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08 abril 2017

Dom Gilberto se despede de Dom Newton com um discurso emocionante -- por Patrícia Silva (*)


Com uma homilia que emocionou os participantes da missa de exéquias celebrada hoje, dia 7 de abril, antes do sepultamento do quarto bispo da diocese de Crato, dom Gilberto Pastana definiu dom Newton Holanda Gurgel como “um homem dotado de grande simplicidade”, que viveu intensamente as palavras do seu lema episcopal (Combate o bom combate), “com seriedade, com alegria e o bom humor que o caracterizavam”.
Mesmo com a dor do pesar e da saudade, próprias de um funeral, dom Pastana convidou os fiéis a recordarem que, dom Newton, “durante sua longa vida, viveu seu ministério sacerdotal com amor, seriedade e responsabilidade, dentro de uma simplicidade serena e uma paciência exemplar”.
Dom Gilberto ainda relatou um dos momentos de sua convivência com dom Newton. “Sou-lhe muito grato pela sua cordial e fraterna visita feita a mim, na residência episcopal, dizendo-se devedor da visita que lhe fizera, para na verdade, partilhar comigo sua experiência vivida, suas alegrias e tristezas como pastor desta diocese”, falou.

Confira parte da homilia:
Combate o bom combate.

Com estas palavras, que se tornaram o lema episcopal do já saudoso 4º Bispo de Crato, Dom Newton Holanda Gurgel, convido a todos para render graças a Deus pela vida deste sucessor dos apóstolos, que durante sua longa vida de sacerdote e bispo prestou serviços unicamente a esta Igreja Particular de Crato. Dom Newton viveu intensamente o significado das palavras do seu lema episcopal, com seriedade, com alegria e o bom humor que o caracterizavam.
Era um homem dotado de grande simplicidade… É, pois, com grande pesar e sob forte emoção, que estamos todos aqui para rezar, agradecer e prestar esta última homenagem ao quarto pastor diocesano de Crato.
A celebração de um funeral, geralmente, é carregada de pesar e saudades. Isso é bem compreensível, pois somos humanos e sentimos a dor pela partida de um irmão e amigo. Até Nosso Senhor Jesus Cristo chorou quando soube da morte do seu amigo Lázaro.
No entanto, ao lado do nosso pesar, conforta-nos recordar que, durante sua longa vida, viveu seu ministério sacerdotal com amor, seriedade e responsabilidade, dentro de uma simplicidade serena e uma paciência exemplar.
No exercício do seu múnus sempre se comportou como um bom pastor: aquele que conhecia suas ovelhas e suas ovelhas o conhecia. Sempre agiu consciente do seu dever e viveu em comunhão de caridade com todos. Ao longo de sua vida sacerdotal e, principalmente, como bispo manteve sempre respeito e obediência aos seus superiores. Sempre compenetrado, disciplinado, nunca feriu qualquer semelhante, nunca faltou com a caridade a quem quer que fosse. Era extremamente responsável nas suas atribuições.
Por outro lado, vale a reflexão, é sempre oportuno recordar que a vida – para quem crê em Cristo Jesus – não se perde com a morte. Jesus é a ressurreição e a vida! E quem nele crê, ainda que esteja morto, viverá. Ademais, a Palavra de Deus ilumina e nos conforta ante ao mistério da morte. Com São Paulo aprendemos que, estando com Cristo, nossa vida está assegurada por Jesus. “Se morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele”, conclui São Paulo.
Por isso, decorridas algumas horas do trânsito de Dom Newton para os umbrais insondáveis da eternidade, estamos aqui para encomendar a Deus, que é Pai de Misericórdia, a alma deste bispo fiel, pedindo ao Senhor que conceda a paz a quem o serviu tão intensa e generosamente.
Registramos, também, a nossa homenagem de gratidão a Dom Newton. Espontaneamente trazemos ao coração a memória de todo bem e de tantos acontecimentos da sua vida que marcaram fortemente a história desta Diocese de Crato.
Nos últimos anos de sua existência, como bispo-emérito, animava-o a Palavra de Cristo – “Eu venci o mundo; estarei convosco”. Animou-o também a certeza de que o Espírito Santo, prometido e enviado por Jesus e pelo Pai, jamais abandona aqueles que lhe são fiéis.
Sou-lhe muito grato pela sua cordial e fraterna visita feita a mim, na residência episcopal, dizendo-se devedor da visita que lhe fizera, para na verdade, partilhar comigo sua experiência vivida, suas alegrias e tristezas como pastor desta diocese.
Por fim, devemos recordar que – mesmo aposentado de suas funções episcopais – Dom Newton tinha consciência de que o Bispo, como os Apóstolos, continua a sentir, em seu viver cotidiano, o tesouro das riquezas de seu “apostolado”.
Ano passado, por ocasião de seu natalício, proferiu palavras iluminadas sobre a vida: “A nossa vida não é suficiente para agradecermos o primeiro momento de nossa existência. Tudo é misericórdia de Deus”. Dom Newton o senhor está agora vivendo o segundo momento da sua existência, a vida eterna.
Poucas pessoas se dão conta de que esta Diocese de Crato foi erigida pela decisão de um Santo – São Pio X – que faleceu antes de assinar a bula de criação, cabendo, pois ao seu sucessor – Bento XV – fazê-lo. É por isso, e unicamente por isso, que nossa diocese foi a primeira a ser criada poucos dias após o do pontificado do Papa Bento XV.
Certamente por isso, durante sua existência esta Igreja Particular de Crato teve a grande bênção de contar sempre com bons pastores.
Os quatro primeiros bispos de Crato, todos já falecidos – o sábio e ousado Dom Quintino; Dom Francisco, o homem de Deus; o dinâmico e empreendedor Dom Vicente e o simples, prudente e extremamente organizado Dom Newton, todos eles, por um desígnio da Providência, dormem agora o sono da paz no mesmo lugar, nesta Catedral, à espera da ressurreição final.
Um fato raro na história de uma diocese: ter seus primeiros quatro bispos sepultados no solo sagrado da sua catedral. Certamente outra bênção de Deus para esta Igreja Particular do sul do Ceará.
Por fim, gostaria de dizer que nesta celebração, encomendamos ao amor misericordioso de Deus este nosso irmão, Dom Newton Holanda Gurgel, que foi ornado com tantas graças, dentre elas a do sacerdócio e a do episcopado, ambas utilizadas para o benefício dos fiéis. Com nossas preces e súplicas pedimos que o Senhor, caminho, verdade e vida o acolha em suas moradas, na Jerusalém celeste, ao tempo que apresentamos também a vida exemplar de Dom Newton; as incompreensões tão comuns sofridas por todos aqueles que exercem a árdua tarefa de Bispo. Apresentamos, por fim, os sofrimentos que Dom Newton suportou, o bem que realizou e todo o serviço prestado à Igreja no serviço de Cristo, o Bom Pastor.
Descanse em paz!
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

(*) Patrícia Silva, jornalista. Trabalha na Assessoria de Imprensa da Diocese de Crato.

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