brasileiros

   Essa receita tipicamente pernambucana foi criada por D. Rita de Cássia Sousa Leão Bezerra Cavalcanti, esposa do Cel. Agostinho Bezerra da Silva Cavalcanti, para ser servido ao Imperador Dom Pedro II, quando de sua visita à Província de Pernambuco, no final de 1859, ocasião em que ficou hospedado no Engenho do Moreno (no município de mesmo nome), propriedade da família Sousa Leão.
   O Bolo Sousa Leão é considerado o mais “aristocrático” dos bolos brasileiros; e diz a tradição que só deve ser servido em pratos de porcelana ou cristal. Ele é tão apreciado em Pernambuco, onde é considerado um prato típico, que recebeu o título de Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado, outorgado pela Lei 13.428/2008.
A mais recente edição de nosso boletim, “Herdeiros do Porvir”, a número 48, referente aos meses de janeiro, fevereiro e março do corrente, traz uma extensa matéria sobre a visita do Imperador Dom Pedro II e da Imperatriz Dona Teresa Cristina, acompanhados de suas filhas, a Princesa Imperial Dona Isabel e a Princesa Dona Leopoldina, às Províncias ao norte da capital do Império, entre o final de 1859 e o início de 1860.
 O Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, experimentou, na Sede Social da Pró Monarquia – Casa Imperial do Brasil, em São Paulo, a pedidos de um grupo de monarquistas do Estado de Pernambuco, o tradicional Bolo Sousa Leão, elaborado seguindo a receita original pela Sra. Hayley Ribeiro de Barros Rocco, que Sua Alteza muito apreciou.

Postagem original no facebook do "Pro Monarquia". Postado neste Blog por Armando Rafael

Oração pelo Brasil (por Dom Fernando Arêas Rifan*)

                                                                           
        Hoje celebramos com toda a Igreja a solenidade de Corpus Christi, isto é, do SS. Corpo e Sangue de Cristo, presente na Santíssima Eucaristia.
        Por que se dá tanta importância a esta solenidade? Porque “a Eucaristia é o coração e o ápice da vida da Igreja, pois nela Cristo associa sua Igreja e todos os seus membros a seu sacrifício de louvor e ação de graças oferecido uma vez por todas na cruz a seu Pai; por seu sacrifício ele derrama as graças da salvação sobre o seu corpo, que é a Igreja. A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo: isto é, da obra da salvação realizada pela Vida, Morte e Ressurreição de Cristo, obra esta tornada presente pela ação litúrgica. Enquanto sacrifício, a Eucaristia é também oferecida em reparação dos pecados dos vivos e dos defuntos, e para obter de Deus benefícios espirituais ou temporais” (C.I.C. nn.1407, 1409 e 1414).
        A Eucaristia, nas suas três dimensões, Sacrifício da Missa, Comunhão e Presença Real, é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã, por ela é significada e se realiza a unidade do povo de Deus, e se completa a construção do Corpo de Cristo...” (Direito Canônico cân. 897).
        Esse tesouro de valor incalculável, a Santíssima Eucaristia, foi instituído por Jesus na Última Ceia, na Quinta-feira Santa. Mas, então, na Semana Santa, a Igreja estava ocupada com as dores da Paixão de Cristo. Por isso, na primeira quinta-feira livre depois do tempo pascal, ou seja, amanhã, a Igreja festeja com toda a solenidade, com Missa e procissão solenes, Jesus Cristo, vivo e ressuscitado, presente sob as espécies de pão e vinho, na Hóstia Consagrada.
   Nesta solenidade do Corpo de Deus, a Igreja do Brasil, através da sua Conferência Episcopal, convoca a todos para uma Jornada de oração por nossa pátria, uma oportunidade para que os cristãos prestem esse serviço ao país nesse momento de tantas incertezas, corrupção e injustiças. E nos lembra o pedido do Papa Francisco: “Reconhecemos a necessidade de rezar constantemente pela paz, porque a oração protege o mundo e o ilumina. A paz é o nome de Deus”.
A oração recorda que a verdadeira paz começa no coração de cada um. “Estamos indignados diante de tanta corrupção e violência que espalham morte e insegurança. Pedimos perdão e conversão. Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil! Vivemos um momento triste, marcado por injustiças e violência. Necessitamos muito do vosso amor misericordioso, que nunca se cansa de perdoar, para nos ajudar a construir a justiça e a paz, em nosso país. 
   Vosso Filho, Jesus, nos ensinou: ‘Pedi e recebereis’. Por isso, nós vos pedimos confiantes: fazei que nós, brasileiros e brasileiras, sejamos artesãos da paz, iluminados pela Palavra e alimentados pela Eucaristia. Vosso filho Jesus está no meio de nós, no Santíssimo Sacramento, trazendo-nos esperança e força para caminhar. A comunhão eucarística seja fonte de comunhão fraterna e de paz, em nossas comunidades, nas famílias e nas ruas. Seguindo o exemplo de Maria, queremos permanecer unidos a Jesus Cristo, que convosco vive, na unidade do Espírito Santo. Amém!”

