25 outubro 2016

Rumo ao Sol - Por: Emerson Monteiro

Quando anoitece, ali inicia seu curso o novo dia que vem vindo. Asas de sombras cobrem o cenário silencioso; pássaros buscam os ninhos; massa escura envolve as cores e formas e ondas, e o tempo fecha a cortina de sobre os objetos. Naquele momento precioso a saudade extrema do que foi trancará as portas do mistério e naves acesas principiam riscar o firmamento. Bem ali, logo depois nascerá do horizonte o facho de luz intensa do Sol.

Enquanto assim, pelas janelas da noite os peregrinos abrem o coração aos rios das emoções que falam nos ouvidos da alma e sangram o Amor imenso, por vezes nas dores atrozes de ausências, rastros de passados soltos na poeira dos céus e um desejo sem tamanho aspira preservar o fugidio.

Atores desse drama, são eles os braços exaustos do ser em descompasso e purificação. Quer-se ficar, porém há que seguir a qualquer custo, face leis inevitáveis de continuidade. Olhar em volta e ter de admitir a pequenez da compreensão e aceitar de bom grado o que determina a Natureza. Só e apenas isso. Render homenagem à dor de sucumbir rumo ao Sol. Largar as partes perecíveis e sonhar com a Eternidade em gestação.

Porquanto lá dentro do Sol existirá amplidão, infinitude, a única sobrevivência do Ser. Tão e exclusivamente habita o Sol a ânsia da Salvação, a vitória do definitivo, objetivo das existências. O sol das almas, o Sol ente absoluto da missão dos humanos.

Apesar dos tantos apegos do prazer inigualável daqui, charmes deste chão, ainda não é esse o polo positivo das ações, o imortal, o eterno. Conquanto o brilho dos sabores, só lá em frente tudo soma e convergirá. Transcrita, pois, a parábola das vidas, resta prosseguir, erguer os olhos e, já na ponta dos pés, demasiadamente tocar as chamas douradas do Sol, e permitir à luz envolver toda a razão no longo e sublime abraço da realização de Si.