xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> O vaso do Imperador | Blog do Crato
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VÍDEO - CONVERSA FRANCA - O DESCASO NO CRATO - Dihelson Mendonça ( 30-11-2017 ).
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20 maio 2017

O vaso do Imperador

O Imperador Dom Pedro I era avesso ao protocolo que era imposto pela Corte Imperial. Nesse rígido sistema, que caía em extremo desuso, encontravam-se os servidores diretos do Soberano, nobres e pessoas próximas ao Imperador, que desempenhavam funções de criados sem receberem nada pelo serviço, meramente pela honra de servir ao Monarca. Estas pessoas ilustres e próximas ao Sua Majestade desempenhavam funções triviais, porém rígidas e extremamente específicas, como Barbeiro, Varredores, Camarista, Guarda-Roupas do Imperador, etc.
Em julho 1823, ao sofrer uma queda de seu cavalo, durante uma de suas muitas cavalgadas esportivas, o Imperador bateu violentamente suas costas em barro seco, fraturando duas costelas. Dessa forma, acometido por fortes dores, ficou restrito, até a recuperação total, em seu leito.
Conta-se que o Monarca, ignorando todo o cerimonial imposto pelo protocolo daqueles que lhes prestavam serviços, dirigiu-se ao seu médico, o Dr. Domingos Ribeiro dos Guimarães Peixoto, Cirurgião da Imperial Câmara e assistente de Sua Majestade o Imperador, pedindo-lhe um copo d'água, pois estava com muita sede. O médico foi prontamente impedido pelo servidor cuja função era o de Copo d’Água do Imperador. Após realizar um bochecho, e precisando expelir a água, o Imperador demonstrou este desejo. Sua Majestade por ninguém foi atendido, ficando todos imóveis diante da situação. Então, o Dr. Guimarães Peixoto, para não tomar função de algum ilustre amigo do Soberano, gerando possíveis rancores, debochadamente indagou em voz alta:
- E quem é o “Vaso do Imperador”!?
Diante da tragicômica cena, em que dentre tantas funções protocolares específicas não havia esta, deixando Sua Majestade desamparado em um momento de necessidade, pelo receio de um tomar a posição do outro, o Imperador e seu médico desataram a gargalhar.
O Dr. Guimarães Peixoto acompanhou a recuperação de Sua Majestade por pouco mais de um mês. E devido a sua competência, recebeu, no mesmo ano, o título de Cirurgião-Mor do Império, e, em 23 de fevereiro de 1825, o de Conselheiro de Estado. Próximo à Família Imperial, o médico participou dos partos da Imperatriz Dona Leopoldina, tendo sido por suas mãos trazido à luz o futuro Imperador Dom Pedro II, sendo, por este feito, agraciado com a Imperial Ordem de Cristo.
Talentoso médico, o Imperador Dom Pedro I financiou de seu próprio bolso sua formação acadêmica em Paris, reconhecendo a pureza de suas intenções, para onde partiu o médico em 1827. Até o fim de sua formação, em 1831, o Soberano financiou integralmente seus estudos.
Suas teses e descobertas médicas causaram sensação na Europa. Em reconhecimento, foi agraciado com a Imperial Ordem da Rosa. De volta ao Brasil, em 1833, lecionou Cirurgia na Academia Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro e foi o primeiro Diretor e Professor de Cirurgia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, tendo nesse ano salvado a vida do jovem Imperador Dom Pedro II. Por este feito, a Assembleia Geral lhe ofereceu uma recompensa pecuniária, que ele respeitosamente recusou.
O Conselheiro Dr. Guimarães Peixoto aceitou o título de Primeiro Médico do Imperador e da Família Imperial pela Regência. Em 1841, foi feito Oficial-Mor da Casa Imperial e, no seu último ano de vida, 1845, o Imperador Dom Pedro II o agraciou com o título de Barão de Iguaraçu. Gradualmente, as posições honoríficas e protocolares dos servidores do Soberano, já em desuso no Primeiro Reinado, foram sendo extintas, restando apenas aquelas estritamente essenciais.
(Baseado em trecho do livro "Dom Pedro I", da historiadora cearense Isabel Lustosa).

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