  (*) Dom Fernando Arêas Rifan, *Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

14 junho 2017

A escuridão e a luz - Por: Emerson Monteiro

Questão por demais, neste chão, saber por que não se nasce logo limpo, inteiro, bom, quando o Criador bem poderia haver feito todos a nível. Neste momento, cabe um estudo gramatical dos dois por quês (porquês).

No segundo caso, do porquê junto, seria pedir a resposta-explicação disso, de ter vindo assim ainda enxovalhado, precisando de reparo nos aspectos morais de criatura, em busca da perfeição de onde um dia proviemos. Se criados de quem o somos, Senhor da perfeição absoluta, por qual motivo também não já viéssemos perfeitos. Nascidos das mãos do Autor da perfeição, seria pedir muito que isto houvesse acontecido? Por que razão?

A razão desse motivo vem na resposta seguinte, ao primeiro por quê, a que finalidade não viemos já perfeitos de tudo e em tudo.

A consideração dos tais argumentos de quais razões nos trouxeram aqui em estado bruto e não de santos, puros, perfeitos, significa exatamente isso, de a gente também participa da obra da Criação. No objetivo de contribuir com o todo universal e gravar em nós esse itinerário da nossa realização pessoal. Noutras palavras, somar à luz mais luz, a que ora poderemos acender em nossos corações. - Brilhe vossa luz - , afirma o Divino Mestre.

O porquê junto é a explicação do por quê afastado a fim de unirmos os dois eus que carregamos estrada afora no prumo da Salvação. E os místicos vêm isto ensinar, essa atitude necessária da conciliação da sombra e da luz em nós. Eis a participação infinita das individualidades no seguimento de construção da Natureza. Ego e eu, portanto, são o mesmo ente. As divisões, conflitos pessoais, coletivos, as guerras, nada mais representam que os cascalhos da ignorância e clamor de transformação.

Quando falam as religiões cristãs que Jesus vem nos salvar, ao perecer na cruz do Calvário, Ele demonstra na própria vida que haveremos de vencer as fraquezas da matéria e galgar a glorificação do mundo dentro de cada pessoa.

13 junho 2017

Um primeiro comício - Por: Emerson Monteiro

Eram as eleições municipais de 1988 em Crato. Eu integrava a chapa de candidatos a Vereador da coligação PDT\PTB, sendo um dos nomes do PDT.  O candidato a Prefeito, Humberto Mendonça; ao seu lado, Rubens Almino, o candidato a Vice-Prefeito.

Aquela seria minha primeira manifestação em comício, no Alto da Penha. Palco armado, bandeirolas tremulando ao vento do início de noite, os manifestantes contratados agitando faixas e bandeiras, o Trio Nortista esquentando o público na animação do forró autêntico, fogos disparando, o povo aos poucos se aproximando, luzes intensas, o que me lembrava dos primeiros comícios que presenciara no tempo de menino, em campanhas políticas memoráveis. O clima tinha tudo que acendesse meus sonhos de democracia, vividos na militância de esquerda desde a adolescência.

Sentia emoções suficientes a oferecer o melhor naquela oportunidade. E trazia comigo até as palavras com que abriria minha fala de cinco minutos bem contados. Nisso, me chamam ao microfone, e revivi no juízo a expressão que aprendera de uma música de Sérgio Ricardo, mote do que preparara do discurso, daí soltando o verbo no auge dos sentimentos:

- A praça é do povo como o céu é do condor, já dizia o Poeta dos Escravos lutador – respirei fundo e continuei cheio de vontade: - Outro poeta dizia que até o mar se levanta, que até o mar se levanta, quando na praça em festa é o povo quem canta!

