19 agosto 2016

Luzes no sentimento - Por: Emerson Monteiro

Diante das tormentas deste chão, lá um dia adveio o senso do amor no peito dos desesperados habitantes do desconhecido. Chegou com vontade de permanecer a fim de transportar a outra dimensão aquilo esquecido nos romances antigos. Interrompeu todo o processo de decomposição da civilização e abri espaço aos sonhos mirabolantes. Espécie de estranho no Paraíso, ainda assim clareou almas e refez o desejo de esperar a vinda do novo. Concretizou as profecias do Messias em forma de amplas possibilidades que de verdade mudaram tudo. Nisso, aqui os degredados rumam ao futuro. Reúnem derradeiros troços e entram no comboio das estrelas. Talvez cautelosos, saudosos, sei lá, refeitos no entanto através dos impulsos da fé. Sobreviver conta qual motivo soberano de trabalhar o mal e o bem no território do coração, raias do sentimento. As criaturas nisso investem o Si Mesmo, somam derradeiras economias e jogam na casa principal do tabuleiro.

Cruzam, sim, os limites da impossibilidade. Atravessam as raias do tribunal da Consciência sem querer mais culpar a si nem aos demais. Mera dança cósmica de salvação, resta só intacto o momento. Recolher as gentes e deixar amigos escolher entre ficar ou desaparecer. Força viva de acreditar acima do horizonte, contudo alimenta os velhos planos da arte de erguer monumentos a deuses eternos.

Justo na ocasião de partir significa dias atuais, quando alguém dentro de si carece aceitar o trilho do Infinito e deixar o invisível conduzir aos séculos doutras horas imortais. A festa do Eu que já se aproxima impressiona pelos modos até hoje improváveis que disseram fosse. Deixar porém as notas dissonantes contar e prever o quê da realização de Si. Permitir prevalecer essa vontade imensa de subjetividade, invés das entregas rudes aos seios secos da matéria inerte.

Um salto de charme e conhecimento receber de bom grado as luzes que forneçam os elementos da felicidade real, permanente, perpétua. Tudo muda. A Vida permanece.