xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 03/08/2016 | Blog do Crato
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VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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03 agosto 2016

O coração árabe-andaluz do Sertão -- por Rosemberg Cariry (*)

Sim, eu vi as pérolas da Andaluzia, as joias da Espanha – tesouros da humanidade. Na fortaleza vermelha, eu vi o palácio de Alhambra, com suas geometrias perfeitas, com suas paredes de azulejos delicados e caligrafias sagradas, com suas abóbodas de formas geométricas moldadas em cerâmica vidrada, em doirado, branco e azul; com suas portas de desenhos cheios de sutilezas de cores; com suas magias de luz. Á agua, domada desde a montanha, murmura nas fontes de mármores nos centros das salas e atinge o seu esplendor nos jardins de flores e laranjeiras.

Ao redor de Alhambra, na cidade de Granada, assim como em Córdoba, moraram sábios que para a Europa em trevas traduziram os grandes pensadores da antiguidade. Ali viveram astrônomos, engenheiros e matemáticos; estiveram estrategistas, artífices e artesãos das mais delicadas obras. Também viveram os poetas mais inspirados que ensinaram à Europa o amor devido às suas mulheres, o lirismo das laranjeiras em flor, a louvação da vida e os encantamentos da noite. Alhambra foi a última cidadela a cair, em território Andaluz, em 1492 – o ano do descobrimento da América.

Contam que, diante do furor das tropas cristãs, que a tudo arrastavam e destruíam, o sultão Boabdil propôs um acordo: partiria dali, desde que o seu imenso e formoso Palácio, junto com suas riquezas arquitetônicas e artísticas, fosse preservado. De forma intuitiva e profética, sabia o grande governante que naquele palácio estava construído, por meio de séculos, um tesouro da humanidade. Para que se saiba o que foi o esplendor da civilização árabe-andaluza, basta dizer que, em Córdoba, o califa tinha uma biblioteca de 440.000 volumes. É imensa a contribuição árabe para o desenvolvimento científico e para as culturas ocidentais.

Tudo isso nos remete ao processo colonial no Brasil. Lavado em sangue índio e negro, deixou-nos como herança portuguesa (Portugal durante séculos foi mouro) muitos traços culturais do Alentejo, do Algarve e da Andaluzia. O coração do sertão nordestino é também árabe-ibérico-andaluz. Essa herança, vinda, em sucessivas levas, por meio da gente pequena, do lavrador, do vaqueiro, do marinheiro, do artesão, não se traduziu em bens tangíveis.

É coisa incrustada na alma (intangível): um aboio dorido de quem conduz o gado ao entardecer, um certo fatalismo existencial, uma paixão desmedida por cavalos, um lirismo rasgado de improvisos de violas e quadrinhas amorosas (os nossos cantadores de viola são herdeiros dos poetas, improvisadores e trovadores árabes-berberes), uma atração pelos contos e narrativas maravilhosas, os arabescos coloridos bordados em gibões de couros, as mantilhas e turbantes das senhoras da igreja, as orações que se repetem em seus sentidos ocultos. Dizemos “se deus quiser”, como tradução de “in shaa Allaah”, ou de forma abreviada: oxalá!

 (*) Rosemberg Cariry, Cineasta e escritor e-mail: cariri.filmes@uol.com.br

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