Naquela hora, achando mesmo que iria abafar, emocionado até dizer chega, notei logo embaixo, vindo de dentro da multidão, um homem assim meio puxando fogo, sacudindo as mãos, a gritar com força:

- Doutor, fale mais baixo, que ninguém tá entendendo é nada que o senhor tá querendo dizendo.

Mais que um bande de água fria, ali apagou o sonho de eloquência, me trazendo de volta à realidade, o que só deu tempo de fechar o discurso pedindo que, se não quisessem votar em mim, que escolhessem qualquer dos outros da legenda, e fui saindo antes até de gastar o tempo que me fora previsto do discurso.

(Ilustração: Sérgio Ricardo - Festival da Record, década de 1960).

11 junho 2017

Iesus autem tacebat... (E Jesus guardou silêncio) – por Armando Lopes Rafael


   Este domingo – 11 de junho de 2017 – assinalou a abertura das comemorações pelo centenário de nascimento de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, terceiro Bispo de Crato, a ocorrer em 11 de junho do próximo ano.  Pelo menos assim o foi para muitas pessoas que conservam no coração imorredoura admiração, ou gratidão, pela figura do bom pastor que foi Dom Vicente. Esperamos que no dia 11 de junho de 2018 o centenário de nascimento daquele Sucessor dos Apóstolos seja lembrado nesta cidade de Crato.
   Os que conviveram com Dom Vicente Matos mais de perto – e este é o meu caso – são unânimes em reconhecer nele um espírito magnânimo, pleno de bonomia, simplicidade, firmeza de caráter e um otimismo que não se abalava com as decepções tão comuns na vida de quem administra uma instituição.
   Nesta crônica não abordarei as muitas realizações de Dom Vicente Matos à frente da Diocese de Crato. Fá-lo-ei noutra oportunidade. Relembro apenas que, por tudo que ele construiu e realizou, vinte e cinco anos depois de deixar o governo da diocese, Dom Vicente ainda é considerado – nos dias atuais – “O maior benfeitor de Crato”. Nenhum Prefeito ou governador o superou em número de realizações e benefícios por ele carreados para esta cidade.
    Nesta crônica, lembrarei apenas que apesar de todo o bem que Dom Vicente Matos fez, e de tudo que realizou pela Crato, ele foi vítima de críticas as mais acerbas e injustas. Mas, a tudo isso Dom Vicente Matos respondeu com o silêncio.  Talvez ele se lembrasse de quantas falsas testemunhas acusaram Jesus Cristo diante do Sinédrio. E, no entanto, Jesus “guardou silêncio” ante as acusações, como lemos no Evangelho de São Marcos, Capítulo 14, versículos 53-61. Sabia Jesus que defender-se, naquela ocasião, teria sido inútil. Acima de tudo, Ele tinha consciência de que estava se cumprindo as profecias sobre a vinda do Salvador na plenitude dos tempos. 
      Dom Vicente Matos também guardou silencio para as muitas e descabidas acusações que lhe foram assacadas. Quem sabe, o Espírito de Deus o inspirou a permanecer em silêncio. Silêncio total. Nenhuma palavra de defesa que fosse para simplesmente tentar recuperar a autoestima ferida, o que é humanamente justificado... Ou para buscar interiormente a consolação por alguma ingratidão a quem ele só fez o bem.
      Homem sábio, esse Dom Vicente Matos!
      Como escreveu o escritor Caio Fernando de Abreu: “O silêncio responde até mesmo aquilo que não foi perguntado”.



10 junho 2017

Acomodação e esforço - Por: Emerson Monteiro

De acordo com as orientações dos instrutores espirituais, existe uma margem de aprimoramento da pessoa que significa renunciar às facilidades e usufruir os ganhos dessa dedicação. Perder agora e ganhar mais adiante. Perder em comodidade e ganhar em evolução individual. Largar de lado as vantagens do conforto material e desfrutar os méritos de uma personalidade firme.

Quanto a isso, queremos contar o que li recentemente, no próximo livro de Levi Wenceslau do qual preparei os originais, visando sua futura edição. Trata-se de crônicas emocionantes desse amigo, inclusive algumas delas enfocam seu momento atual, limitado nas ações físicas face ao acidente automobilístico que lhe deixou tetraplégico.

