16 fevereiro 2016

Alienação permitida - Por: Emerson Monteiro

Bem longe disso daqui, em mundos lá distantes no infinito cósmico dos dias, chega de mala e cuia o anseio tosco de se imaginar ainda mais distante. Isto por conta do mau gosto que resolveu taramelar nas pernas dos pontos de encontro da pobre sociedade capitalista que quer dominar o mundo de hoje. Queira olhar isso e veja o que mostram os oráculos em que viraram as televisões e seus filmes esquisitos, de negro extremo, só assunto de causar espanto, e que nem um pouco me interessam, sejam quais forem eles desde que preguem o medo de viajar no tempo. Porque decidi, de alma lavada, escorar nos cantos dos anonimatos o ser ansioso que imprimia vontades de transformação social e que chegou assim troncho, de péssimo gosto, o resultado que oferecem agora. Foram décadas de luta. Horas clandestinas. Porres de esquecer o universo daquelas horas amarguradas. E em que os tais prometedores de revisão do quadro até parece que esqueceram de vez daquilo que antes disseram que fariam depois das possibilidades adquiridas a longas penas. No entanto resolvo deixar de lado o que me apresentam de renovação, e imponho a mim mesmo o forte impulso de esconder a cara nos vagões de bagagem que deslizam rumo ao desconhecido, porém querendo achar meios de alegrar a consciência na busca de valores maiores, fruto da religiosidade que mora dentro de toda criatura. Espécie de apocalipse pessoal, devolvo às eras findas o território da esperança em forma de realização do pensamento em amor aos semelhantes e práticas que acalmam os dentes do animal que impõe as condições sócio-políticas, culturais e ambientais desse momento, o que serve de alimento às feras que fabricam e vendam as armas das guerras fraticidas, corrompem as gerações no uso de drogas, jogos e prostituição, vítimas do desejo insano de nutrir a pouca imaginação que corrói o sentimento feito lama de esdrúxulos pesadelos perdidos no véu das escuridões abandonadas.

Chega, chega de vender a paz a troco de querer acompanhar o ritmo dos vilões que imperam nos teatros da ilusão. Há fortes indícios de tranquilidade quando a gente decide preencher o espaço da existência por meio do gosto bem bom de novos sonhos recentes, na arte de amar e viver a própria vida com carinho possível e claro.

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