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VÍDEO - Em breve, estaremos de volta com as novas transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, alguns programas ao vivo ). O modelo será mais ou menos como no vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos em que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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30 março 2017

Divagações sobre o Cariri – por Armando Lopes Rafael


   Além de uma extensão de terra, onde estão localizados vários municípios do Sul do Ceará, o Vale do Cariri é conhecido também por suas fontes de águas perenes e sua vegetação, sempre verde, o ano todo, contrastando com a paisagem cinzenta dos sertões semiáridos que o circundam.  O povoamento do Cariri teve início provavelmente por volta de 1703, quando criadores baianos e sergipanos, seguindo o caminho dos rios, chegaram a esta região vindo, com seus rebanhos, pela ribeira do Rio Salgado e Riacho dos Porcos. Alguns se fixaram inicialmente na povoação de São José dos Cariris Novos, atual cidade de Missão Velha. Como se observa, a primeira exploração econômica do Cariri foi a pastoril. Somente por volta de 1718 (para alguns historiadores), ou 1738 (para outros), descobriu-se a vocação canavieira desta parte do Ceará, graças às amostras de cana-de-açúcar trazidas da Zona da Mata de Pernambuco. Teve início, assim, a predominância da agricultura, sobre as atividades pastoris.
   Irineu Pinheiro escrevendo sobre esta região afirmou: "É o Cariri, no Sul do Ceará, uma região caracterizada por suas águas perenes, jorrantes das faldas do Planalto do Araripe, sua vegetação verde nos sítios, seus buritis e babaçus de porte tão elegante, seus canaviais ao pé-da-serra do Araripe e dos brejos vizinhos, seus engenhos que moem canas-de-açúcar e cheiram a mel, seus bois tardos e pacientes que ruminam nas bagaceiras, ao lado de burros irrequietos que, durante o dia, de sol a sol, cambitam nas moagens, num vaivém contínuo dos cortes dos sítios para o pé dos engenhos e vice-versa, suas lindíssimas paisagens vistas das ladeiras da chapada araripana. (...) Denominaram-no, a princípio, Cariri Novo, para diferenciá-lo do Cariri paraibano, apelidado Cariri Velho, por ter sido descoberto anteriormente. Veio-lhe o nome dos índios cariris, que na época da colonização do Ceará, ocupavam extenso trato do território nacional, de Itapicuru, no Maranhão, ao Paraguaçu, na Bahia". 
   Já George Gardner, naturalista escocês, que visitou o Cariri, em 1838, assim se expressou, ao chegar a Crato: "A beleza da tarde, a frescura vivificante da atmosfera e a opulência da paisagem, tudo tendia a produzir uma alacridade de espírito que só o amante da natureza pode experimentar e que, em vão, desejei fosse duradoura, porquanto me sentia bem não só comigo mesmo, como em paz com todos sobre a terra”.
   Por sua vez, o médico-historiador Napoleão Tavares Neves escreveu: "O que é o Cariri? A enciclopédia Delta Larousse define Cariri como sendo uma região fisiográfica do Estado do Ceará, compreendendo quinze municípios (...) Em termos administrativos, o Cariri é todo o Sul do Ceará, compreendendo 28 municípios. Já climaticamente falando, o Cariri é a região Sul do Ceará abraçada pela chapada do Araripe, formada por onze municípios: Abaiara, Barbalha, Brejo Santo, Crato, Jardim, Juazeiro do Norte, Milagres, Missão Velha, Porteiras, Nova Olinda, Santana do Cariri. Fiquemos, pois, com este conceito climático do Cariri que, sendo mais popular, é mais autêntico, porque o povo é sempre justo na sua conceituação. O coração do Cariri é a chamada Micro Região 78: constituída pelos municípios de Crato-Juazeiro-Barbalha, o conhecido triângulo Crajubar”.
      Distante mais de 600 km do litoral, carente de comunicação com os centros mais adiantados, no Cariri foi plasmada uma cultura própria, herança portuguesa, sob forte influência da Igreja Católica. Em algumas localidades, as companhias de penitentes se flagelavam, à noite, em frente das igrejas e dos cemitérios. O centro gravitacional das populações girava em torno da aristocracia rural, como se fora um feudo medieval! O proprietário rural atuava quase sempre como um poder moderador nos conflitos naturais da convivência humana. E a relação patrão-empregados era feita na base do compadrio. O proprietário rural era visto mais como um amigo (a quem se podia recorrer nas dificuldades) sendo impensável, naquele tempo, a versão – ainda em moda nos dias atuais, nas decadentes universidades públicas – de classe dominante.             

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