Numa dessas crônicas, conta que, ao ser indagado quanto a uma vontade em que se ver limitado face à condição, diz ser grande sonho de poder caminhar, um dia, descalço pelas areias da praia. Quanta simplicidade em gesto tão ameno, e não poder usufruir o que muitos o fazem e nem valorizam tanto.

Existe aquela história de alguém dizer que vivia reclamando de não ter sapatos, e certa feita encontrar uma pessoa que não tinha pés. Nós, humanos acomodados, de comum somos luxentos, exigentes, dengosos. De querer tudo nas mãos, de comer mastigado, uns preguiçosos morais que por vezes sempre somos.

Preciso é, pois, deixar de lado a acomodação e sair à luta de todo dia. Matar um leão pra poder sobreviver, e por isso os leões estão quase extintos na civilização industrial. Vender o almoço pra comprar a janta, como dizem os mais apressados. Agir com ânimo e viver com disposição e coragem de tocar adiante o barco e os dias.

O que aconteceu, comigo, depois de ler a crônica de Levi, e saber da sua vontade de caminhar livre pelas areias da praia, é que agora passei a andar com mais prazer, deixando o carro mais distante, desfrutando as pisadas que dou  pelas ruas da cidade.

Pequena mostragem do Feudalismo Caririense -- Por Pedro Esmeraldo

Na década de quarenta, desde tenra idade, observamos com insistência o comportamento desestimulado do homem do campo. Era subestimado pelo patrão que por sua vez praticava o regime de exclusão, já que não tinha nenhum movimento de valor em sua gleba. Sempre submisso ao patrão, víamos um quadro escurecedor em seu tratamento e em seu modo de viver, pois era dilacerado e desestimulado na produção agrícola.
Sempre tivemos ânimo e vontade de narrar as evidências de ‘‘força’’ que para nós seriam estranho no trato do patrão para com o empregado. Nesse período tivemos a vontade de nos manifestar com veemência sobre esse assunto que se tornava corriqueiro e alheio ao tratamento digno do homem, vez que havia desrespeito dessa gente desbravadora do progresso, visto que praticava frieza, pois os patrões exploravam os trabalhadores rurais, tratando-os com desdém, pois dava início ao tratamento desigual e a exploração do homem pelo homem. Isto era de entristecer! já que, se não nos falha a memória, esse regime seria proveniente da civilização portuguesa que eles trouxeram desde o início da colonização do Brasil.
Consideramos isso um regime feudal. Era constante na região, pois era constituído nas ações que seriam para nós ações enigmáticas. Apresentavam essa parte do regime o início da civilização que nos trouxe um comportamento revoltante do homem moderna.
Apresentava essa parte do regime feudal desde a média que era representada pela mídia despudorada do patrão indigno que não correspondia ao bom desempenho, pois provou o retardamento da civilização moderna.
Às vezes, o homem não tinha o direito de apresentar-se honrosamente e o seu trabalho como digno do senhor altruísta que não relevava ao trato do cidadão comum, visto que tinha por objetividade explorar o homem do campo com excessivas obrigações, não possuidor de valor mas reconduzia ao bom desempenho, trabalhando de sol a sol, a partir das seis horas da manhã que ia até as cinco da tarde. Era uma tristeza quando observávamos o homem ser explorado com trabalho ardente e uma alimentação péssima, de baixo teor nutritivo.
Infelizmente entre os meios dessa gleba havia patrões moderados, altruístas, já que tratavam o cidadão comum como sendo um senhor de valor. Exibiu, pois fazia o rurícola amealhar bons produtos para o seu sustento familiar.
