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VÍDEO - CONVERSA FRANCA - O DESCASO NO CRATO - Dihelson Mendonça ( 30-11-2017 ).
Estamos de volta com as transmissões da TV Chapada do Araripe ( E agora, com alguns programas ao vivo ). Serão vários programas abordando temas diversos, como a realidade da nossa região, do Ceará e do mundo; Programas científicos, atualidade, entrevistas, e transmissão de eventos ao vivo. ( Veja o vídeo e compartilhe ). www.tvchapadadoararipe.com



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27 maio 2016

Para Você Refletir ! - Por Maria Otilia

Nestes últimos dias estamos sendo surpreendidos pela avalanche de manchetes estarrecedoras. Por um lado notícias que bombardeiam o cenário político do país. Por outro, o inúmero de casos de violência contra a mulher, seja doméstico ou o abuso sexual de crianças  adolescentes. No caso da jovem recentemente abusada por “estupro coletivo” é simplesmente abominável. Infelizmente a justiça fraca e tardia, mesmo com nomes dos acusados, demora na prisão dos mesmos. 
Aqui na cidade do Crato, vivemos uma indagação sobre o desparecimento  da jovem Rayane, ainda sem nenhuma explicação plausível para a família  desta jovem. Está se tornando uma  rotina diária  as   notícias veiculadas  nas emissoras de rádio, os inúmeros casos de violência doméstica, a maioria com  desfecho de assassinato das mulheres, por homens machistas, sem escrúpulos que ainda insistem em querer ser “donos” de suas companheiras. O cariri, infelizmente tem  record alarmante  desta violência. 
O mais gritante para nós mulheres é a falta de políticas públicas efetivas para a redução da violência contra a mulher. Infelizmente, nesta transição de governo, um ministério criado a partir de lutas constantes promovidas  pelos movimentos feministas, foi extinto. Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos seria um instrumento para a redução desta estatística cruel de casos de violência contra a mulher, preconceito e discriminação racial. Como vivemos numa sociedade machista, nada mais oportuno do que acabar com este Ministério, pelo governo Temer. E como a maioria dos políticos tanto do legislativo como do executivo são homens, que se acham “donos” do poder muito pouco importou esta extinção. 
O caso de Rayane desaparecida, aqui no município do Crato e da adolescente do Rio de Janeiro, que sofreu estupro coletivo, infelizmente cai no esquecimento a partir da não veiculação  nas redes sociais e de televisão. E infelizmente novos casos surgem e começa tudo de novo. A impunidade impera e faz com que as mulheres, principalmente pobres e negras, se quer tenham um a atendimento adequado nas tão sonhadas “ delegacias femininas”. Apoio psicológico, jurídico e médico realmente também são muito capengas. Além da humilhação de ter que denunciar o abuso sexual, a violência física, a violência psicológica diante de um ou uma delegada passa também a ser constrangedor. Somos sabedoras de que muitas mulheres ao chegarem às delegacias, passam a ser hostilizadas por policiais através de “risos, piadinhas, perguntas inoportunas”, etc.
Como educadores, precisamos rever nossa postura dentro da sala de aula, no tocante a construção de novos valores, de respeito a igualdade de gênero, e questões  relacionadas ao preconceito e discriminação racial. Precisamos realmente focar na função social da escola de construção da cidadania voltada para a formação de nossos estudantes como seres humanos mais sensíveis e que  saibam viver em comunidade, respeitando seu  semelhante.
Para uma reflexão, posto  abaixo um texto de   Marina Colasanti . Boa leitura.

                                                            Eu sei, mas não devia
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. 
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Acostuma-se para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.






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