xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> 03/03/2016 | Blog do Crato
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03 março 2016

O relógio da Eternidade - Por: Emerson Monteiro

A derradeira cena do filme Ran, do diretor Akira Kurosawa, mostra batalha decisiva entre dois clãs do Japão na época medieval. Em uma colina imensa, de verde esplendoroso, usando armas brancas, os grupos se digladiam encarniçadamente. Do alto, em câmera aberta, o plano enquadra todo o dantesco espetáculo, e segue se afastando lentamente, silenciosamente, até perder de vista os minúsculos seres que ficaram lá embaixo entregues à luta insana, restando, ao término do filme, tão só a vastidão do mundo sem maiores detalhes do que restaria das ocorrências históricas da guerra.

Quando, numa entrevista posterior, indagado a propósito do que quisera dizer naquela imagem cinematográfica, Kurosawa afirmou haver mostrado de qual modo devessem as ações humanas significar na sua relação com a Eternidade. O tanto em representa a pequenez dos dramas deste chão face ao Universo infinito das horas sem conta.

Aspectos vários demonstram o excesso de zelo com que, por vezes, há preocupações e conclusões predominantes, porém fora da realidade maior e mais significativa do incomensurável.

Já na China antiga, festas populares trabalhavam cães de palha com que as pessoas brincavam nas praças e ruas, simbolizando jogos imaginários de folguedos e danças, por dias seguidos, em comemoração a boas safras. Depois, exaustas daqueles movimentos coletivos, as populações reuniam touceiras monumentais dos tais bonecos e tocavam fogo nas fogueiras de palha, momento culminante dos cerimoniais.

Em relação a esses eventos, Lao Tsé, no Livro do Caminho Perfeito, considerou: O céu e a terra são impiedosos e tratam a miríade de criaturas como cães de palha.

Assim, conquanto persistam supostos valores de eternidade nas manifestações que passam, no entanto o princípio universal de tudo é que determina os objetos no lugar dos objetos e os sujeitos no lugar dos sujeitos. Ninguém que se preze, igualmente, orgulhará de dominar o eterno apenas por presenciar que ele existe na imaginação, sem, com isso, correr o sério risco de se envaidecer e perder o essencial das existências, bem além das surradas vaidades humanas.


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