Nesse interim, havia patrões dignos que ajudava o homem, dando assistência alimentar e conduzia os filhos para a escola rústica, mas tinha o prazer de dá assistência à família com muita perfeição e dignidade. Quando adoecia algum deles, o patrão se prontificava dando tratamento merecido e não os deixava morrer à mingua.
O pobre rurícola não se cansava de trabalhar visto que lutava de sol a sol conduzido para o plantio da agricultura, ou diariamente, era empurrado pelo feitor para se conduzir o almoço enviado pela patroa (era um gesto de nobreza) o almoço era para todos os trabalhadores, mas não era digno de chamar almoço, visto que era conduzido pelo prato enorme de barro de adobe com colheres e se alimentavam juntos, sem tempero e sem nem um pingo de carne que favorecesse a digestão. Não havia higiene e o trabalhador era sujeito a se alimentar acintosamente enfrentando essa dificuldade de comida de qualidade porque o patrão tinha que diminuir os gatos alimentícios para aumentar o lucro favorável.
Quanto ao efeito moradia, o patrão oferecia uma casa rústica de taipa de barro batido que não dava nada de conforto ao habitante. Por esse motivo o morador da cassa era obrigado a trabalhar diariamente e não podia arredar o pé a fim de conseguir melhores ganhos que lhes satisfizessem melhorias de qualidade do trabalho e da sua vida. Recebia do patrão uma enxada, foice, roçadeira e outros instrumentos que lhe favorecesse com dignidade o seu trabalho. Geralmente era representado com peça única e que era o cabo de enxada que por fim era obrigado a acunhar e manter os instrumentos conservados. Há outras histórias que venham mostrar como o pobre rurícola de antigamente era submisso e fustigado pelo patrão até a morte. E o pior que havia, é que o rurícola não tinha para quem apelar, visto que havia acordo entre os patrões que era não tolerar e não aceitar as mínimas injunções trabalhistas.
Lembramos muito bem desse descaso. Foi estranho para nós. A dificuldade tinha de ocorrer, pois praticava revolta na juventude que era determinada por pessoas evoluídas do esquema e que incentivava ‘‘o jovem mais evoluído’’ para retirar-se para São Paulo ansiando conseguir melhores condições de vida na exploração da cultura cafeeira desse estado. Muito deles observavam como era o comportamento dos trabalhadores de lá que satisfaziam seus objetivos. Como era relevante o serviço do pobre já que transformava os seus objetivos em realidade que era relevar-se a uma vida melhor e de qualidade alimentar.
Tentando mudar e melhorar sua vida, o jovem nordestino soube se equilibrar, procurando amealhar recursos para mandar buscar sua família sofrida do Nordeste.
Daí então, houve a diáspora dos agricultores pobres do Nordeste porque preferiam sair de pau de arara(Caminhão) porque procurava enaltecer-se com o trabalho digno e melhores lucros.
Lá, o nordestino foi considerado herói porque teve a coragem de enfrentar as barreiras que pareciam intransponíveis, mas deu a resposta com coragem, mostrando ao patrão do Nordeste que eles tinham que mudar de regime e de melhorias de qualidade na terra, pois o homem tinha que observar que o progresso tecnológico estava chegando e pondo fim a esse destrato a esse regime de submissão que só sabia explorar o homem no campo, sem procurar avantajar o seu semelhante do campo, mas tinha que avançar na melhoria de tratamento e na qualidade de vida do cidadão do campo.
Hoje, não conseguimos ainda o equilíbrio técnico e melhoria de comportamento de vida ao homem nordestino devido à falta de indignidade e desonestidade dos nossos políticos que sempre marcham para o comportamento toma lá da cá, e não desejam o equilíbrio, moral, financeiro e administrativo.

