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30 junho 2016

15 anos depois da chegada de Dom Fernando – por Tiago Gomes Landim

Estava, hoje, a me perguntar o que teria significado este período debutante do quinto bispo de Crato para a Diocese. Alguns elementos pululam-me à mente, levando-me a uma certeza: foi um divisor de águas. Antes e depois de Fernando, bispo! Um estilo distinto de todos os que passaram por aqui ou que daqui mesmo assumiram o comando deste barco de Pedro.
Faço-me simplesmente porta-voz da constatação desta perceptível diferença. O estilo de ser bispo parece-me rebaixar tanto a pompa do episcopado que permite que qualquer pessoa, por mais simples que seja, sinta-se à vontade para até aconselhar, abraçar, acarinhar o bispo ou mesmo discordar e protestar contra suas ações e decisões. Este aspecto já seria, por si só, capaz de dar sentido ao ponto fundamental deste período – a Igreja de Crato aproximando-se do mais simples, falando a linguagem do povo.
O episcopado deste italiano também inova na visão cosmopolita, fazendo a Diocese perceber-se missionariamente comprometida com povos de outras terras. Enviando e recebendo pés missionários, vozes diferentes, linguagens diferentes – assumiu-se como um lugar de onde se pensaria a liturgia do nordeste, a evangelização do povo a partir de sua realidade.
Pensar este período é também lembrar projetos que, de tão arrojados, precisaram ser deixados para o futuro: como foi o caso da Faculdade Católica – um passo maior do que a Diocese teria possibilidade de bancar e levar a êxito.
Nestes quinze anos, entretanto, o maior de todos os legados nem mesmo foi a reconciliação da Igreja com o Pe. Cícero, mas o que isto representa: mostrar aos pequenos que eles são capazes de enfrentar a tirania arrogante do grande. O coração da Igreja mudou de cidade, transferiu-se para o Juazeiro do Padre Cícero, fez surgir uma lógica invertida à luz do mais fundamental na mensagem de Jesus – pedra rejeitada que se tornou angular.
Eu que aprendi no seminário, à luz de um intelectualismo anti-romeiro, a ver com suspeição a crença na santidade do Padre Cícero, percebi-me instigado a voltar ao Santo do Nordeste com uma visão menos superficial, menos arrogante, com um olhar, inclusive, mais intelectualmente sério, posto que motivado pelas vozes e leituras dos grandes estudiosos que, sob a batuta de Panico, sentiram-se mais encorajados a mostrar que não é provinciano crer no Padre Cícero.
Bem sei que a boda de cristal que ora se celebra não é uma comemoração unânime nesta Igreja Particular, haverá um sem número de vozes a questionar a existência de elementos a serem celebrados, ou mesmo a dizer há mais a se lamentar, mas pressuponho que não há como avaliar sem dar vazão a todos os olhares, desde que apresentados com o devido equilíbrio entre o “pathos” e o “logos”.
Inovação, ousadia, enfrentamento do que já estava cristalizado não se instauram em um mesmo projeto sem os olhares se lancem em sua direção e se mostrem muito minuciosamente críticos. O que não pode haver é a perda do bom senso ao não reconhecer: muito mais para o bem do que para o mal, esta Diocese nunca mais será a mesma após o episcopado de Dom Fernando que, ao menos em tese, ainda tem cinco anos à frente desta jangada de Pedro.
Ora como Simão – cheio de medos, inseguranças e incertezas – ora como Pedro – capaz de falar e ser entendido por todos os povos e línguas, ora como Saulo – com equívocos, quedas e cegueiras – ora como Paulo – que atualiza a linguagem, levando ao mundo civilizado a linguagem dos que pareciam só uma seita de índios Cariri a venerar um padre teimoso e desobediente e uma negra pobre de boca sangrenta. Obrigado, Dom Fernando, pelas vezes que você foi “Pedro & Paulo” para nós, por nós e conosco!
Extra pauperes nulla Salus, Ad Maiorem Dei Gloriam!

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