xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 23/09/2016 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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23 setembro 2016

O que (ainda) resta do patrimônio arquitetônico do Crato - Capela de Santa Teresa de Jesus – Por Armando Lopes Rafael


No dia 31 de outubro de 1923, há mais de 92 anos, era inaugurada na cidade do Crato a capela de Santa Teresa de Jesus, felizmente conservada, até hoje, como originalmente foi entregue ao povo católico da “Cidade de Frei Carlos”. A data da inauguração - 31 de outubro - foi escolhida por ser o aniversário de nascimento e de sagração episcopal de dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, primeiro bispo do Crato e idealizador da edificação da mencionada capela.

Devemos a construção dessa capela à Cruzada Carmelitana, uma associação religiosa existente no Crato, fundada que fora em 1914, pelo então vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, padre Quintino, um ano depois eleito primeiro bispo da nossa diocese. A Cruzada Carmelitana era formada por senhoras e jovens da sociedade cratense. Além da parte religiosa, seus membros desenvolviam uma grande ação social na comunidade. Na prática religiosa, basta destacar que as festas de Nossa Senhora do Carmo (16 de julho) e Santa Teresa d’Ávila (15 de outubro) eram comemoradas com grande pompa, precedidas de Tríduo Festivo e encerradas com uma missa solene. Tudo acompanhado pelo Coral das Teresinas, onde se sobressaía a maravilhosa voz de Iraídes Gonçalves. De tudo isso só nos restam as gratas lembranças e os registros históricos...

Foi notável o empenho da Cruzada Carmelitana na construção da sua capela. As ricas obras talhadas em madeira de lei (altar-mor, quatro nichos laterais, confessionário, sólio episcopal, bancada e grade do altar) foram esculpidas por Mestre José Lucas, conhecido artista cratense. Tão bonito é o sólio episcopal que, posteriormente, ele foi cedido à Sé Catedral, onde ainda hoje está, tendo servido aos cinco bispos da diocese do Crato. As imagens da capela foram adquiridas na Itália. No altar-mor está o “Trio Carmelitano”: Santa Teresa d’Ávila pontifica como padroeira, tendo ao seu lado Nossa Senhora do Carmo e São José. Os quatro nichos laterais abrigam as estátuas de São João da Cruz, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Geraldo e São Quintino. Toda a construção e acervo da capela de Santa Teresa foram viabilizados no primeiro quartel do século passado, quando o Crato vivia longe (quase isolado) dos grandes centros do Brasil. Naqueles tempos, as estradas e os meios de comunicação eram precários e a nossa economia dependia unicamente do produzido nas fainas agrícolas e na incipiente pecuária da época. Mas o importante é que o povo tinha fé! Tanta, que este pequeno templo aí está, para atestar essa fé...
A capelinha - talvez por desígnio da Divina Providência - resistiu às más administrações públicas do Crato, responsáveis pela destruição de prédios históricos, a exemplo de todo o quarteirão da rua Miguel Limaverde. Resistiu às falsas idéias de modernismo, que tiveram como auge a medíocre década 60 e a construção de Brasília. Resistiu até aos tempos confusos pós Concílio Ecumênico Vaticano II, tempos esses felizmente encerrados com a eleição do Papa João Paulo II, para a Cátedra de São Pedro, em 1978. Pouca gente sabe: essa capela é propriedade da diocese do Crato, e está, há longos anos, sob a custódia da Congregação das Filhas de Santa Teresa, que souberam conserva-la em toda a sua originalidade. Que ela permaneça, neste novo século há pouco iniciado, do jeito que está. Sacral! Altaneira! Digna! Plena de Imponderáveis... No cenário do nosso maltratado patrimônio arquitetônico a capela de Santa Teresa de Jesus é “um edifício que conta o passado ao presente...”.

Por: Armando Lopes Rafael
Foto: Dihelson Mendonça

A devoção a São Vicente Ferrer em Crato -- por Armando Lopes Rafael

Gravura de São Vicente Ferrer, que o Pe. Frederico Nierhoff trouxe da Europa na década 50
   É antiquíssimo o culto a São Vicente Ferrer em Crato. A bem dizer, essa devoção nasceu com Vila Real do Crato. Segundo Irineu Pinheiro  já em 1788 havia um oratório dedicado a este santo, localizado onde hoje se ergue a Praça Siqueira Campos. Quem iniciou a devoção a São Vicente Ferrer na Mui Nobre e Heráldica Cidade de Crato? Quem teria construído o primitivo oratório a que nos referimos acima? Não se sabe. A história registra apenas uma doação – feita em 1801 – por uma filha do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, dona Luiza Joana Bezerra, de “terras próximas à falda da Serra Grande (atualmente denominada de Chapada do Araripe) para o patrimônio de uma capela de pedra e qual, que a doadora se comprometia para erigir em honra de São Vicente Ferrer, com o objetivo de beneficiar a alma de seu marido e em fervor do bem espiritual de sua pessoa e outras pertencentes”.
    A humilde e acanhada capelinha de São Vicente Ferrer foi derrubada – com a aprovação do Vigário Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, para dar lugar à primeira praça da cidade de Crato, a atual Praça Siqueira Campos.
      Já na década 40 do século passado, as autoridades religiosas decidiram concluir uma igreja que fora iniciada pelos escravos negros, na época do Brasil Colônia dedicada a Nossa Senhora do Rosário, e que passaria a ser a capela de São Vicente Ferrer. Esta igreja foi promovida à Matriz de uma paróquia, e a devoção a São Vicente Ferrer conheceu seu apogeu entre 1947 e 1968. Dois padres alemães Francisco Xavier Nierhoff e Frederico Nierhoff se destacaram na vida da nova paróquia, a segundo ereta no município de Crato.
         Com o crescimento da cidade e o deslocamento da população para os novos bairros citadinos, a Igreja de São Vicente Ferrer foi perdendo importância. Em 2010, o quinto bispo de Crato, dom Fernando Panico, extinguiu a Paróquia e criou o Santuário Eucarístico Diocesano. Felizmente o segundo reitor do Santuário, monsenhor João Bosco Esmeraldo, teve a sensibilidade de retornar ao presbitério daquele templo a bonita imagem de São Vicente Ferrer que ainda é venerado por uma fatia expressiva da população católica da Cidade de Frei Carlos.
Antiga Matriz de São Vicente Ferrer, hoje Santuário Eucarístico Diocesano, na cidade de Crato

