xmlns:fb='http://www.facebook.com/2008/fbml' xmlns:og="http://opengraphprotocol.org/schema/"> No tempo dos Coronéis‏ - Parte II - Por: Valdemir Correia de Sousa | Blog do Crato
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31 maio 2016

No tempo dos Coronéis‏ - Parte II - Por: Valdemir Correia de Sousa


Na semana passada escrevi um artigo sobre os coronéis Adauto e Humberto Bezerra. Como o assunto era extenso, dividi em dois, e falei mais sobre o coronel Adauto, e deixei para encerrar com assuntos  relativos mais ao coronel Humberto. Os dois são iguais, e quem não os conhece bem, muitas vezes fica em dúvida. Falei que os coronéis tanto cresceram politicamente, como também se dedicaram ao setor produtivo, comercial e financeiro. Como o leque era grande, fizeram uma divisão  de  atividades, ficando o setor comercial de algodão os quais eram líderes aqui na região com o Dr. Ivan, com o cunhado Aderson, e o sobrinho Rommel. Mesmo com o grande progresso causado pelo algodão, veio a praga do bicudo, e em todo o nordeste o cultivo do ouro branco foi extinto, encerrando a atividade algodoeira. Então, o Grupo Bezerra de Menezes, entrou no ramo financeiro, primeiro comprando o Banco do Juazeiro, depois o Banco do Cariri em Crato; e posteriormente, o Banco de Credito Comercial em Fortaleza, os quais juntos formaram o BIC, ou Banco Industrial e Comercial. Primeiro fortaleza, depois veio Recife, Manaus, Salvador, Rio, São Paulo, mais outras filiais, tendo a matriz passado para São Paulo. Como tinha uma razoável quantidade de ações advindas do banco de credito comercial, fui convidado para quase todas as inaugurações onde o banco era inaugurado. O Coronel Adauto ficou mais dedicado à política, e o coronel Humberto, mais ligado ao banco. Mesmo assim, o gabinete dos dois eram contíguos, na Rua Barão do Rio Branco, onde tratavam de negócios, e também de política. 


Acima: Coronéis Adauto e Humberto Bezerra ( Fonte: O Povo )

Cada inauguração era uma festa, e me lembro bem que em Salvador, quem foi inaugurar foi o celebre A.C.M, que era o governador da Bahia, o o whiskey correu solto até altas horas. depois fomos ainda para o bar do hotel da Bahia e encerramos a festa com champagne. Em Manaus, um empresário local ofereceu um iate para os coronéis conhecerem o rio amazonas. Fui convidado pelos mesmos para  acompanhá-los, e muito que fui. Lá pras tantas, no meio do rio, apareceu um garçom com uma bandeja de salgados e refrigerantes. Então eu perguntei se não tinha alguma bebida ao que o garçom respondeu negativamente. Como sou prevenido, levava na minha mochila, uma garrafa de Old Parr. pedi gelo, o garçom trouxe e fizemos a festa. Em São Paulo, o banco ficava na rua São Bento. Fomos até o largo, e o resto do caminho era a pé. 

Estava caindo uma pequena garoa. Tinha uma turma trabalhando fazendo um conserto no calçamento. Paulo Maluf era o prefeito, e ia na frente da comitiva. Paramos. então e Maluf perguntou ao operário que estava no fundo do poço: "Amigo, de onde você é ?. O operário olhou para cima e sem conhecer, ninguém respondeu: "Sou do juazeiro do padre Cícero". Aí Paulo Maluf perguntou: "Em quem você vota lá no juazeiro?" E o operário respondeu de cara: "voto nos Bezerra e  não abro". Paulo Maluf então disse.."Moço veja quem está aqui". O operário levantou a vista, arregalou os olhos e disse: "Coronel Adauto é o senhor?" "sim" Eespondeu Adauto. Aí o operário disse:. "Coronel, me arranje um emprego que preste, pois este está me matando". ai Adauto disse.."Paulo resolva este problema aí". Paulo Maluf meteu a mão no bolso, tirou um cartão o disse.."Vá me procurar amanhã, que vou resolver seu caso". E assim foram muitas outras coisas que aconteceram nas inaugurações. Quando fui abrir minha loja em fortaleza passei pela Floriano Peixoto, e tinha um prédio com a placa "aluga-se". Liguei para o número, um senhor de  nome Alber atendeu. Perguntei quanto era o preço do aluguel, e ele disse que já tinha alugado. Meio chateado, fui la para o BIC, e tratei o caso ao coronel Humberto; Ele ouviu e disse... Lúcia ligue aí para o Alber. Ela ligou e passou o telefone para o  coronel. Alber, boa tarde. Aqui é o Humberto. Olha, eu estou mandando um amigo passar aí na sua casa pegar a chave daquele prédio da Floriano. O que? Já alugou? Bem o meu amigo está  passando aí para pegar a chave. 


Acima: Foto de cartaz de campanha política de Adauto Bezerra nos anos 70


Acima: Capa da revista O POVO Cariri, com reportagem sobre Adauto Bezerra


Cheguei na casa, o Sr. Alber, que estava brabo, jogou a chave na minha cara disse um bocado de desaforo. Então seu alber, acho que o Sr.deverá dizer isto ao coronel, pois eu estou apenas cumprindo ordens. "Não quero conversa, leve a chave e nunca mais me apareça". Tornou-se um grande amigo meu, e passei 25 anos sendo seu inquilino. Devo muito aos coronéis, dos quais ouvi muitos conselhos, sempre para o bem. Hoje com a idade já avançada, vejo nos mesmos  uma fortaleza, e uma jovialidade tão grande que a todos surpreende, e ao completarem 90 anos peço a Deus que os protejam,  e que ainda tenham muitos aniversários a comemorar.


Valdemir Correia de Sousa, e família
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