Piada contada na Praça Siqueira Campos na manhã deste sábado


Um ladrão é preso com um porco nas costas, ao sair do sítio da vítima. Então o ladrão perguntou ao policial:
– Como foi que o Senhor me prendeu tão depressa???
O policial respondeu:
 – O vizinho denunciou quando viu você entrando no sítio da vítima...
Foi aí que o ladrão argumentou:
– Neste caso tenho de ser solto imediatamente, porque este porco que roubei ainda não estava nas minhas costas quando entrei no sítio. Explicando melhor: quando a denúncia foi apresentada à polícia, o porco ainda não era parte da denúncia, portanto não constou quando ela foi feita. Temos então que desconsiderar o porco e aí não teremos roubo nenhum...
O policial deu uma porrada no meliante, enfiou ele no camburão e gritou:
– Tá pensando que isto aqui é o TSE, seu merda!!!

Julgamento da chapa Dilma-Temer deve reduzir a confiança do povo no Judiciário -- por Oscar Vilhena Vieira (*)


 A confiança na Justiça é um elemento fundamental para que suas decisões sejam respeitosamente acatadas pelos jurisdicionados, criando incentivos para que todos se conduzam de acordo com a lei. Ela é, assim, constitutiva da própria autoridade do direito.
A aquisição de confiança pelos tribunais decorre de uma multiplicidade de fatores. Entre os mais importantes destacam-se a imparcialidade no tratamento das partes em litígio, a fidelidade com que aplicam as normas jurídicas, a acurácia na apuração dos fatos e provas pertinentes à solução das controvérsias e a consistência em relação as suas próprias decisões em casos semelhantes. Todas essas premissas deveriam constranger o comportamento dos juízes, no momento de decidirem.
A confiança no sistema de Justiça brasileiro, conforme mensurada pelo ICJ da FGV Direito SP, tem se mantido em torno de 30% ao longo da última década, o que é pouco, especialmente quando comparado às democracias mais consolidadas. Um dos fatores cruciais para explicar esse baixo grau de confiabilidade é a percepção de que a nossa Justiça, além de tardia, não trata a todos de forma igual. Ou seja, não é imparcial.
Os eventos que marcaram o julgamento da impugnação da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral, nesta sexta-feira, irão certamente contribuir para a redução da confiança no Judiciário, não apenas em função do resultado do julgamento, mas porque a maioria de seus ministros não foi capaz de demonstrar que se submeteu rigorosamente às premissas essenciais à produção de uma decisão legítima.
Desde o primeiro momento pairou uma forte dúvida sobre a possibilidade de um julgamento imparcial. O fato de que o presidente pôde nomear, para um curto período na Corte, dois advogados que iriam julgar o seu mandato levantou suspeitas sobre a integridade do pleito, bem como sobre a impropriedade do desenho institucional da Justiça Eleitoral.
De outro lado, como ficou bem demonstrado pelo ministro Herman Benjamin, houve uma forte alteração da postura do ministro Gilmar Mendes no que se refere ao estabelecimento escopo do processo, que coincidiu com a mudança daquele que passou a ocupar o Palácio do Planalto. Como se a identidade do réu, e não a regra da lei, é que devesse determinar o desfecho do caso.
Também contribuirá para relegar esse julgamento a um triste lugar na história o esforço hercúleo da maioria dos ministros para afastar os elementos probatórios criteriosamente colhidos pelo relator Herman Benjamin ao longo dos últimos meses. Como ficou evidente, não apenas pela leitura da inicial do PSDB, como pela própria decisão do ministro Gilmar Mendes que deu sobrevida ao processo, uma das causas para pedir a impugnação da chapa Dilma-Temer foi o esquema de propinas envolvendo a Petrobras e a Odebrecht, que irrigou a chapa em questão. Foram exatamente essas provas que a maioria preferiu rejeitar, para que não fosse obrigada a concluir pela impugnação da candidatura.
A crise de legitimidade que devastou nosso sistema político parece agora ter se alojado numa das instâncias do sistema Judiciário. A redução da confiança na Justiça, neste momento, em nada contribuirá para a superação da crise política que ameaça se agravar.

(*) Oscar Vilhena Vieira formou-se em direito pela PUC-SP, é doutor pela USP e pós-doutor pela Universidade de Oxford.

Coisas desta República

Em VEJA desta semana: Agora é guerra: Temer aciona serviço secreto para bisbilhotar Fachin

Governo resolve deflagrar o maior ataque já visto contra a Lava-Jato
Fiel à máxima de que a melhor defesa é o ataque, o Palácio do Planalto decidiu mirar na Operação Lava-Jato. VEJA apurou que um dos alvos da artilharia é o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com um auxiliar do presidente Michel Temer, que pediu para se manter no anonimato porque não está autorizado a falar publicamente sobre o assunto, o governo acionou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o serviço secreto, para bisbilhotar a vida do ministro com o objetivo de encontrar qualquer detalhe que possa fragilizar sua posição de relator da Lava-Jato.
 O pecado de Fachin, aos olhos do governo, foi ter homologado a explosiva delação do dono da JBS, Joesley Batista, que disparou um potente petardo contra o governo Temer. A investigação da Abin, que está em curso há alguns dias, já teria encontrado indícios de que Fachin voou no jatinho da JBS.
Em nota, o presidente Michel Temer negou que tenha usado a Abin para investigar a vida do ministro Fachin. “O governo não usa a máquina pública contra os cidadãos brasileiros, muito menos fará qualquer tipo de ação que não respeite aos estritos ditames da lei”, diz o comunicado divulgado pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República.


