11 fevereiro 2016

O ritmo das tempestades - Por: Emerson Monteiro



Qual tudo afinal que começa, um dia termina enquanto existência. Só há de definitivo o senso, o sentido descoberto; assim também nas tempestades que surgem em vezes vagas do tempo e invadem o território do existir, sem nele permanecer para sempre além das durações espontâneas. Ponteiros do relógio das ocorrências fortuitas, elas crescem no seio do horizonte, nos dias e nos ares, e determinam a continuidade transitória, impondo condições as mais desencontradas. Importa, porém, que signifiquem a turma de absurdos a dosar os campos das borboletas, nos seus voos extraordinários em volta do mesmo ponto. No foco daqueles furações mora o domínio da paz, ali o refúgio das atividades inconstantes que ocasionam os volteios do tempo lá de fora onde corre o comboio da agitação.

Isso trazido à história da gente quer representar diversos instantes, as sensações variadas dos objetos que a massa de ar revolve em febre. Nas ondas intermitentes das primeiras horas de dor, advém o princípio nos avisos tantos que deixam entender a propulsão das crises pessoais. O céu que ficara escuro alguns momentos e de repente fecham em forma de chuva e vento, e fazem tremer as bases da segurança universal das criaturas. Desmancham caminhos e entortam lâminas de aço, lampejam luzes em circuitos afogueados rasgando o cenário, transmissão da energia dos espantos.

Já numa fase seguinte, aquilo que antes demonstrara certeza, de instante a outro, vira meros fiapos no mar das cogitações e dos desastres. Até avançar ao centro, aquele mundo particular de tranquilidade que o coração do amor tão bem desempenhara o papel de ilha benfazeja revolve as entranhas e parece comprimir a caixa dos ossos e carnes. Uns firmam pés nesse território livre de consciência prática terrível, contudo apenas alguns, porquanto a grande maioria papoca no desespero das funções e larga o mastro central da nave principal, abandonando-se ao furor dos elementos insanos, folha jogada fora.

Durante igual presente, outros sairão repostos do estrago deixado pelos ventos doidos; uns, igualmente, sumirão na dança da natureza e encontrarão a mãe liberdade no âmago da alma descoberta na dor das tempestades, e tocarão o pomo da felicidade, miolo da essência, a menina linda dos olhos da única Salvação.

Por: Emerson Monteiro