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12 outubro 2016

O testamento espiritual de um justo – por Barros Alves (*)


Se vivo fosse, monsenhor Vitaliano Mattioli estaria aniversariando neste dia 11. Em sua memória publicamos um artigo escrito pelo intelectual Barros Alves, publicado no jornal “O Povo” de 11-01-2015.
No dia 4 de dezembro de 2014, entregou o espírito ao Pai das Luzes o Monsenhor Vitaliano Matiolli, que não tive o prazer de conhecer pessoalmente. Fi-lo post-mortem pela intermediação do Padre Neri Feitosa, que me passou o testamento espiritual dele e me deixou deveras comovido, em vista do que dou publicidade a esse verdadeiro tratado espiritual em breve registro. O Monsenhor Mattioli era romano de nascimento, tendo sido ordenando em 1963 aos 25 anos. Doutorado em Teologia Moral e Bioética, há 11 anos morava no Brasil e há seis servia na Diocese de Crato. Era o postulador do processo de beatificação da menina Benigna Cardoso, considerada “Mártir da Castidade”, que já recebeu o título de Serva de Deus, título canônico precedente à beatificação bem próxima.
Antes de se submeter a uma cirurgia no coração, com a serenidade dos justos, ele sentiu a necessidade de escrever o testamento espiritual, que significa sobretudo um testamento de piedade cristã e fé na Trindade Divina. Leiamo-lo como uma oração ao Pai: “A vida é um dom de Deus: Ele no-la doa e Ele pode retomá-la. Por isso desejo agradecer a Deus-Trindade por este tão grande dom. Desejo agradecê-lo também pela forma que Ele escolheu para doar-me a vida: um ato de amor físico e psicológico dos meus pais. Posso dizer com alegria que sou o fruto de dois amores que se cruzaram: o amor de Deus e o amor de duas criaturas dele.
“Pouco após o dom da vida física, Deus me doou pelo batismo a vida espiritual; naquele momento o meu corpo se transformou em templo do Deus-Trindade. Desejo agradecer a Deus pelo dom de ter nascido numa família cristã, pelo dom da saúde e de ter podido estudar. Mas, es+ecialmente, agradeço a Deus pelo dom do sacerdócio. A minha vida espiritual alimentou-se do Pão Eucarístico e do Pão da Palavra. Por Palavra entendo referir-me não somente às Sagradas Escrituras, mas também ao Magistério da Igreja, nos seus Dogmas.
O estudo destas verdades reveladas tem sido para mim uma fonte de grande alegria espiritual, mas especialmente foi causa de um grande consolo. Mergulhando no estudo da Verdade, na meditação do Denzinger, adverti que o meu espírito estava satisfeito, repousava tranquilo em Deus. No estudo do Dogma encontrei o porto seguro para onde dirigir-me na incerteza da especulação.
“Diante de todas estas riquezas recebidas, estou com vergonha pela minha indignidade e falta de correspondência ao grande amor recebido. Os meus pecados são como uma pedra, que não me permitiram corresponder a tanto amor. Mas, confio na infinita bondade, misericórdia e compreensão de Deus que é meu Pai. Agradeço à Diocese de Roma, o Vaticano, que me permitiu conhecer melhor a Igreja e sustentar-me economicamente. Agradeço ao Bispo do Crato, Dom Fernando Panico, que, como um pai afetuoso me acolheu na sua Diocese e sempre me assistiu paternalmente nesses anos.
Agradeço ao Conselho Presbiteral que não se opôs ao desejo do Bispo e a todo o Presbitério pela compreensão e estima que teve para comigo.
“Um pensamento de gratidão vai a todas as pessoas que vieram se confessar comigo. Agradeço pelo bom exemplo que me ofereceram com o seu arrependimento e com o propósito sincero de melhorarem a vida e de serem fiéis a Jesus. Toda vez que terminava de atender as confissões, sentia maior minha pequenez diante de tantos exemplos de confiança em Deus, mas, também, sentia-me mais estimulado para melhorar a minha vida espiritual.
Enfim, peço perdão a todos por ter desiludido as expectativas, por não ter cumprido o meu dever como se desejava. Refiro-me especialmente aos meus caríssimos seminaristas pelas minhas lacunas acadêmicas e como diretor espiritual.
Confio na intercessão de Maria. Espero que Ela possa apresentar-me aos Seu Filho Jesus de forma tal que eu não seja incluído entre os réprobos. A todos peço orações de sufrágio pela minha alma. Crato, 25 de novembro de 2014. Vitaliano Mattioli.”
Cremos, mercê da misericórdia e graça de Deus, que o Monsenhor Mattioli está neste momento gozando a paz infinita concedida aos justos por Nosso Senhor Jesus Cristo.

(*) Barros Alves é poeta, jornalista e membro da Academia Brasileira de Hagiologia.

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