09 junho 2017

Matéria de Fé - Por: Emerson Monteiro

Título só aparentemente contraditório, pois já no materialismo chinês dos primórdios, nas antiguidades clássicas, consideravam que a matéria também é espirito. E o espírito é matéria quintessenciada. Agora, com as notícias da Mecânica Quântica, ficou bem melhor de avaliar isto, porquanto obtiveram resposta de laboratório de que a luz, além de ondas, também se compõe de partículas na sua constituição.

Bom, começamos de jeito atravessado, querendo tratar de cotidianos ao modo de restaurante de luxo, cardápio e fraque. Mas vamos baixar a bola e trazer o assunto à vala comum dos mortais. Falar de fé, da fé que Jesus, Rei da simplicidade, pega nas suas palavras; a Fé que transporta montanhas.

São muitas as versões do assunto. Desde os selvagens e suas admirações aos fenômenos da Natureza à fé raciocinada dos espíritas. Quantas buscas e tantas respostas, sendo aquelas, coletivas, e estas, individuais. Cada um por si e Deus por todos nós. Qual disse Rabindranath Tagore, poeta e místico indiano, a religião do homem é o próprio homem. As experiências dar-se-ão no íntimo, na alma dos indivíduos, que depois declaram e insistem, contudo algo por demais pessoal, original da criatura humana.

Orar, rezar, clamar, pedir ao Pai no secreto de Si mesmo, eis o segredo de todo enigma dos credos religiosos. Há que amar acima de tudo, até chegar ao Divino. Resistir às tentações da acomodação e crescer nos próprios pés, porquanto o coração só abre de dentro pra fora. Nem Deus obrigaria o homem a crer, porquanto lhe deu a liberdade qual dom individual.

Todos, segundo as crenças, viemos aqui no sentido de encontrar a Felicidade, a certeza do eterno, a Paz do coração. Sem isso, a estrada continua sempre lá depois das curvas e das estações. Brilhe vossa luz! Podemos até teimar em demorar a chegar, porém o objetivo é único e particular: Realizar a Perfeição de todos os motivos, e responde a todas indagações.

Mudar o mundo em Si - Por: Emerson Monteiro

Isto sem desespero ou revolta. Pra que saber tanto e nada fazer? Viajar tanto e não sair do lugar? Nadar tanto e morrer na praia?

Olhar em volta e sentir a necessidade urgente de maiores exemplos, que não sejam da falsa sabedoria. Pois a carência parece quer tomar conta dos panoramas em volta. Pronde se olha, caem pedaços de humanidade quis troços perdidos. Uns têm muito e nada fazem; outros padecem a miséria da civilização e só observam a indiferença torpe da grande maioria, que também padece da ausência de sentido.

Ser sincero consigo mesmo, eis o drama que se arrasta no tempo e raros aceitam agir na intenção de cumprir seu papel na História.

...

Essas observações estariam na mídia todo tempo, não fossem falas e reclamações dos paladinos da verdade crua que cobrem as telas. Porém agir na força do exemplo exige atitude. As revoluções que foram feitas até agora viraram lições de segunda classe, outdoors e livros empoeirados nas estantes caras dos burgueses. Enquanto o egoísmo puder predominar, os poucos que dominam o poder do dinheiro esfregam na cara do resto que espere os frutos da indiferença.

...

Contudo há que mudar o mundo mudando a si próprio. Algo deve ser providenciado no decorrer dessas vidas sucessivas. Seria bem fácil andar aqui só de fruzô, deixar o tempo passar e pronto. No entanto o bicho dor, remorso, realidade, impera logo ali adiante, no aguardo das levas de seres pensantes que seriam dotados de razão e sentimento, e responsáveis por tudo isso desse drama continuado.

Ninguém foge do destino das espécies. E o Poder envia os instrutores a informar que existe mais a fazer, meus irmãos. Adianta não pensar que não é com a gente. Qual o quê, além dos alimentos, dos compromissos de final de mês, das angústias e preocupações, existe uma providência interna em cada um a ser trabalhada. É este o ponto principal de tudo. Que estou fazendo da liberdade que me deixa ter e viver? Porquanto somos partes integrantes e definitivas deste todo universal em movimento. Que exemplo ofereço neste altar das maravilhas?

07 junho 2017

A mais antiga ação judicial do Brasil -- por José Luiz Lira (*)


Na foto, o “Paço Isabel” (hoje denominado “Palácio Guanabara”) construído com recursos particulares do casal Conde D’Eu–Princesa Isabel, a Redentora. O imóvel foi ocupado por tropas militares (no governo Floriano Peixoto) na noite do dia 23 de maio de 1894, quase cinco anos depois do golpe de estado que instaurou a República no Brasil. Os legítimos donos nunca receberam do Estado brasileiro nenhuma indenização.

