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VÍDEO - CONVERSA FRANCA - O DESCASO NO CRATO - Dihelson Mendonça ( 30-11-2017 ).
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12 fevereiro 2017

Publicado um livro que resgata parte da história de Crato

Pessoal:
Ainda não adquiri meu exemplar. Mas apresso-me em dar a boa notícias aos pesquisadores e alunos de História.

Muitas pessoas se queixam de que não encontram fontes de consulta sobre os 03 (três) coronéis  Antônio Luís Alves Pequeno (avô, pai e filho) que tanto influíram no progresso de Crato, no século 19 e início do século 20. Pois agora os interessados podem adquirir a obra acima.
Meses atrás, escrevi neste Blog, algumas notas sobre esses coronéis. A conferir:
 Os coronéis de Crato 1
Há uma vazio na historiografia do Crato! De uma maneira geral os coronéis de Crato foram homens bons, progressistas, e mesmo quando brigaram entre si não mandaram matar os desafetos como acontecia com outros coronéis nordestinos... Até agora nenhum historiador escreveu sobre os coronéis Antônio Luís Alves Pequeno. Houve três coronéis com o nome de Antônio Luís Alves Pequeno, avô, filho e neto. O segundo deles, sem desmerecer os outros dois, foi um homem extraordinário! Sua biografia bem merece uma tese de doutorado...
Os coronéis de Crato 2
Este coronel era um abastado comerciante com matrícula no Tribunal do Comércio de Recife. Para a capital pernambucana ele viajava costumeiramente indo de cavalo até Aracati ou Fortaleza. De lá pegava um navio com destino a Recife, à época o maior empório comercial do Norte do Brasil, onde comprava mercadorias para abastecer sua loja, a maior de Crato. As mercadorias vinham pelo mar de Recife até Aracati. Desta cidade – em carros de boi, que atravessavam todo o Ceará – seguiam em direção a Crato. 
Os coronéis de Crato 3
O coronel Antônio Luís vendia muitos produtos na sua loja, dentre eles: tecidos, livros, ferragens, remédios, louças, charutos, rapé, vinhos, remédios e até manteiga que vinha acondicionada em barris. Graças à hospitalidade que o abastado coronel ofereceu ao Bispo do Ceará, nas vezes em que este visitou Crato surgiu entre os dois um clima recíproco de admiração e respeito. Mais do que isso, viraram compadres e amigos. Basta lembrar a atuação do coronel, junto ao bispo, em favor do seminarista Cícero Romão Batista, este afilhado de crisma de Antônio Luís. Quando ficou órfão do pai, em 1862, o jovem Cícero Romão Batista teve de interromper seus estudos, no Colégio do Padre Rolim, em Cajazeiras (PB). Retornando a Crato, Cícero, então com dezoito anos, acompanhou as dificuldades financeiras da mãe viúva e das duas irmãs órfãs de pai.
Os coronéis de Crato 4
A partir daí, o coronel Antônio Luís tomou sob sua proteção os estudos do afilhado. Em 1864 o jovem Cícero Romão Batista foi matriculado no Seminário da Prainha, em Fortaleza. Como a família de Cícero não dispunha de recursos financeiros para pagar as despesas com o estudo, o coronel Antônio Luís conseguiu com Dom Luís que seu afilhado fosse matriculado gratuitamente. Entretanto, já em 1868, o reitor do Seminário, o padre francês Pedro Chevalier, resolveu dispensar o seminarista Cícero, taxando-o de aluno fraco em teologia, além de dado à leitura de obras de ocultismo.  Mas, oficialmente, a desculpa para a dispensa de Cícero foi a falta de recursos do Seminário, para manter o estudante gratuitamente.
Os coronéis de Crato 5
Segundo Nertan Macedo: “O coronel Antônio Luís montou no seu cavalo e atravessou o sertão do Ceará para garantir a educação do afilhado. Cícero pôde, então, passar à condição de pensionista e concluir o curso. Em novembro de 1870, o reitor Pedro Chevalier fazia ver a Dom Luís Antônio dos Santos que Cícero não estava em condições de ser ordenado, alegando tratar-se de um moço teimoso e dado a visões do outro mundo. Mas o prestígio do padrinho, junto ao bispo, valeu-lhe, mais uma vez, e Cícero, no dia 30 de novembro de 1870, recebia a ordem do presbiteriato, voltando para Crato, a fim de ensinar latim, na escola do primo José Joaquim”.
Vejamos um artigo do jornal O Araripe, número 27, em agosto de 1857:
 "Domingo, 16 do corrente. O Sr. Tenente Coronel António Luiz Alves Pequeno II, por ocasião do batizamento de seu quarto filho, obsequiou aos seus amigos desta cidade com um esplêndido baile que foi assaz concorrido. Esta reunião provou bastante em favor do adiantamento moral do Crato. Não faltou ordem, gosto e delicadeza entre os numerosos convidados. Todos procuraram em dar de seus costumes a melhor ideia. Por sua parte o Sr. António Luiz e sua Exma. Sra. abundaram de delicadezas e bons modos com seus hóspedes, que ficaram penhorados de suas atenções. Uma numerosa companhia de senhoras, cujas graças eram mesmo superiores ao gosto apurado do seu trajar, grande número de oficiais da G. N. ricamente fardados, todos identificados no pensamento de dar ao festim o maior brilho, fizeram bem agradáveis muitas horas dessa noite, que tão veloz parecia correr.
 Uma bela música, uma companhia escolhida, licores variados e deliciosos, um chá servido com profusão são sempre cousas que muito agradam, mas cumpre confessa-lo, houve ai algo que mais nos chamou a atenção: a educação apurada que revelaram os convivas, as maneiras delicadas que em todos se observaram. Julgando por esta bela reunião, qualquer estranho pode afirmar dos nossos costumes o juízo mais honroso. Agradecendo, pois, ao Sr. Tenente Coronel e a Sua Exma. Sra. as atenções de que fomos testemunhas e mesmo objeto, não o fazemos por mera etiqueta, mas para ter a ocasião de consignar o serviço que apresentou ao Crato, em geral, acabando de plantar os hábitos cultos das nossas capitais".( Cfe. Irineu Pinheiro, no livro “O Cariri”, páginas 83-84)

Nota e postagem de Armando Lopes Rafael

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