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11 dezembro 2016

Professor José Bezerra de Brito, esse esquecido - por Armando Lopes Rafael


  A revista Itaytera, órgão oficial do Instituto Cultural do Cariri, no seu nº 22, correspondente ao ano de 1978, na página 40 publicou o abaixo:

 “Nascido em 6 de Junho de 1878, o Professor José Bezerra de Brito, dos mais ilustres filhos do Crato, completaria, se fosse vivo, neste ano, o seu Centenário. Foi emérito educador, líder católico e jornalista, deixando vasta obra de benemerência à sua cidade natal, o Crato, nesses 3 ramos da atividade humana. As homenagens do Instituto Cultural do Cariri”.
   Talvez tenha sido esta a única homenagem prestada a este mestre – um dos mais ilustres cratenses –, no ano do centenário do seu nascimento. Anos depois, em 1995, o Dr. Raimundo de Oliveira Borges publicou um livro de sua autoria (“O Crato Intelectual”), do qual retiro alguns excertos, constantes nas páginas 49 a 51. A conferir.
“Nasceu no sítio Malhada, município de Crato, no dia 6 de junho de 1876”. (Aqui deve ter ocorrido um lapso do Dr. Raimundo de Oliveira Borges, pois foi em 1978 que se comemorou o centenário de nascimento do Prof. José Bezerra de Brito, segundo consta na revista Itaytera, acima citada). “Filho de Vicente Alves Bezerra e de Isabel Bezerra de Brito. Professor Zuza Bezerra, na intimidade era assim chamado.
“Passando a residir em Crato, ainda criança, frequentou a Escola do Professor Raimundo Duarte e, depois, o Colégio Venerável Ibiapina, dirigido pelo Professor José Marrocos. Foi também aluno do Seminário São José promovendo-se aí até o Curso de Teologia, integrando mais tarde o corpo de professores desse conceituado e histórico estabelecimento, de tão gloriosas tradições.
“Casou-se duas vezes, a primeira com Maria Alves Bezerra e a segunda com Maria Rangel. Além de professor no Seminário, como se disse, ensinou ainda no Colégio Diocesano e nos diversos colégios da cidade. Residiu algum tempo na cidade de Várzea Alegre, de onde era natural sua primeira esposa, fundando ali uma Escola de Alfabetização.
“Vocacionado ao jornalismo, dirigiu em Crato os jornais “A Ação” e “A Região”, em que publicou trabalhos de real mérito. Exerceu também a advocacia, não só na cidade de Crato, como nas comarcas vizinhas. De primorosa educação, o professor Zuza era um homem de fino trato social. Um educador nato”.
“Noticiando-lhe o falecimento, J. de Figueiredo Filho publicou em Itaytera sentido necrológio em que ressalta: “Passou a vida no Magistério e a espargir o bem, munido de inteligência privilegiada e Fé inquebrantável. Só ensarilhou armas, quando os anos não mais lhe permitiram trabalhar”. (Até aqui citações do escrito do Dr. Raimundo de Oliveira Borges)

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   Tive o privilégio de conhecer e conviver com o Professor José Bezerra de Brito, ele na ancianidade e eu ainda menino. Morávamos próximo um do outro, na Avenida Teodorico Teles. Meu pai tinha uma profunda admiração pelo velho professor, que era considerado por todos como um homem de bem, um cidadão exemplar em todos os sentidos.
     Recordo-me de ter lido alhures um depoimento do fundador das universidades cearenses, o eterno e admirável Reitor Antônio Martins Filho, onde ressaltava as características do homem íntegro que foi o Professor José Bezerra de Brito. Martins Filho foi aluno do Professor Zuza, na extinta Escola Técnica de Comércio de Crato, e guardou do antigo mestre a imagem de um homem de caráter, digno, honesto, sereno, justo, caridoso... um católico autêntico.
       Como sói acontecer com as pessoas que pensam no bem do próximo, o Professor José Bezerra de Brito viveu e morreu pobre. Criou, educou e deu o bom exemplo aos seus filhos. Serviu de modelo para as pessoas que escolheram enveredar pelos bons caminhos da vida.
       A recompensa a tudo isso certamente recebeu no Céu. Pois, na sua cidade natal, para não dizer que está totalmente esquecido, o Ginásio da Ponta da Serra recebeu o nome dele na administração do Prefeito Humberto Macário de Brito. Na cidade de Crato sequer denominaram uma rua com seu nome. É outro injustiçado, figurando ao lado de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, 3º bispo diocesano e maior benfeitor do Crato, que nunca recebeu uma homenagem de gratidão da cidade a que tanto serviu...
             

Um ser que sonha - Por: Emerson Monteiro

Bem no coração do Universo há calor, um calor cósmico, amplo, abrangente. Mãe de tudo quanto existe debaixo e acima do Sol, ali persistirá para sempre, desde que sempre persistiu durante todas as eras, e antes das eras existirem já existia. O Eu cósmico, o coração do Universo.

Em tal direção marcha o quanto há e quanto haverá, por ser este o caminho de todas as coisas, o rumo do Nada absoluto.

Enquanto isso couber nas palavras, essa emoção da inexistência apesar das existências tocará o coração do Universo, e dele nascerá o coração das criaturas, razão de continuar o circuito universal da Vida.

Nada dura para sempre, e tudo que existe um dia chegará ao Nada, dois momentos únicos da continuação de Tudo. O que salva, pois, o Nada absoluto que persistirá eternamente, essa a paz tão desejada no sentimento das criaturas, no anseio de todos os sonhos.

Vertente natural das essências deste único Universo onde o Tempo reúne Tudo, bem nesse lugar onde mora a Paz de todos os corações. Jamais fugir face inexistir ao chegar que seja outro lugar senão este de dentro de Si, lá onde habita a Verdade absoluta, luz da Razão verdadeira.

Estes os passos de quem sonha, do que sonha este ser que sonha todos os sonhos. Na claridade da essência, o Ser germina o Mistério das canções, o perfume das flores, o amor dos corações. Lá inexiste a menor tristeza, só de alegrias perfaz o coração do todo Absoluto.

Ninho dos estranhos valores da realização deste Ser essencial, o seio do coração do Universo vive bem fora de todos os outros contextos do mundo comum, e as aves voam na direção de Si que anima a Existência total.


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