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12 janeiro 2017

Crato ganhou novo Santuário Diocesano: o da Mãe do Belo Amor – por Armando Lopes Rafael


A capela foi construída, em 2000,  por iniciativa do 4º Bispo Diocesano de Crato, Dom Newton Holanda Gurgel, para assinalar a passagem do século e do milênio sendo dedicada à Mãe do Belo Amor.
Em 2016, o 5º Bispo de Crato, Dom Fernando Panico, elevou-a à condição de Santuário Diocesano e a entregou à comunidade católica Filhos Amados do Céu, para concluí-la e administrá-la. Localizada no sítio Páscoa, próximo às Guaribas, na zona rural de Crato, o Santuário da Mãe do Belo Amor  recebe, todos os domingos, grande número de fiéis que vão participar da missa semanal, celebrada pelo Pe. Sebastião Monteiro. 

História da imagem venerada no Crato
A imagem da Mãe do Belo Amor, pequena escultura de madeira, medindo cerca de 40 centímetros, é venerada, desde os primórdios da Missão do Miranda – origem da cidade de Crato – que data do segundo quartel do século XVIII. Esta estátua sempre foi aureolada por muitos fatos pitorescos e lendários. Monsenhor Rubens Gondim Lóssio, escrevendo sobre esta representação da Virgem Maria, em trabalho publicado na revista Itaytera, afirmou: “Herdada dos ancestrais indígenas, existia uma pequena imagem da assim chamada Nossa Senhora do Belo Amor, de todos venerada”.
Não nos foi possível apurar as razões que levaram Monsenhor Rubens a concluir que a imagenzinha da Mãe do Belo Amor fora herdada dos indígenas, primeiros habitantes do Vale do Cariri. Entretanto, no artigo já citado, ele menciona um fato que merece transcrição. Na segunda metade do século XX, um conhecido e respeitado ancião cratense, o Sr. José da Silva Pereira, secretário do Apostolado da Oração de Crato, escreveu ao então vigário da Catedral, Monsenhor Francisco de Assis Feitosa, um documento, do qual extraímos o texto a seguir transcrito.
"Há na nossa Catedral três imagens que representam nossa padroeira, Nossa Senhora da Penha. O que vou narrar nestas linhas se refere somente à primeira, que é a menor das 3, esculpida em madeira, como as duas últimas. Trata-se de uma bela imagem que honra a arte antiga e a habilidade de quem a preparou. Segundo dizem os antigos, ela tem para mais de duzentos anos, mas nada deixa a desejar às que se fazem atualmente. Pertencendo ao número das imagens aparecidas, ela tem também a sua lenda bastante retocada de suave poesia. Conta-se que fora encontrada em poder dos índios (sem dúvida os Cariris), passando às mãos de pessoa civilizada. Aqui toma vulto a lenda que gira em torno do seu nome, pois afirmava que, repetidas vezes, ela voltara ao cimo de pedra onde os indígenas a veneravam. Este fato miraculoso deu lugar à fundação da Capela, onde hoje é a nossa Catedral, naquele mesmo sítio, tão profundamente respeitado.
Quanto à idade que lhe atribuem, provam-na os documentos referentes à fundação da povoação hoje transformada nesta importante Cidade do Crato.Para mais corroborar o misticismo que a tradição empresta à nossa querida santa, ocorre que a mesma desapareceu de nossa igreja há mais de cinqüenta anos, voltando agora aos seus penates, onde está sendo venerada por grande numero de fiéis. Os antigos deram-lhe o nome de “Belo Amor”, o que prova a piedade filial dos nossos antepassados. Respeitemos o passado, sua história, suas tradições e suas lendas, que nos falam sempre daqueles que abriram caminho a nossa vida". (LÓSSIO, 1961: 47).
Quanto ao desaparecimento da imagem da “Mãe do Belo Amor”, mencionado acima, o historiador Irineu Pinheiro esclareceu o episódio:
"Lá alguns anos, desapareceu (a imagem da Mãe do Belo Amor), mas, a 29 de abril de 1951, restituiu-a ao culto o velho sacristão Zacarias Luís Arnaud, que a retirara da Igreja, durante os anos de reconstrução e a guardara em casa, carinhosamente. Acolheu-a o povo com entusiasmo e devoção, a beijar-lhe os pés, a rogar-lhe felicidades. Vimo-la na Sé de Crato, de madeira, de uns dois palmos de altura, de olhos azuis, segurando com o braço e a mão direita o Menino Deus, de olhos também azuis, a agarrar com as duas mãos a gola do casaco de Nossa Senhora, puxando-a para si”. (PINHEIRO, 1955: 22 )

