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15 janeiro 2016

Crato: homens e fatos que fizeram sua história (por Armando Lopes Rafael)


Daqui a um ano Crato vai comemorar o bicentenário do seu maior episódio histórico
Em 2017, no dia 3 de maio, Crato terá novo prefeito. Naquela data serão lembrados os duzentos anos do maior episódio histórico da Cidade de Frei Carlos: a participação de Crato na Revolução Pernambucana de 1817. Em 2014, quando esta cidade completou 250 anos de fundação, a data passou em branco para vergonha do seu  povo. Espera-se que no próximo ano, com administradores dotados de mentalidade aberta aos anseios do povo,  haja alguma comemoração para relembrar a efeméride.
O que foi esse episódio
Em 1817, os sonhos libertários resultaram no primeiro confronto ideológico ocorrido no Cariri. Os liberais eram liderados pelo subdiácono José Martiniano de Alencar (foto acima, à época que ele foi Presidente da Província do Ceará, no reinado de Dom Pedro II) estudante do Seminário de Olinda e adepto dos princípios republicanos e laicos da Revolução Francesa de 1789. Foi este jovem enviado pelos líderes da Revolução Pernambucana de 1817, para deflagrar o processo revolucionário no conservador Vale do Cariri. Num gesto audaz e corajoso, no dia 3 de maio de 1817, José Martiniano de Alencar proclamou do púlpito da Matriz do Crato a adesão da Vila Real do Crato à proclamada independência do Brasil, iniciada em Recife. A diferença é que o seminarista Alencar era adepto do regime republicano e a mentalidade da população era majoritariamente conservadora. 

Como a Revolução terminou
 A contrarrevolução veio rápida. Oito dias depois, Leandro Bezerra Monteiro, o mais importante proprietário rural do Cariri, dotado de profundas e arraigadas convicções católicas e monarquistas, pôs termo ao sonho do jovem José Martiniano de Alencar. Os revolucionários foram presos e enviados para as masmorras de Fortaleza e posteriormente para as de Salvador, na Bahia. Entre os prisioneiros estavam Tristão Gonçalves de Alencar Araripe e Dona Bárbara de Alencar, irmão e mãe de José Martiniano. Após sofrerem as agruras das prisões, por cerca de quatro anos, os revolucionários cratenses foram anistiados pela autoridade real. Por sua lealdade à Monarquia, Leandro Bezerra Monteiro, foi agraciado, pelo Imperador Dom Pedro I, com o posto de Brigadeiro (que nas patentes antigas correspondia a de General) o primeiro título de Brigadeiro a ser concedido no Brasil.
Um sonho não concretizado: Crato capital do Cariri
Já em 1828, a Câmara de Vereadores do Crato encaminhava representação ao Governo mostrando a oportunidade de criação da Província do Cariri Novo. Não foi atendida nessa pretensão. A ideia voltou à tona, em 14 de agosto de 1839, quando o senador José Martiniano de Alencar, do Partido Liberal, apresentava no Senado do Império do Brasil projeto de lei cujo artigo 1º dizia textualmente: "Fica criada uma nova província que se denominará Província do Cariri Novo, cuja capital será a Vila do Crato".
Os demais artigos desse projeto de lei tratavam sobre os limites geográficos da nova unidade do Império do Brasil que incluíam municípios do sul do Ceará e os limítrofes das Províncias da Paraíba, Pernambuco e Piauí. Com a ascensão do Partido Conservador ao poder, o projeto de lei não prosperou. Anos depois, através do jornal "Diário do Rio de Janeiro", voltava o senador Martiniano de Alencar a defender sua ideia de criação da Província do Cariri. Tudo ficou só num sonho.

