xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> A última Carta Pastoral de Dom Fernando Panico | Blog do Crato
.

VÍDEO - VÍDEO DE LANÇAMENTO - Em breve, as novas transmissões TV Chapada do Araripe. Espero que curtam o vídeo de lançamento abaixo, em que há uma pequena retrospectiva de alguns trabalhos, reportagens já feitas ao longo dos muitos anos que fazemos reportagens. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



Comunidade Cratense no Facebook - Mais de 24.000 seguidores. Clique em Curtir e adicione a sua Foto !

30 dezembro 2016

A última Carta Pastoral de Dom Fernando Panico

Ao despedir-se da Diocese de Crato, a que, serviu como Pastor e Sucessor dos Apostolos nos últimos 15 anos e seis meses, Dom Fernando Panico escreveu e divulgou uma Carta Pastoral, onde presta conta de seus muitos serviços prestados à Igreja Católica do sul do Ceará.
Divulgamos alguns excertos da mencionada carta pastoral:
Amor ao Crato e ao Cariri
Dou graças à Misericórdia de Deus, como sucessor dos Apóstolos, bispo da Igreja Romeira e Missionária do Crato. O Senhor me chamou para servir a sua Igreja, nesta terra dedicada à Mãe do Belo Amor, no Cariri cearense. Terra banhada pelo sangue dos  mártires que tombaram defendendo sua liberdade, cultura, valores e crenças. Terra da qual se expandiu a profecia da terra sem males e o testemunho dos apóstolos da justiça e da caridade, à luz do Evangelho. Terra de heróis e heroínas, a exemplo de Bárbara de Alencar, Terra do Padre Cícero Romão Batista, amada e visitada por milhões de romeiros e romeiras nordestinos.

Terra do semiárido e da caatinga, habitada por um povo trabalhador e generoso, do qual nasceu a menina Benigna Cardoso da Silva, Serva de Deus, mártir da pureza. Serei grato, eternamente, pela acolhida, pela amizade, pela solidariedade, nos momentos de provação em que os filhos das trevas, mais espertos que os filhos da luz, procuraram difamar o nosso trabalho como se prestassem um serviço a Deus. Como Jesus disse a seus discípulos: “Chegará um tempo quando quem vos matar pensará oferecer culto a Deus” (Jo 16, 2).
Tive como companheiros de travessia e vicissitudes muitos cristãos, leigos e religiosos, perseguidos por denunciar as injustiças. Como eles, em meio às adversidades, cheguei a um momento de decisão: continuar firme nos compromissos assumidos como pastor ou acomodar-me a uma vida medíocre. No mais íntimo, ouvi a voz do Senhor que me dizia: “Eu te enviei ao Crato para que sejas um bom pastor: o que dá a vida pelas suas ovelhas”. Desde então, confiando na Graça e na misericórdia do Pai, enfrentei lobos em peles de cordeiro, as maledicências, as mentiras e todos os ardis dos que buscavam defender interesses escusos, pessoais ou de grupo. A propósito, a Revma. Madre Maria Carmelina Feitosa, encoraja-me lembrando uma frase repetida pelo segundo Bispo de Crato, o saudoso e amado Dom Francisco de Assis Pires: “O sofrimento crucifica, mortifica e santifica”.
Não concedi, nem me protegi atrás das vestes episcopais, mas ousei colocar em minha cabeça o chapéu de palha dos romeiros e romeiras, identidade do Padre Cícero, para caminhar, lado a lado, com eles, pois o pastoreio é um serviço de amor e onde há amor não há temor.

A Igreja Missionária e Romeira na Diocese de Crato

Tantas e quantas vezes, nossa Diocese sofreu, como Nazaré, o desprezo dos grandes, dos que ostentavam poder e riqueza, como se afirmassem: “De Nazaré não pode sair nada de bom!” (Jo 1, 46). O Crato, como Nazaré, inclui os pobres como Maria e José. Na Diocese, manifestamos e anunciamos o Evangelho da Salvação, caminhando com Jesus nas estradas do Reino em meio a pedras e luzes.
Oh! que caminho tão longo de pedra e areia. Valei-me meu Padim Ciço e a Mãe de Deus das Candeia (Refrão de um Bendito nas Romarias em Juazeiro).
Com vocês, dou graças a Deus pelo caminho que realizamos juntos nestes anos de pastoreio da Diocese de Crato. Façamos memória da ação do Espírito Santo que escreveu mais um capítulo da história da Diocese. A primeira iniciativa que realizamos foi a elaboração de um diagnóstico geral, preparando-nos para criar um Plano de Ação Pastoral. Em seguida, desenvolveram-se as seguintes atividades:

a. A valorização das romarias e do acolhimento aos romeiros, com novas atitudes e um cuidado pastoral para com os mesmos.
b. Os novos estudos sobre Padre Cícero com a realização de seminários e a instalação da Comissão para o levantamento e análise dos documentos históricos nos arquivos da Diocese e do Vaticano. Realização com a Universidade Regional do Cariri dos Simpósios Internacionais sobre o Padre Cícero. Apoio para a realização de teses acadêmicas sobre a sua vida e pastoreio.
c. As Santas Missões Populares que, preparadas ao longo de três anos, acentuaram o rosto missionário da nossa Igreja particular.
d. A reestruturação pastoral da Diocese em Foranias e Comunidades.
e. A preparação e realização do 13º Encontro InterEclesial das CEB’s nesta Diocese.
f. A elevação da Igreja Paroquial de Nossa Senhora das Dores, em Juazeiro do Norte, ao título de Basílica Menor.
g. A criação de doze novas Paróquias e de quatro Santuários Diocesanos: o Santuário da Mãe das Dores em Juazeiro do Norte, o Santuário Diocesano Eucarístico em Crato, o Santuário Diocesano da Divina Misericórdia, em Barro e o Santuário da Mãe do Belo Amor, no sítio Páscoa, zona rural do Crato.
h. Construção de uma unidade da Fazenda da Esperança, em Mauriti (CE), denominada  Fazenda da Esperança Padre Cícero, destinada à recuperação de jovens e adultos dependentes do alcoolismo e outras drogas.
i. Reconhecimento diocesano de novas comunidades de leigos consagrados. Acolhimento de Institutos Religiosos na Diocese. Presença da Vida consagrada contemplativa em Juazeiro do Norte, no Mosteiro “Nossa Senhora da Vitória” – hoje Abadia – das Monjas Beneditinas.
j Incentivo à formação litúrgica na Diocese e no Nordeste, por meio do curso “Nordestão de Liturgia”.
k. O Congresso Eucarístico celebrado nas Paróquias no ano do centenário da Diocese.
l. A celebração Diocesana do Jubileu do Centenário da Diocese, em  outubro 2014.
m. A ordenação de sessenta e oito novos padres para a Diocese e a instituição do Diaconato Permanente, tendo sido ordenados trinta e nove diáconos permanentes.
n. O recebimento da Carta, escrita em nome do Papa Francisco, pelo Cardeal Secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, ressaltando as romarias como caminho da Nova Evangelização. Não só para a nossa Diocese, mas para a Igreja inteira. O Papa Francisco, no mesmo documento, reconhece os valores humanos e sacerdotais da pessoa do Padre Cícero. A Igreja, enfim, se abre para uma reconciliação histórica com ele.
o. Decreto instituindo o Dia da Unidade da Diocese de Crato a ser comemorado no dia  1º dia de janeiro de cada ano, no Santuário Diocesano da Mão Belo Amor, localizado no Sítio Pascoa, em Crato.

Levará saudades de muitos
Tenho saudades. Mas caminhar é preciso. O sopro do Espírito, agora, vai encher a vela da minha jangada, zarpando para outros mares, como bispo emérito de Crato, peregrinando para a vida eterna. Quero rezar como o poeta Rabindranath Tagore: “Senhor, fazei de minha vida uma coisa simples e reta, como uma flauta de bambu, para que possas enchê-la de música”.
Ao longo dos anos que estive com vocês, procurei fazer ressoar na missão peregrina desta nossa Diocese o grito da esperança: Sursum Corda, Corações ao Alto! Resta-nos seguir o lúcido conselho do Apóstolo: “Combate o nobre combate da fé. Apega-te à vida eterna para a qual foste chamado quando fizeste tua nobre profissão diante de muitas testemunhas” (1 Tm 6, 12).
Agora, com Dom Gilberto Pastana, meu caro sucessor, convido-os a dar continuidade aos trabalhos para a manifestação do Reino de Deus, nesta Diocese.
Com Jesus, invoquemos ao Pai: Venha o teu Reino! Adveniat Regnum tuum!

0 comentários:

Postar um comentário

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.


Edições Anteriores:

Maio ( 2017 ):

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31