Não existem documentos sobre a origem da imagem da Mãe do Belo Amor. Também não se sabe, ao certo, se essa pequena escultura já se encontrava no Sul do Ceará, antes de 1740, ano da chegada de Frei Carlos Maria de Ferrara, para catequizar os índios Cariris, quando fundou a Missão do Miranda, embrião da cidade do Crato. Ressalte-se que, antes da chegada do frade, já tinha o Vale do Cariri certa densidade demográfica, embora não possuísse ainda nenhum aldeamento ou povoado considerável, o que só veio a se formar após 1740. Daí ser possível que a imagem da Mãe do Belo Amor já se encontrasse no Vale do Cariri, antes da vinda do fundador do Crato. Presume-se, pois, que até 1745 esta pequena imagem foi venerada na humilde capela de taipa, coberta de palha, construída por Frei Carlos, isto é, até a chegada da segunda imagem que seria venerada como Padroeira do Crato.
A restauração da imagem
Em 1º de janeiro de 2005, Dom Fernando Panico, bispo diocesano do Crato, celebrou a missa comemorativa do seu aniversário natalício, no santuário, em construção, da Mãe do Belo Amor, situado no sítio Páscoa, subida da Serra do Araripe. Em companhia do Sr. Cícero Sobreira de Sousa – cratense e membro da Associação dos Arautos do Evangelho, residente, à época, em Fortaleza, onde dirigia uma das casas daquela associação – fui assistir à Missa, celebrada no dia dedicado pela Igreja à Virgem Maria. Para minha surpresa, naquela ocasião, a estátua da Mãe do Belo Amor fora levada para o templo inconcluso, a Ela dedicado.
Tivemos a felicidade de oscular, antes da celebração do Santo Sacrifício, a sagrada imagem. Após a missa, dirigimo-nos, o Sr. Cícero e eu, para cumprimentar o ilustre aniversariante. Ali, na presença do Padre Edmilson Neves, Cura da Catedral do Crato, comentamos o desgaste que o tempo provocara na imagem, estando esta a necessitar de restauração.
Embora concordasse com esta assertiva, Dom Fernando Panico lamentou não dispor-se de um estúdio a quem confiar a empresa, certamente delicada. O Sr. Cícero atalhou que poderia verificar a possibilidade de a imagem passar por esse trabalho restaurador no ateliê artístico da Associação Internacional de Direito Pontifício Arautos do Evangelho, cuja casa-mãe fica na cidade de São Paulo, e se o bispo confiaria à associação mencionada tal tarefa. Dom Fernando Panico assentiu, de pronto, à sugestão.
Com informação positiva, em fins de fevereiro, o Sr. Cícero voltou ao Crato para cumprir a missão a que se propusera. E conduziu a imagem, devidamente acondicionada, juntamente com uma carta do Bispo do Crato ao Mons. João Scognamiglio Clá Dias – Presidente Geral da Associação Arautos do Evangelho – solicitando a restauração da estatueta. Reconheça-se, por oportuno, o senso artístico de Dom Fernando Panico, ao recomendar que se fizesse o trabalho, com o cuidado de manter as características da peça.
No dia 04 de abril de 2005, o Sr. Cícero Sobreira de Sousa devolveu novamente à guarda do Padre Edmilson Neves a imagem da Mãe do Belo Amor, já devidamente restaurada, fato que lhe valeu uma palavra escrita de total satisfação do Pároco da Catedral, na qual enfatiza o sucesso do delicado trabalho.
Dias depois, também o Sr. Bispo Diocesano escreveu outra carta ao Padre Geral dos Arautos do Evangelho, agradecendo e encomiando a tarefa. Assim, para conhecimento das gerações futuras, fica registrado que devemos à ação do Sr. Cícero Sobreira de Sousa a restauração da imagem da Mãe do Belo Amor.
(Texto e postagem de Armando Lopes Rafael)


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