A luz misteriosa que acompanhou a imagem de São Vicente Ferrer de Juazeiro a Crato -- por Armando Lopes Rafael

Depois da devoção a Nossa Senhora da Penha, um dos santos mais cultuados em Crato é São Vicente Ferrer. Por isso, é interessante relembrar um fato que teria ocorrido, no final do século 19, relacionado com a estátua desse santo, que foi venerada por longos anos, imagem que ainda se encontra guardada no patrimônio do atual SantuárioEucarístico Diocesano, na cidade de Crato.
Devemos a preservação da memória desse acontecimento a Irineu Pinheiro, cfe. vê-se no livro “O Cariri”, editado em Fortaleza (CE) em 1950, página 270. Consta lá:
“É muito antigo o culto a São Vicente Ferrer, no Crato. Em 1788, já havia, ali, um oratório dedicado ao grande taumaturgo espanhol (…) Em 29 de dezembro de 1801, como se pode ver no primeiro cartório do Crato, doou Dona Luiza Joana Bezerra, viúva do capitão Sebastião de Carvalho Andrade, mãe do Padre Pedro Ribeiro da Silva, iniciador da capela de Juazeiro, terras próximas do Crato”, junto à falda da Serra Grande (Araripe) para o patrimônio de “uma capela de pedra e cal” que ela, a doadora, se comprometia a erigir em honra do Senhor São Vicente, com o fim de “beneficiar a alma de seu marido e em favor do bem espiritual de sua pessoa e de outros “pertencentes”.
(Esclarecemos que Luiza Joana Bezerra era a filha mais velha do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, este o construtor da capelinha de Nossa Senhora das Dores, na Fazenda Tabuleiro Grande, origem da cidade de Juazeiro do Norte).
Vamos à página 271, do livro citado.
“No paroquiado do Padre Antônio Fernandes da Silva (1883 a 1892), trouxeram ao Crato, desde a derradeira estação da Estrada de Ferro de Baturité, numa distância de dezenas de léguas, a atual estátua de São Vicente Ferrer, substituta da primitiva, que era pequena. Carregaram-na através dos sertões, num caixão, em ombros de homens, à frente destes o Padre Felix de Moura (…)
“Em menino, ouvi dizer que da povoação de Juazeiro, penúltima etapa da viagem, até o Crato, viu-se no céu uma estrela a acompanhar a imagem, nos treze quilômetros que medeiam entre as duas localidades caririenses. Era a lenda que ia se formando em torno do Santo, pensava eu. Mas, depois, verifiquei haver algo de verdade na versão do povo. Uma vez, em Juazeiro, a passeio visitei a boa velhinha Teresa do Padre Cícero, assim chamada por ter sido criada em casa do famoso sacerdote, considerada pessoa da família por sua bondade e dedicação, e ela, no correr da conversação, disse-me quase textualmente:
“Dormiu aqui, em Juazeiro, na capela, o caixão em que veio São Vicente. Sinhozinho (era assim que ela tratava o Padre Cícero), Sinhozinho e o Padre Felix convidaram o povo para levá-lo ao Crato, na madrugada seguinte. Bem cedo, inda escuro, postei-me na Rua Grande, onde morava e moro hoje, num terreno vago, do lado nascente, e aguardei a passagem do préstito. Ao aproximar-se o caixão, ao lado os dois padres, vi sair entre a igreja e a casa que lhe ficava mais próxima, uma luz muito brilhante que voou rápida em busca do santo. Não pretendia eu ir ao Crato, mas, em v
ista do prodígio, corri até minha casa, pus, às pressas, um chale à cabeça e encorporei-me no cortejo que era numeroso”.
E conclui Irineu Pinheiro:
“Estimaram-na todos que conheceram à velhinha Teresa, morta há alguns anos nonagenária, sempre tida por absolutamente fidedigna”.
Nestes tempos caóticos e confusos dos dias atuais, onde vivemos a perplexidade dos fatos cotidianamente, que a luz de São Vicente Ferrer volte a brilhar neste vale do Cariri, de modo especial na cidade de Crato, onde este santo é particularmente venerado.
Postagens feitas por Armando Lopes Rafael

DIA 29 (QUINTA-FEIRA) LANÇAMENTO DE HISTÓRIAS DO TATU - Por: Emerson Monteiro

Dia 29 de setembro, próxima quinta-feira, às 20h, no auditório do Instituto Cultural do Cariri, em Crato, dar-se-á o lançamento do meu livro Histórias do Tatu. 

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