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12 maio 2017

Coisas da República: Até Cabelo e maquiagem de Dilma foram pagos com caixa 2, diz marqueteira Mônica Moura

Fonte: jornal Estado de Minas
Nem a Rainha da Inglaterra tem um mordomia dessa: O renomado cabeleireiro Celso Kamura recebeu diárias de R$ 1 mil e 500 reais para cuidar dos cabelos de Dilma Rousseff (foto: EDUK/DIVULGAÇÃO)

Ao entregar à Procuradoria Geral da República (PGR) uma lista de favores pessoais que bancava para a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a empresária Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, contou que o casal custeou despesas com cabeleireiro e camareira particulares para a petista.
Um deles que o requisitado cabeleireiro Celso Kamura, que recebeu R$ 50 mil para cuidar dos cabelos da petista entre 2010 e 2014. Já uma cabeleireira/camareira recebia R$ 4 mil mensais para cuidar do cabelo e maquiagem da presidente no dia a dia.

João Santana diz em delação que Lula sabia de caixa 2
O publicitário João Santana, responsável pela campanha à reeleição do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, disse ter ficado claro, em reuniões com o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que Lula tinha conhecimento sobre o uso de recursos de caixa 2 na campanha.
O casal de publicitários João Santana e Mônica Moura firmou acordo de delação premiada com a Justiça, cujo teor teve o sigilo retirado hoje (11) pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o texto do anexo 2 da delação de Santana, em que é resumido o teor do depoimento, Palocci foi o responsável por negociar os termos do contrato da Pólis, empresa de marketing do casal.
"Nestes encontros ficou claro que Lula sabia de todos os detalhes, de todos os pagamentos por fora recebidos pela Pólis, porque Antonio Palocci, então Ministro da Fazenda, sempre alegava que as decisões definitivas dependiam da 'palavra final do chefe'", diz o texto.
Segundo a delação, Santana disse que Palocci tinha pleno poder sobre uma conta de caixa 2 do PT junto à empresa Odebrecht. Os pagamentos, no entanto, não eram feitos em dia, motivo pelo qual o publicitário fazia cobranças diretas a Lula. Tais cobranças diretas teriam sido feitas também a Dilma, durante a campanha presidencial de 2010.
"Nestas oportunidades, tanto Lula como Dilma se comprometeram a resolver o impasse e, de fato, os pagamentos voltavam a ocorrer. Tanto os pagamentos oficiais, quanto os recebimentos de valores através de caixa 2", diz o texto que introduz a delação de João Santana.
"João Santana tem plenas condições de discorrer sobre as interlocuções referente às cobranças realizadas diretamente e pessoalmente com Lula, que aconteceram algumas vezes, em especial aquelas que trataram de cobrança de atrasados", acrescenta o texto.

Janot faz 22 pedidos com base em delação de marqueteiros
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, fez 22 novos pedidos ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), com base nas delações premiadas do casal de publicitários João Santana e Mônica Moura, cujo sigilo foi retirado hoje (11). Ambos atuaram por mais de 15 anos em campanhas eleitorais do PT. 
As informações remetidas à primeira instância dos estados dizem respeito, sobretudo, à atuação dos ex-ministros da Fazenda Guido Mantega e Antonio Palocci, bem como do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, na intermediação de dinheiro de caixa 2 (doação não declarada) da Odebrecht para campanhas locais.
Entre as 22 petições, três dizem respeito a Dilma Rousseff: uma por sua suposta tentativa de obstruir a Lava Jato; outra por benefícios pessoais que teria recebido; e uma terceira relacionada a irregularidades nas suas campanhas de 2010 e 2014 à Presidência.
São citados também outros políticos que são ou já foram do PT, como o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad; o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo; o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Patrus Ananias; o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel; e o ex-senador Delcídio do Amaral.
 

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