   Lendo postagem da Dra. Juliana Bragança, juíza de Guaraciaba do Norte, em rede social, na qual ela cita o belo texto “A arte de ser juiz”, arte que, por sinal, ela desempenha com maestria; lembrei-me da dita mais antiga ação jurídica do Brasil.
   Há mais de dois anos, com o título “120 anos nos labirintos da Justiça”, a revista Época publicou matéria sobre a desapropriação do Palácio Isabel, da princesa Isabel, hoje a sede do governo do Rio de Janeiro, cuja propriedade é tema de litígio sem fim que se arrasta no Judiciário desde 1895.
   O processo acumula mais de mil páginas nos tribunais superiores. Segunda a reportagem, “entre pastas verde e rosa, na prateleira metálica branca de número 65, repousa um processo. Entre outros 708 da 1ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro, o processo espera, letárgico, uma decisão de instâncias superiores. Seu primeiro documento está a ponto de esfarelar. A página amarela – papiro tem manchas de gotas, de muito manuseio. As bordas estão remendadas com três tipos de durex. Da margem externa, falta um pedaço. O cheiro é acre. Escrita à mão, com uma caligrafia tombada para a direita, esparramada pelas linhas, a peça é a autuação que deu início a uma ‘acção ordinária’. O Conde e a Condessa d’Eu (Princesa Isabel) são os autores; a União, a autuada. O escrivão inaugura assim o processo: ‘Aos vinte e cinco de setembro de mil oitocentos e noventa e cinco...”.
   O Dr. Alberto de Orleans e Bragança, advogado e professor de Direito, príncipe, embora tenha renunciado seus direitos sucessórios ao trono brasileiro, “diz que a propriedade foi invadida e tomada à força por tropas militares, que expulsaram os empregados. A família estava no exílio na Europa. Tomaram uma propriedade de maneira ilegal, violenta, e isso nunca foi resolvido nos tribunais. A família não depende disso, mas se a ação está aberta tem que ser julgada”.
   A tomada oficial do imóvel se deu por tropas militares, na noite do dia 23 de maio de 1894, quase cinco anos depois do golpe de estado que instaurou a República no Brasil, invasão ocorrida durante o governo de Floriano Peixoto. Estranha-se, porque o imóvel foi construído com recursos do casal d’Eu e se fora confiscado pela República naquele fatídico 1889 porque se esperou tanto para apossar-se?
   Considerando a dificuldade de comunicação entre o Brasil e a França, onde vivia Dona Isabel do Brasil, ela e o marido, o Conde d’Eu, ingressaram com ação para reaver o bem, em 24 de setembro de 1894. Eles faleceram e pendenga judicial ficou. A Princesa, em vida, não pode retornar ao Brasil; o Conde veio ao Brasil, em 1921, quando da repatriação dos restos mortais de D. Pedro II e D. Teresa Cristina, falecidos no exílio. Ele acabou falecendo um depois na viagem que empreendia ao Brasil para a celebração do 1º centenário da Independência do Brasil. A Princesa, a exemplo dos pais, morreu sem novamente pisar o solo Pátrio.
   As decisões tomadas no processo, a 1ª em 1897 e uma das últimas, em 1996, foram a favor do Governo que se apropriou de bem que não era seu. A essa ação foi apensa outra, em 1955, impetrada por Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, que se tivesse chegado ao trono seria Dom Pedro III, na qual que pedia a posse do palácio ou indenização.
   Como se costuma dizer, aguardemos as cenas do próximo capítulo desse processo que se constitui a maior novela desta República cada vez mais privada e loteada nos meandros de Brasília.
Na foto, a Princesa Isabel e seu marido, o Conde D’Eu, quando ainda viviam no Brasil, antes do exílio forçado (na França) pelas novas autoridades republicanas..

(*) José Luís Lira é advogado. Coordenador do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade Federal de Messina (Itália). Jornalista profissional. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras, sendo, também, autor de diversos livros.

(Artigo publicado originalmente no jornal “Correio da Semana”, de Sobral. Reproduzido neste blog após autorização concedida pelo autor).


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