Crato vai comemorar centenário de nascimento do Padre Frederico
    O Santuário Eucarístico Diocesano, os ex-paroquianos, os sócios da Creche São Miguel, os professores, funcionários e alunos Escola Pe. Frederico, a Paróquia de São Miguel Arcanjo, a Paróquia de José Operário da Ponta da Serra, os amigos do Pe. Frederico Nierhoff – Pároco da Paróquia de São Paróquia de São Vicente Ferrer de 1948 a 1968 – estão convidando todos os cratenses, principalmente os que o conheceram, para agradecer a Deus pelo exemplo de grande pastor que foi esse sacerdote de Deus, missionário da Sagrada Família.
A Programação
23 de janeiro de 2016 (sábado) – 16:00h.  Na comunidade Malhada (Paróquia de José Operário da Ponta da Serra) Encontro das Comunidades: Palestra do Prof. Eugênio Medeiros Dantas; 18:30h. Missa presidida pelo Pe. José Ricardo.
24 de janeiro de 2016 (domingo) 18:30h. Santa Missa na Paróquia de São Miguel Arcanjo (Crato) presidida por Mons. José Honor de Brito.
Dia 25 de janeiro de 2016 (Segunda-feira) – Toda a manhã – Na Escola Pe. Frederico: homenagem da Escola e Creche São Miguel e SOAFAMC. Lançamento do cordel da Presidente da Academia  dos Cordelistas, Profa. Anilda Figueiredo encenação sobre a origem da creche.
Dia 26 de janeiro de 2016 (terça-feira) Dia do Centenário de Nascimento do Pe. Frederico. 07:15h. – Entrevista do Pe. Rocildo Alves Lima Filho, na Rádio Educadora do Cariri; 18:30h. no Santuário Eucarístico (Paróquia de São Vicente Ferrer) solene concelebração e encenação da vida do Pe. Frederico.
Quem foi Padre Frederico, um gigante na Pastoral do Crato
   Segundo um folder que está sendo distribuído pelo Santuário Eucarístico Diocesano: “Faz 47 anos que o Pe. Frederico Nierhoff, ex-pároco da Paróquia de São Vicente Ferrer e da Sagrada Família, em Crato, se despedia do povo cratense e de seus amigos de Juazeiro, Barbalha e das cidades vizinhas, através do jornal "A Ação”, escrevendo: “Passei quase uma existência com vocês, me alegrando e me entristecendo com as alegrias e tristezas de cada um, com uma palavra “vivendo” com vocês. Era impossível me despedir sem comoção”.
    Este alemão, que chegou ao Brasil, pelo Recife em 1938, ainda como estudante de teologia, junto com seus confrades da Congregação da Sagrada Família, se ordenou padre em 1º de maio de 1941, passando por Picos e Pio IX, no Piauí, Saboeiro, Arneiroz e Aiuaba, no Ceará, chegou ao Crato em 1948, para ser o segundo Pároco da Paróquia de São Vicente Ferrer, sucedendo ao PE. Francisco Xavier Nierhoff, também missionário da Sagrada Família, este posteriormente nomeado segundo Bispo da Diocese de Floresta (PE), em 1964.
    Pe. Frederico Nierhoff era um homem de grande dinamismo e enorme capacidade de trabalho. Muito alto, voz grossa, falava um português, às vezes, truncado, mas era muito comunicativo. Na pastoral, procurava atingir a todos os segmentos: adultos, homens e mulheres, jovens e crianças, principalmente através da catequese. Não ficava só nas atividades estritamente religiosas, mas procurava ir ao encontro dos necessitados, por isso estimulou a educação, com a fundação do Instituto São Vicente, entregue as professoras Anilda Arraes de Alencar, Alda Arraes, Almina Arraes e as demais irmãs dessa tradicional família. Criou a Creche São Miguel, criou os núcleos habitacionais da comunidade Malhada, no distrito da Ponta da Serra e no Sítio Romualdo. Ampliou a igreja-matriz de São Vicente e construiu 10 capelas, dentre elas a de São Miguel Arcanjo (hoje sede da paróquia do mesmo nome), da Sagrada Família (no bairro Recreio), São José (no Sítio Romualdo) dentre outras. Criou um Centro Catequético, dotado de parque de diversão para crianças, contando até uma pequena piscina, dotado de água e energia próprias.
    O escritor J. de Figueiredo Filho, no jornal “Gazeta de Notícias”, de 25-02-1969, escreveu a respeito do sacerdote, num artigo intitulado “Pe. Frederico, Vigário Modelo”: “Desconheço um brasileiro mais autêntico do que Pe. Frederico Nierhoff e que tenha mais amor à terra adotiva. É modelo de vigário em todas suas facetas positivas. Integrou-se aqui, de corpo e alma, à sua paróquia... Nenhum outro sacerdote de meus conhecimentos teve, no entanto, maior convivência com os pobres, ajudando-os e orientando-os para uma vida melhor do que aquele sacerdote de altura descomunal, louro, forte e tão visceralmente nordestino. Seu falar meio arrevesado é cheio de gírias da região. Nas homilias, nos sermões, se expressa na linguagem que o povo entende...”.
     A respeito de Pe. Frederico Nierhoff também assim se expressou o Mons. Pedro Rocha de Oliveira, em 28-02-1968: “Pe. Frederico, no seu fecundo pastoreio, entre nós, alcandorou-se em grandeza sacerdotal. No ministério sacerdotal impressionou pelo zelo pastoral. No setor social desenvolveu uma obra de envergadura que nunca será demais enaltecer. Amava o Crato e sua gente, talvez mais do que gente de sua querida Alemanha. Por isso mesmo, gozava de estima geral, apreciado e admirado por todos, sem distinção de classe social... A matriz de São Vicente, ao seu tempo, tornou-se, por assim dizer, a sala de visita da Diocese, seja pelo fervor religioso e intensidade de vida espiritual, seja pela vigorosa estrutura sócia apostólica e bela urdidura de ação social. Favoreceram as associações religiosas, com belos e edificantes movimentos de leigos... Olhou carinhosamente para as classes pobres ou menos afortunadas... Centros sociais e educacionais fez funcionar” (...)
   De Crato o Pe. Frederico Nierhoff, em janeiro de 1969, se transferiu para a Diocese de Floresta. Lá, na cidade de Custódia, foi vigário. E em 31 de outubro de 1975, foi vítima de um acidente de carro que dirigia, quando sentiu um enfarto. Temos muito que agradecer a Deus pelo exemplo deixado pelo Pe. Frederico, pelo seu amor à pastoral na Paróquia de São Vicente Ferrer.
    Em nome do Santuário Eucarístico Diocesano (Igreja de São Vicente): o Mons. João Bosco Cartaxo Esmeraldo e toda equipe pastoral do Santuário.

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