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16 agosto 2016

História de um feirante analfabeto ( por Pedro Esmeraldo)

  
Nesse período de história marcado por acontecimentos notáveis que se sobressaíam no fluxo intenso de movimentação febril na composição de vendas de produtos naturais produzidos na região do Cariri. Isso tudo era constituído pela feira semanal do Crato. A maioria desse produto era produzido nos brejos da região do Cariri.
    Nos tempos passados, o Cariri era possuidor de terras férteis que facilitavam o avanço técnico da agricultura. Infelizmente, não fomos contemplados com grandes conquistas, devido às deficiências de conhecimentos técnicos e visão de futuro dos cidadãos conhecidos como “ O Coronel” que produziam  riqueza e ostentavam grandeza apenas para si , quando muito para suas famílias,  (eram os “Manda-Chuvas” desta região).
    Por isso, pouco fomos contemplados na distribuição das riquezas ou no avanço das conquistas ditas civilizatórias, nas quais outras regiões do Brasil foram beneficiadas. No Cariri havia uma parte da população, as faixas mais humildes, que se esquecia de exigir dos patrões uma democratização dos conhecimentos, com o intuito de dividir harmonicamente e equilibradamente os frutos decorrentes do avanço da  economia. Se isso tivesse sido feito teria havido uma melhoria nos níveis da educação, saúde e melhores condições sociais decorrentes dos avanços da agricultura e da pecuária, entre nós.
    Permanecia tudo ao “Deus dará”, em regime rudimentar de produção de bens, que foi feita deixando à margem segmentos da nossa população.
    Era necessário subir sair-se no avanço do conhecimento com o intuito de modernizar a economia com a vontade de avançar e continuar a sua viagem marchando para o progresso, estendendo até as margens dos rios tenebrosos e das chuvas torrenciais que constantemente assolam o solo caririense.
    Por muitos anos, esta região foi forjada por posicionamentos de pessoas rústicas,  que não se atualizaram com o avanço do progresso, que não tinham metas satisfatórias para compor uma base sólida visando ao desenvolvimento do trabalho na agricultura.
    Esta região era favorecida por pequenos engenhos para o fabrico da rapadura, métodos inadequados e ineficientes para subsistência na essência na posição de equilíbrio entre as pessoas que compunham as nossas  sociedades.
    Quase não havia escola na zona rural. E,  quando havia,  era escola de formação precária, funcionando em prédio rustico, com professores que mal tinham capacitação intelectual de orientar as crianças, principalmente no que tange ao incentivo de progresso moral e técnico, a fim de torna-las pessoas dignas e útéis à sociedade.
    Por fim apareceram por este meio alguns grilhões que estimulava a pieguice sentimental trazendo uma conduta desfavorável ao crescimento religioso da região.
    Mesmo assim surgiam novos feirantes que se elevavam na vasta movimentação da feira do Crato, proporcionada pelas vendas satisfatórias desses vários produtos regionais, quer sejam agrícolas ou manufaturados.
    Nesse caso, fez-me vir à memória, a história de um senhor, possuidor de determinação definida com poucos limites de conhecimentos de regras práticas no processo do trabalho agrícola, porque era completamente analfabeto. Mas participava como feirante ativo na venda de produtos farináceos que fazia parte dos feirantes livres na feira do Crato.
    Foi pai de família numerosa que não se sobressaia como devia, pois tinha parcos poderes de conhecimentos técnicos para se locupletar em vendas de mascates durante as semanas que se passavam.
    Nota-se que esse senhor, apesar de ter nascido na agricultura não tinha capacidade de prosperar nesse ramo de produção, devido a sua ignorância, pois  não sabia se elevar na parte da tecnologia aplicada à agricultura. Teve ele a ideia de entrar em parceria com o patrão, a fim de produzir uma melhor safra.
    Foi rude, mas lutava com eficiência e a vontade de produzir, com intuito de amealhar bens para conseguir uma agricultura de subsistência. Era ardiloso, apesar de sua pouca visão no tato agrícola, já que não tinha por onde seguir poi o seu caminho era curto e não observava a dimensão de sair-se bem na busca de melhores perspectivas no trabalho.
    Chamava-se João Roxo Miguel, um caipira ignaro, imprudente, mas mesmo assim com lutas conseguia melhorar a média de produção da mandioca, arroz e algodão branco que era o sustentáculo familiar.
    No decorrer da semana, a partir da segunda feira, trabalhava noite e dia em suas plantações frutíferas  que eram vendidas nas feiras semanais do Crato. Lutava com sacrifício para complementar sua subsistência.
    Convém notar que nas segundas-feiras esse senhor deixava seu roçado e se dirigia a feira do Crato porque aqui ia satisfazer o seu anseio de homem tenaz na conquista de sua subsistência.
    Era um finório lutador que se desgarrava dos chicotes dos patrões perversos, visto que não desejava ser capacho de patrão nenhum e fugia das perseguições trágicas de alguns coronéis malvados subjugadores do suor alheio.
    Devido ao seu pouco conhecimento nunca pode prosperar em suas andanças no trabalho sóbrio que fraquejava a cada ano. Foi perdendo as forças de equilíbrio físico. O velho mascate foi definhando, chegando a pedir aposentadoria dentro do programa do FUNRURAL. Daí então parou de trabalhar, permaneceu no desânimo, ficou acabrunhado, por não ter prosperado como desejava... Esmorecido e esquecido pelos amigos, que antes lhe davam apoio, caído em completo abandono até a sua morte na década de 1990. É aquela velha história: quando um senhor está servindo, é cortejado, abraçado e contemplado pelos amigos que se dizem sinceros. Na desgraça esses amigos mostram sua verdadeira face: a de interesseiros,  intrigantes,  no desalinho do costumeiro comportamento humano.

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